quinta-feira, junho 11, 2009
terça-feira, junho 09, 2009
segunda-feira, junho 01, 2009
Integrando o programa da Feira do Livro de Ponte de Lima, certame a decorrer até 7 de Junho, na Expolima, no próximo dia 6 de Junho, pelas 17 horas, será apresentado o livro "Figuras Populares de Ponte de Lima", de Luís Dantas. Os trabalhos realizados pelo autor, quer nesta temática quer noutras, auguram um livro marcante. Entretanto, hoje foi dado a conhecer, em sessão própria, o livro Viajar com... António Feijó, de José Cândido Martins. O programa da Feira inclui outras apresentações, como pode ver aqui. A Cidade do Sonho
[...]
Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,
Deves empreender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Prometida:
Em beijos o maná chove na nossa boca...
[...]
António Feijó
Sol de Inverno (1915)
Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,
Deves empreender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Prometida:
Em beijos o maná chove na nossa boca...
[...]
António Feijó
Sol de Inverno (1915)
terça-feira, maio 26, 2009
Para que serve um areal?
A recente intervenção no areal suscitou alguma perplexidade. Perdidos os usos forjados por séculos de história, à excepção da feira, parecem ter sumido as razões para manter aquele espaço como um simples areal. Este não é o meu ponto de vista. O areal é um objecto de natureza, formado por processos de sedimentação hidráulica. Desde logo, o areal conta-nos uma história natural, a da evolução dos elementos físicos, do devir da Natureza. Ponte de Lima merece muito do seu encanto à capacidade que os homens foram demonstrando, ao longo de séculos, de ligar a construção humana à forma primeva. Por outro lado, a sua configuração enquanto espaço urbano resultou de uma relação estreita com o rio, adaptando-se às mudanças impostas pela correnteza das águas e pelas areias (veja-se, por exemplo, a implantação das pontes romana e medieval). O areal sendo elemento natural é, também, coisa construída, testemunho de permanências e memórias. Não consideramos que salvaguardar a memória implique sempre acentuar as permanências. Contudo, não podemos deixar de notar que, perdidas muitas das funções tradicionais do areal (espaço de brincadeira, lugar de corar e estender roupa…) e sendo manifesta a inapropriada colonização pelos automóveis, resta a presença de uma forma. O areal tem, actualmente e do meu ponto de vista, na forma geral da vila uma função essencial: permitir a entrada de ar e de luz, permitir a respiração, e, dessa forma, suscitar a compreensão de um certo telurismo que justifica muitas das características de Ponte de Lima. Nessa medida, o areal deve ser sempre simples areal, um espaço público que nos permita fruir os elementos naturais, o casario, a ponte, o horizonte, as montanhas e o céu, sem intrusões visuais significativas ou intervenções que nos façam esquecer todo o espaço envolvente. Um areal, assim entendido, valoriza o edificado, dando-lhe monumentalidade. Um areal, assim sem outra função, reconduz Ponte de Lima às suas origens.
segunda-feira, maio 25, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
terça-feira, maio 19, 2009
Museu dos Terceiros na web
Recomenda-se a visita ao sítio virtual do Museu dos Terceiros. Para além das informações gerais (horários, descrição das exposições temporárias e permanente...) e dos regulamentos (de visita e acesso a serviços), o visitante encontra o inventário, com um sistema de pesquisa simples, permitindo uma recuperação da informação ágil. Iniciativa louvável! segunda-feira, maio 11, 2009
Pensando o aformoseamento da Montanha de Santa Maria Madalena
Como as estradas e os caminhos têm estórias e histórias (que, notemos, seria interessante recolher e estudar), aqui deixamos a notícia do estudo de abertura daquela que liga a vila ao Monte de Santa Maria Madalena. Sobre esta montanha e seu arranjo é obrigatória a leitura dos textos escritos pelo Padre Manuel Dias. Quanto à notícia, faz esta semana oitenta e seis anos que foi publicada. Com efeito, em Maio de 1923, a imprensa local noticiava o início dos trabalhos da "Comissão promotora do aformoseamento da montanha de Santa Maria Madalena", tendo realizado a "medição e estudo dos terrenos para a abertura do ramal de estrada para o alto da mesma". Escrevia o jornal Rio Lima (na edição de 13 de Maio) que "os srs. João Rodrigues de Morais e José Francisco de Amorim, aderam gratuitamente as suas propriedades, ali existentes, o terreno necessario para o córte da estrada, sendo de esperar que os demais proprietários lhe sigam o exemplo que é digno dos nossos melhores encomios". A referida notícia registava, ainda, que António Silva Barros se prontificara a fazer o estudo e traçado da estrada gratuitamente.
