domingo, setembro 21, 2008

A noite de todos os cantos

Sem comentários...

Alex, comentando o nosso post de 8 de Setembro, chama a atenção para o facto de "na primeira foto o sinal de trânsito apenas proíbe[ir] acampamentos e caravanas, não proíbe auto-caravanas, que tem um estatuto completamente diferente". Agradeço o seu comentário. Na verdade, para além do respeito ou desrespeito das questões formais na realização da sinaléctica, o rodapé da placa é claro pois tem inscrito "autocaravanas" (veja-se a foto). Note-se que não tenho qualquer objecção a este tipo de actividade, desde que cumpridora dos regulamentos e do seu estatuto. Pretendia, isso sim, alertar para a poluição visual criada pelo estacionamento desregrado no areal. A paisagem natural, o Rio, o visitante e o habitante da vila merecem este cuidado.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Feiras Novas 1908-2008

[Ponte de Lima, 16 e 17 de Setembro de 2008]

"O entusiasmo na vila com os preparativos para as atraentes festas á Virgem das Dores, manifesta-se desde ha dias, o que traz para os seus promotores tambem grande regosijo por verem que tudo corre ás mil maravilhas. Oxalá o tempo não apareça por ahi a fazer alguma pirraça..." [Echo do Lima, 17 de Setembro de 1908]

quarta-feira, setembro 10, 2008

Os Limianos na Grande Guerra: uma leitura.

No decurso de uma entrevista, Georges Duby (1919-1996), eminente historiador francês, responde à interpelação feita por Raymond Bellour sobre a ficção e as ligações entre história e romance: Há, sem dúvida, uma enorme diferença entre a história e o romance, na medida em que a ficção histórica está forçosamente ligada a algo que foi verdadeiramente vivido, mas, no fundo, a forma de abordagem não é muito diferente. O historiador conta uma história, uma história que ele forja recorrendo a um certo número de informações concretas.
Vem esta citação a propósito da leitura que fizemos do recente trabalho publicado por Luís Dantas, Os Limianos na Grande Guerra. Trata-se de uma edição de autor, que, primando por uma narrativa quase literária, nos remete para a história do primeiro conflito mundial, a guerra que todas as grandes nações europeias consideravam, à partida, que seria curta. A realidade, cruelmente, impôs uma duração longa; houve que refazer planos e o conflito ganhou contornos inauditos. A guerra de movimentos rapidamente deu lugar às trincheiras. Produziram-se mobilizações (de homens, recursos e economias) sem precedentes, apareceram novas armas e técnicas, entre as quais, a chamada “guerra psicológica” (entre outras iniciativas, a aviação americana lançou panfletos onde se questionava: “Ainda tens esperança numa vitória final? Estás disposto a sacrificar a tua vida por uma causa sem esperança?”).
Luís Dantas traça um quadro deste momento da História, entrecruzando, as diferentes dimensões – o contexto internacional, a realidade portuguesa (que à época implica o espaço colonial) e o pulsar da guerra vivida pelos combatentes, particularmente os limianos. Como notou Marc Ferro, “a guerra vivida pelos combatentes tem a sua história que não é a grande História”. Luís Dantas consegue dar nota dessa “pequena história”, marcada pela esperança de um regresso breve, pelo quotidiano dramático nas trincheiras e a crescente consciência solidária entre combatentes. De igual modo, retrata o soldado comum. Não se limita a evidenciar o papel das chefias ou dos heróis de guerra. Tanto fala de Norton de Matos e da sua acção na preparação das tropas do CEP, como dos soldados (até hoje) anónimos. Os postais que publica são paradigmáticos: as dificuldades de escrita de Gaspar António de Lima (pág. 136) denunciam um país dominado por baixos índices de alfabetização. Abro parêntesis, para notar que alguns se deixam retratar junto de cenários que poderiam servir para o dia de comunhão ou para os noivos; fecho. Luis Dantas não redige uma mera apologia, mas não deixa de vincar o heroísmo destes homens. É nomeando e retratando os soldados limianos que os (re)coloca na memória colectiva. A partir deste trabalho, deixa de haver “antigos combatentes limianos”, colectivo anónimo puramente comemorativo.
Ao ler as páginas de Os Limianos na Grande Guerra, perpassa a imagem de um país imerso em grandes dificuldades. Norton de Matos teve-as na preparação das tropas e na obtenção de armamento; os soldados na frente de batalha sentiam a falta de reservas e a inadaptação a um novo estilo de guerra (veja-se a reacção à comida inglesa, ao corned beef e à marmelada de casca de laranja azeda); a fome alastra no país. A República treme. O “Milagre de Tancos” deu lugar ao “Fado do Cavanço” e este culminou com uma Europa exaurida e com a insubordinação das tropas na linha da frente. A Batalha de La Lys representou o fim da guerra para os Portugueses.
A narrativa de Luís Dantas segue uma linha cronológica clássica, remetendo, ainda que implicitamente, para a teoria historiográfica tradicional que justifica a nossa intervenção na Primeira Guerra Mundial pela necessidade de proteger o espaço colonial. Num segundo momento, dá nota das dificuldades da Primeira República e, dessa forma, aproxima-se da linha de investigação que vê na legitimação do poder republicano a razão para entrar na guerra. Sem preocupações de exaustividade, lavra um texto de leitura agradável. Também aqui parece cumprir as palavras do historiador francês, na entrevista supracitada: “o historiador sempre escreveu por prazer e para dar prazer aos outros”. Sem cair no narrativismo, nem numa história recitativa, Luís Dantas, quer neste livro quer na sua restante e extensa produção, suscita-nos a reflexão (eternamente emergente e não resolvida) sobre a escrita histórica e a escrita literária. Paul Ricouer admite que não existe ficção pura, nem História tão rigorosa que se abstenha de todo o procedimento romanesco. Talvez Luís Dantas seja a prova disso.
Como historiador, Luís Dantas cumpre o aparato necessário à crítica e validação do conhecimento. Há referência em nota à bibliografia, menciona os arquivos consultados, refere todos aqueles que contribuíram para o resultado final. O livro destaca-se ainda por coligir um conjunto de imagens relevantes. Algumas, verdadeiros ícones (como as de Joshua Benoliel e Arnaldo Garcez), merecem do autor uma análise aguda (veja-se a leitura feita à fotografia de Garcez, na pág. 18 e 19), revelando a potencialidade da iconografia como documento histórico (algumas fotografias mereciam um tamanho maior!). O leitor percebe que o material reunido foi criticamente analisado e que houve uma utilização cuidada