quinta-feira, abril 23, 2009
A vila em dia de feira (1901)
"... mas por ahi um pittoresco formigueiro de feirantes que iam e vinham num bulicio admiravel e num pardalar que azoinava. Aqui e além estadeavam-se os raros que, indifferentes á grande lucta pela vida, se inebriavam num invejavel dolce far niente; e pouco a pouco uns e outros foram abalando, mas sómente ao expirar do dia ficou esta villa na sua normal pacataz" (A Semana, 16 de Março de 1901).
sábado, abril 11, 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
Afinidades Secretas de António Feijó
Contemplemos o tronco envelhecido. A custo
Nasce aquele renovo, e a todos os momentos
Alimenta-se e cresce e chega a ser arbusto,
Com os ramos cobrindo os galhos corpulentos
Do carcomido tronco...
A senectude austera,
Com grinaldas de musgo e com abraços de hera,
Trabalha e sofre e luta arrebatando a seiva,
Com a raiz cravada à produtiva leiva,
Para dar vida à infância!
Olhando o grupo eu cuido
Que prende a Natureza o mesmo estranho fluido;
Que no tronco e no arbusto e no reptil e na ave
Existe alguma coisa humamente suave,
Como no homem existe um pouco desse instinto
Da pantera ferida e do leão faminto...
António Feijó
quarta-feira, abril 01, 2009
Parece-lhe familiar?...
"Em Portugal ha, neste momento, três raças distintas: a dos que procuram trabalhar e produzir o mais que podem, a dos que ambicionam fazer o menos que podem e a dos que procuram impedir, com a mais obstinada das teimosias, todo o trabalho útil e todo o esforço profícuo e criador." (Cardeal Saraiva, 23.09.1920).
"Parece que uma onda de loucura invadiu as classes dirigentes, onda que vem chocar-se com uma outra de revolta que se vem avolumando pela anarquisação da sociedade, onde a fome principia a fazer sentir os seus horrores (...)" (Cardeal Saraiva, 2.09.1920).
segunda-feira, março 09, 2009
Sobre uma pedra tumular
Na apresentação do livro Figuras Limianas foi projectada a imagem de um túmulo, julgo que no Oriente, onde para além do nome do sepultado surge a menção à sua naturalidade – Ponte de Lima. Não me interessa, neste momento, nomear a figura nem precisar o local do sepulcro. Interessa-me o gesto, a condição.
Deixar-se assim epigrafar é uma forma de revelar a condição de migrante. Como dizia Miguel Torga o emigrante é um contrabandista da linha equatorial da vida. Balançando entre o torrão natal e o torrão adoptado, passa a ser um ser híbrido, recebendo da vida, no dizer do escritor, a marca indelével da permanente inquietação. Tenha ou não regressado à sua terra natal, aquele homem manifestou a divisão entre duas pátrias, dualidade que tanto é um imperativo moral como um estigma de condenação. Essa é a riqueza de uma obra como as Figuras Limianas: dar a conhecer experiências de vida, descobrir o Outro, ainda que no Passado. Nessa pesquisa há um encontro connosco, com a nossa identidade. É óbvio que naquelas páginas não está representado o turbilhão de experiências dos homens desta região. É certo que ao lado destes “factos históricos” é justo colocar, como diz José Mattoso, o “suspiro de amor” ou o “nascimento de uma criança”, desde que não se perca o sentido da globalidade. Mas também se justifica dizer que aquelas figuras não estão ali para serem julgadas – a História não serve para julgar os Homens, mas para enriquecer o nosso interior pela compreensão e conhecimento daquilo que fomos e somos. Devemos, pelo contrário, reconhecer-lhes os limites, as qualidades e os defeitos. Mesmo que nos soe a estranho devemos estar abertos ao que nos diz. Recebemos lições da história quando reconhecemos a alteridade. Isso não quer dizer que devemos ser complacentes com tudo. Não podemos é atribuir aos nossos valores uma objectividade que legitimaria colocarmo-nos num patamar de superioridade. A emissão de juízos morais sobre as figuras do Passado é uma fragilidade. Nem sempre na História encontramos o Humanidade com que sonhamos; nem sempre a nossa abertura ao Outro se revela uma “história de amor”.
Voltando à lápide. Muito mais agarrado ao tempo e ao espaço do que o homem da actualidade, aquele indivíduo procurar diluir as fronteiras numa inscrição. De alguma forma diz-nos que sendo pó naquela terra, há um outro lugar onde se gostaria de inscrever. O muito próximo não é sinónimo de muito importante. Na verdade, não sei se são mais importantes os arbustos humanos plantados no chão onde nasceram, voltando a usar as palavras de Torga, ou aqueles que vivem a experiência do estilhaço. Não sei qual das duas é mais reveladora de amor à mãe geográfica (outra vez, Torga); sei, pois assim me mostram os homens do passado e os do presente, que é uma situação dolorosa, a de viver dividido entre duas pátrias.
Há um limiano contemporâneo, que na sua escrita deixou transparecer bem a experiência destes homens que partem e regressam (sob as mais diversas formas), Amândio Sousa Dantas: no regresso não regressamos / mudou o tempo e nós mudamos / e não se volta ao que deixamos (…).
Deixar-se assim epigrafar é uma forma de revelar a condição de migrante. Como dizia Miguel Torga o emigrante é um contrabandista da linha equatorial da vida. Balançando entre o torrão natal e o torrão adoptado, passa a ser um ser híbrido, recebendo da vida, no dizer do escritor, a marca indelével da permanente inquietação. Tenha ou não regressado à sua terra natal, aquele homem manifestou a divisão entre duas pátrias, dualidade que tanto é um imperativo moral como um estigma de condenação. Essa é a riqueza de uma obra como as Figuras Limianas: dar a conhecer experiências de vida, descobrir o Outro, ainda que no Passado. Nessa pesquisa há um encontro connosco, com a nossa identidade. É óbvio que naquelas páginas não está representado o turbilhão de experiências dos homens desta região. É certo que ao lado destes “factos históricos” é justo colocar, como diz José Mattoso, o “suspiro de amor” ou o “nascimento de uma criança”, desde que não se perca o sentido da globalidade. Mas também se justifica dizer que aquelas figuras não estão ali para serem julgadas – a História não serve para julgar os Homens, mas para enriquecer o nosso interior pela compreensão e conhecimento daquilo que fomos e somos. Devemos, pelo contrário, reconhecer-lhes os limites, as qualidades e os defeitos. Mesmo que nos soe a estranho devemos estar abertos ao que nos diz. Recebemos lições da história quando reconhecemos a alteridade. Isso não quer dizer que devemos ser complacentes com tudo. Não podemos é atribuir aos nossos valores uma objectividade que legitimaria colocarmo-nos num patamar de superioridade. A emissão de juízos morais sobre as figuras do Passado é uma fragilidade. Nem sempre na História encontramos o Humanidade com que sonhamos; nem sempre a nossa abertura ao Outro se revela uma “história de amor”.
Voltando à lápide. Muito mais agarrado ao tempo e ao espaço do que o homem da actualidade, aquele indivíduo procurar diluir as fronteiras numa inscrição. De alguma forma diz-nos que sendo pó naquela terra, há um outro lugar onde se gostaria de inscrever. O muito próximo não é sinónimo de muito importante. Na verdade, não sei se são mais importantes os arbustos humanos plantados no chão onde nasceram, voltando a usar as palavras de Torga, ou aqueles que vivem a experiência do estilhaço. Não sei qual das duas é mais reveladora de amor à mãe geográfica (outra vez, Torga); sei, pois assim me mostram os homens do passado e os do presente, que é uma situação dolorosa, a de viver dividido entre duas pátrias.
Há um limiano contemporâneo, que na sua escrita deixou transparecer bem a experiência destes homens que partem e regressam (sob as mais diversas formas), Amândio Sousa Dantas: no regresso não regressamos / mudou o tempo e nós mudamos / e não se volta ao que deixamos (…).
[citamos, Miguel Torga - Ensaios e Discursos. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2001, 169-180; Amândio Sousa Dantas - Emigrar na Primavera. Edição de autor, 1991, 46]
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
O Lima de Camilo Castelo Branco
(...)
Vai o leitor pasmar-se daquelas bem-aventuradas margens do Lima. Entra comigo em Viana, na louçã namorada do oceano, naquela esquiva formosa que vacila entre deixar-se amar das ondas, que lhe beijam os pés, ou dos arvoredos que lhe enramam a fronte. Agora, vamos neste barquinho rio acima até Ponte de Lima. Não se me fique arrobado neste ondear de esmeralda que a viração balança, que receio me deixe ir sozinho em procura do brasileiro. Aquilo são bosques, que escondem moitas arrelvadas, e meandros de fontes, e amores de aves, e amores de damas castelãs, que por ali se escondem mais conhecidas das estrelas que nossas, e mais conhecidas ainda dos faunos ilustrados do sítio que das estrelas.
Aqui estamos na velha Ponte. Iremos por terra a Valença que é um ir sempre ao debaixo de abóbadas de verdura.
Camilo Castelo Branco, Noites de Lamego.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Um catálogo para um espaço em MUT(E)ação
O ano que findou foi fértil no campo editorial, em Ponte de Lima. Constatamos uma regularidade de apresentações inédita e vislumbramos trabalhos com qualidade. Relativamente sombreado pela exposição mediática atribuída à inauguração do Museu dos Terceiros, esta inteiramente justa, o Catálogo do Museu dos Terceiros tomou a estante dos apreciadores da(s) arte(s), dos interessados na museologia e dos visitantes amantes da cultura.
Um catálogo é, por definição, um rol ordenado de elementos classificados. No caso, é um registo do acervo do património das igrejas de Santo António dos Frades e Ordem Terceira, hoje designado por Museu de Arte Sacra dos Terceiros (MUTE), onde se inclui a estatuária, a azulejaria, a pintura, o mobiliário, os altares e retábulos, as alfaias litúrgicas e outros objectos.
O trabalho cumpre com qualidade a função descritiva dos objectos acrescentando, em diversas circunstâncias, uma preocupação em determinar o responsável pela encomenda, o contexto da sua decisão e uma explicação da simbologia. Utilizando uma linguagem ajustada à tipologia descrita, o autor do texto, José Velho Dantas, revela o cuidado de nos fornecer elementos interpretativos, alicerçando o seu discurso em fontes documentais e bibliográficas.
Catalogar é um exercício fulcral para a preservação e divulgação do património. Tornou-se banal afirmar que só amamos o que conhecemos. Por detrás do chavão está uma verdade insofismável. Leio hoje, num artigo de Matilde Sousa Franco, que o lema de António Sérgio era a frase da mística Santa Catarina de Sena: O intelecto nutre o afecto. Quem mais conhece mais ama; e mais amando mais gosta. A publicação deste catálogo serve o conhecimento e faz-nos olhar para o MUTE de outra forma. Durante muito tempo aquele local foi albergue de interessantes exposições; nesse aspecto, o Museu não rompe com uma tradição recente de apropriação do espaço. Contudo, quantas vezes nos escapou a riqueza patrimonial que ficava na sombra dos painéis e dos objectos temporariamente expostos? O catálogo tem o mérito de dar a conhecer esse património, agora recuperado e conservado.
Um catálogo é um instrumento de acção. Cremos que, a partir dele, será necessário construir outros meios de divulgação, ajustados aos perfis dos visitantes. Quando visitamos o MUTE, ainda decorria a exposição temporária “Santeiros de Ponte de Lima”, percebemos que as bases para esse trabalho estão criadas (recordo uma simpática mascote). É preciso ensinar a ver (não só os públicos jovens!), criando guias que nos “obriguem” a explorar o MUTE para além de uma abordagem mais “panorâmica”.
Um catálogo é, por definição, um rol ordenado de elementos classificados. No caso, é um registo do acervo do património das igrejas de Santo António dos Frades e Ordem Terceira, hoje designado por Museu de Arte Sacra dos Terceiros (MUTE), onde se inclui a estatuária, a azulejaria, a pintura, o mobiliário, os altares e retábulos, as alfaias litúrgicas e outros objectos.
O trabalho cumpre com qualidade a função descritiva dos objectos acrescentando, em diversas circunstâncias, uma preocupação em determinar o responsável pela encomenda, o contexto da sua decisão e uma explicação da simbologia. Utilizando uma linguagem ajustada à tipologia descrita, o autor do texto, José Velho Dantas, revela o cuidado de nos fornecer elementos interpretativos, alicerçando o seu discurso em fontes documentais e bibliográficas.
Catalogar é um exercício fulcral para a preservação e divulgação do património. Tornou-se banal afirmar que só amamos o que conhecemos. Por detrás do chavão está uma verdade insofismável. Leio hoje, num artigo de Matilde Sousa Franco, que o lema de António Sérgio era a frase da mística Santa Catarina de Sena: O intelecto nutre o afecto. Quem mais conhece mais ama; e mais amando mais gosta. A publicação deste catálogo serve o conhecimento e faz-nos olhar para o MUTE de outra forma. Durante muito tempo aquele local foi albergue de interessantes exposições; nesse aspecto, o Museu não rompe com uma tradição recente de apropriação do espaço. Contudo, quantas vezes nos escapou a riqueza patrimonial que ficava na sombra dos painéis e dos objectos temporariamente expostos? O catálogo tem o mérito de dar a conhecer esse património, agora recuperado e conservado.Um catálogo é um instrumento de acção. Cremos que, a partir dele, será necessário construir outros meios de divulgação, ajustados aos perfis dos visitantes. Quando visitamos o MUTE, ainda decorria a exposição temporária “Santeiros de Ponte de Lima”, percebemos que as bases para esse trabalho estão criadas (recordo uma simpática mascote). É preciso ensinar a ver (não só os públicos jovens!), criando guias que nos “obriguem” a explorar o MUTE para além de uma abordagem mais “panorâmica”.
[Catálogo do Museu dos Terceiros. Coordenação: Carlos Brochado de Almeida. Textos de José Velho Dantas. Fotografia de Amândio de Sousa Vieira. Edição: Município de Ponte de Lima, 2008.]
domingo, janeiro 25, 2009
Ponte de Lima nos "Oscares do Turismo português"
A Feira do Cavalo de Ponte de Lima mereceu uma menção honrosa, na categoria de "Animação & Eventos", na 4ª edição dos Prémios Turismo de Portugal 2008. A entrega dos referidos prémios teve lugar, na semana finda, na abertura oficial da Bolsa de Turismo de Portugal (BTL).
Segundo a reportagem do jornal Público (Fugas, 24.01.2009), houve 132 candidatos, sendo 67 do sector público e 65 da área da iniciativa privada. O prémio procura destacar os projectos "que mais contribuíram para uma maior notoriedade de Portugal como destino turístico de excelência". A lista completa pode ser conhecida na página do Ministério da Economia e da Inovação/Turismo de Portugal.
Segundo a reportagem do jornal Público (Fugas, 24.01.2009), houve 132 candidatos, sendo 67 do sector público e 65 da área da iniciativa privada. O prémio procura destacar os projectos "que mais contribuíram para uma maior notoriedade de Portugal como destino turístico de excelência". A lista completa pode ser conhecida na página do Ministério da Economia e da Inovação/Turismo de Portugal.A menção honrosa que distinguiu a Feira do Cavalo é o reconhecimento de um trabalho que, desde os seus primeiros momentos de vida, se revelou de qualidade. Aproveitando um equipamento urbano versátil, com uma arquitectura que soube conciliar a realidade envolvente e a intervenção humana, a Feira apresentou um programa diversificado e com qualidade, capaz de satisfazer o público mais exigente e o simples amante da vida animal. Acima de tudo, (re)coloca o homem em contacto com a Natureza; (re)lembra a rica simbiose entre o animal e o humano. 

É interessante notar que, nesta categoria, a par deste evento mereceu a mesma classificação o "veterano" Festival Internacional do Porto - Fantasporto e que o vencedor tenha sido o Red Bull Air Race World Series (realizado no Porto/Gaia). Trata-se, quer num caso quer noutro, de eventos com uma expressão mediática difícil de ultrapassar. Contudo, mais do que "enchentes" fugazes e "primeiras páginas", interessa a Ponte de Lima o desenvolvimento de projectos regulares, sustentáveis e que se ajustem à realidade natural, antropológica e histórica local.
O prémio servirá, indubitavelmente, de alento à organização da III Feira do Cavalo, agendada para os dias 25 a 28 de Junho de 2009 (cujo cartaz reproduzimos).
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Alfredo Cândido, caricaturista das "verdes margens do Lima"
Por estes dias, enquanto realizava uma pesquisa, cruzei-me com um conjunto de referências a páginas e blogs onde se menciona Alfredo Cândido, caricaturista nascido em Arcozelo. Sendo este um espaço de partilha, deixo as ligações para uma nota biográfica redigida por Luís Dantas, um conjunto de posts do Blog da Rua Nove, que incluem a reprodução de várias caricaturas, e o resultado de uma exposição intitulada Recordando Portugal em antigos bilhetes postais (a partir da colecção de Klaus WernerGruner), que dedicou o painel 8 à caricatura política de Alfredo Cândido.
terça-feira, janeiro 13, 2009
Dario Niccodemi no Teatro Diogo Bernardes
Em Maio de 1923, o jornal "Rio Lima" noticiava a apresentação no Teatro Diogo Bernardes da peça, em três actos, "A Migalha", da autoria de Dario Niccodemi (1874-1934). Dario Niccodemi nasceu na cidade de Livorno e iniciou a sua actividade teatral na Argentina, para onde emigrou, com a sua família. Regressou à Itália em 1915, fundando, seis anos depois, uma companhia de teatro, a primeira a representar Seis personagens à procura de um autor (1921), de Luigi Pirandello (1867-1936).
[Cf. Rio Lima, 27 de Maio de 1923, nº 21, Ano 1. Na imagem: Dario Niccodemi]
domingo, dezembro 28, 2008
... assim atamos e desatamos os dias
assim atamos e desatamos os dias.
[Amândio Sousa Dantas, excerto do poema "Fragmentos", do seu livro "No ombro o orvalho", Lisboa: Edições Ceres, 2006, p. 23; fotografia: jcml]
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Natal
[...]
O Cristo é sempre novo, e na fraqueza deste menino
há um silencioso motor, uma confidência e um sino.
Nasce a cada Dezembro e nasce de mil jeitos.
Temos de pesquisá-lo até na gruta de nossos defeitos.
[...]
Excerto do poema "Vi nascer um Deus" de Carlos Drummond de Andrade .
O Cristo é sempre novo, e na fraqueza deste menino
há um silencioso motor, uma confidência e um sino.
Nasce a cada Dezembro e nasce de mil jeitos.
Temos de pesquisá-lo até na gruta de nossos defeitos.
[...]
Excerto do poema "Vi nascer um Deus" de Carlos Drummond de Andrade .
terça-feira, dezembro 23, 2008
Natal
terça-feira, dezembro 16, 2008
Ponte de Lima na History of the Peninsular War, de Robert Southey
Mais um contributo para os interessados em aprofundar o tema que temos vindo a tratar nos últimos dias: trata-se de mais uma publicação onde se refere Ponte de Lima a propósito da resistência à presença do exército sob comando francês, desta feita do poeta britânico Robert Southey (1774-1843). Deixamos a ligação ao texto integral e reproduzimos a página com a menção à vila de Ponte de Lima.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Ponte de Lima na History of the War in the Peninsula and in the South of France, de William Francis Patrick Napier
Na sequência do post anterior, hoje deixamos a ligação para a versão disponível no Google Books do livro de William Francis Napier (1785-1860), que relata os acontecimentos militares da Guerra Peninsular. William Napier, general britânico, serviu na referida Guerra e a sua História da Guerra na Península e no Sul da França, obra composta por seis volumes, publicados entre 1828 e 1840, continua a ser uma importante fonte de informação para o conhecimento do conflito. No excerto, que sublinhamos, é possível ler, numa tradução livre, que as tropas marcharam em direcção a Ponte de Lima, tendo os Portugueses resistido vigorosamente à sua passagem.
[Na imagem: Busto de Sir William Francis Patrick Napier, por George Gammon Adams (1821-1898), 1855.]
Após a leitura da mensagem "A pensar em 2009", Carlos Gomes alertou-nos para uma outra efeméride que terá lugar no próximo ano: "passam precisamente 150 anos sobre a data de nascimento do poeta António Feijó", diz na sua mensagem. É justa a recordação desta figura da literatura e da diplomacia portuguesa, nascida em Ponte de Lima em 1859. Mais uma vez, interessa a comemoração como forma de tornar presente a acção, o pensamento e a escrita de António Feijó. Deixem que acentue o poeta: realize-se uma jornada de leitura de poesias, ditas por declamadores profissionais e anónimos, por crianças e jovens, com a presença de literatos e amantes da poesia. Não são necessários muitos recursos, basta encontrar os espaços apropriados e juntar as pessoas que nutrem prazer na leitura de poesia.segunda-feira, dezembro 08, 2008
A pensar em 2009
A sugestão vem inscrita num artigo, publicado na edição do presente ano da revista “O Anunciador das Feiras Novas”, da autoria de Porfírio Pereira da Silva (edição nº 25, 2ª série, pág. 65 a 67): recordar a resistência de Ponte de Lima, no contexto da Guerra Peninsular. Tratar-se-ia de lembrar a forte resistência das populações do Minho e Trás-os-Montes, e particularmente de Ponte de Lima, durante a tentativa de subjugação encetada pelos generais franceses sob comando de Soult. António Pedro Vicente, numa publicação recente, escreve que “tornou-se notável a [resistência] que teve lugar na vila de Ponte de Lima” (Guerra Peninsular, 1801-1814. Matosinhos: Quidnovi, 2007, pág. 67).
Perfilhamos que o segundo centenário da defesa de Ponte de Lima, que ocorrerá no ano que se avizinha, deva ser objecto de uma acção comemorativa. O acto comemorativo pode ter os mais diversos objectivos, configurações e concretizações. O autor citado alvitra levantar um padrão ou colocar uma lápide. Sendo uma proposta válida, prefiro pensar noutras formas de comemorar. Por exemplo, envolver, num conjunto de eventos formativos e culturais, as crianças e jovens de Ponte de Lima, estimulando o gosto pela história local, a reflexão sobre a Humanidade, a Guerra e as relações culturais (temas de extrema actualidade). Não se pretendendo apenas o culto dos heróis ou uma “festa à resistência”, mas uma reflexão sobre o mundo actual partindo da experiência passada. Sem maniqueísmos, mas procurando compreender as diferentes faces deste facto no contexto da realidade política, cultural e militar da época. Outra hipótese, que não anula a anterior: reunir, numa jornada, alguns estudiosos que se têm debruçado sobre as Invasões Francesas e promover a divulgação do conhecimento histórico produzido sobre este período. Outra ainda: recriar a resistência, aproveitando para, através do evento, recuperar a “memória histórica” e reescreve-la na “memória colectiva”.
Aqui ficam algumas sugestões que à semelhança do autor que nos inspirou, e fazendo uso da sua expressão, “vendemos ao desbarato”. Para terminar, um documento:
Perfilhamos que o segundo centenário da defesa de Ponte de Lima, que ocorrerá no ano que se avizinha, deva ser objecto de uma acção comemorativa. O acto comemorativo pode ter os mais diversos objectivos, configurações e concretizações. O autor citado alvitra levantar um padrão ou colocar uma lápide. Sendo uma proposta válida, prefiro pensar noutras formas de comemorar. Por exemplo, envolver, num conjunto de eventos formativos e culturais, as crianças e jovens de Ponte de Lima, estimulando o gosto pela história local, a reflexão sobre a Humanidade, a Guerra e as relações culturais (temas de extrema actualidade). Não se pretendendo apenas o culto dos heróis ou uma “festa à resistência”, mas uma reflexão sobre o mundo actual partindo da experiência passada. Sem maniqueísmos, mas procurando compreender as diferentes faces deste facto no contexto da realidade política, cultural e militar da época. Outra hipótese, que não anula a anterior: reunir, numa jornada, alguns estudiosos que se têm debruçado sobre as Invasões Francesas e promover a divulgação do conhecimento histórico produzido sobre este período. Outra ainda: recriar a resistência, aproveitando para, através do evento, recuperar a “memória histórica” e reescreve-la na “memória colectiva”.
Aqui ficam algumas sugestões que à semelhança do autor que nos inspirou, e fazendo uso da sua expressão, “vendemos ao desbarato”. Para terminar, um documento:

segunda-feira, novembro 17, 2008
Café, fumo e areal

Em 1913, o jornal Cardeal Saraiva publicava uma notícia insurgindo-se contra a torrefação de café em lugares públicos, na vila de Ponte de Lima. Era, segundo o articulista, abuso de alguns comerciantes que realizavam esse trabalho "á porta do seu estabelecimento, resultando isso grande incomodo aos moradores dos predios visinhos, porque num dado momento são esses predios invadidos por grossas nuvens de fumo". A solução para o problema é curiosa: faça-se essa tarefa no areal!(Cardeal Saraiva, 21.12.1913)
quarta-feira, outubro 22, 2008
segunda-feira, outubro 13, 2008

António Matos Reis, natural de Fornelos (Ponte de Lima), foi distinguido com o Prémio A. de Almeida Fernandes, instituído pela Fundação Mariana Seixas (Viseu), pelo seu trabalho "História dos Municípios (1050-1383)", editado pela Livros Horizonte. De acordo com a agência Lusa, o júri considerou o trabalho "notável pela clareza e segurança de análise, com um universo documental vasto e tratamento metodologicamente irrepreensível", tendo o autor prestado "um contributo muito significativo no estudo da organização municipal portuguesa". A obra é o resultado do seu doutoramento e vem na sequência de um trabalho rigoroso e consistente sobre os municípios portugueses. Na mesma editora é possível encontrar publicada a sua tese de mestrado: "Origens dos Municípios Portugueses" (1990, 2002). De acordo com a fonte citada, a cerimónia de entrega do prémio está marcada para 29 de Novembro, em Óbidos.
Tinhamos escrito, há um ano, aquando da primeira edição que a Festa das Colheitas/ArtColheitas, organizada na Gemieira, tinha "potencialidade para se tornar num evento marcante na agenda cultural do concelho". O programa do presente ano evidenciou esse crescimento augurado. Destacamos alguns aspectos positivos: a manutenção de um espaço expositivo decorado com elementos da terra, associados às colheitas, recorrendo a estruturas simples que acentuam a ruralidade; a presença, plenamente integrada no âmbito do evento, da "Agricultura Biológica", reveladora da vitalidade de um mundo rural que não se crer cristalizado nem (simplesmente) folclorizado; as preocupações de organização do trânsito e li
mpeza (casas de banho portáteis, contentores de lixo...). Algumas notas para o futuro, para que não se passem por "crises de crescimento": ordenar o espaço de forma a que os diferentes espaços expositivos estejam bem demarcadas; evitar transformar o evento numa "feira" idêntica a muitas outras (é necessário evidenciar a individualidade do evento); escolher os "vendedores" privilegiando aqueles que estão ligados à actividade agrícola; evitar o "império da cerveja". Para os que não tiveram oportunidade de visitar o ArtColheitas, notemos que é uma organização da Associação do Povo de Santiago de Gemieira, uma interessante iniciativa associativa local, assente num conjunto de parcerias que pode conhecer melhor no sítio http://www.artcolheitas.com/, de excelente qualidade gráfica.
Tinhamos escrito, há um ano, aquando da primeira edição que a Festa das Colheitas/ArtColheitas, organizada na Gemieira, tinha "potencialidade para se tornar num evento marcante na agenda cultural do concelho". O programa do presente ano evidenciou esse crescimento augurado. Destacamos alguns aspectos positivos: a manutenção de um espaço expositivo decorado com elementos da terra, associados às colheitas, recorrendo a estruturas simples que acentuam a ruralidade; a presença, plenamente integrada no âmbito do evento, da "Agricultura Biológica", reveladora da vitalidade de um mundo rural que não se crer cristalizado nem (simplesmente) folclorizado; as preocupações de organização do trânsito e liEstão abertas, até ao dia 30 de Outubro as incrições, para a edição de 2009 do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, cujo tema é "Artes no Jardim". Se quiser saber mais sobre o concurso deste evento que anualmente cria doze jardins efémeros, aceda ao sítio http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/.
domingo, setembro 28, 2008
"Samiguel" de Cabaços
O "Samiguel" de Cabaços funde, de forma harmoniosa, diversas dimensões do acto festivo. Se, por um lado, dá continuidade a um dos cultos cristãos mais antigos e populares (o culto ao arcanjo S. Miguel), por outro lado remete-nos para a transição do século XIX para o século XX, através dos trajes que a maior parte dos participantes enverga. Festa com um fundo sagrado, claramente cristã, o "Samiguel" de Cabaços actualiza, todos os anos, o mote dos cestos (a sua exposição decorre até ao próximo dia 5 de Outubro). Este ano a temática centra-se na figura de S. Paulo e no "Ano Paulino". Sem música gravada, as amplificações sonoras servem o leilão. As concertinas têm lugar garantido. Não há "cachorros", "farturas" e patrocínio de cervejeiras. À venda encontram-se (apenas) os produtos da terra. O adro da Igreja é engalanado com "os frutos novos". Há alegria, mas contida. Não há excessos. A população parece empenhada num esforço comum. Este ano divisamos mais visitantes e o trânsito mais complicado. O desafio para os organizadores será manter a "originalidade"; manter, como afirmam no prospecto do anúncio, "uma festa diferente das outras!".
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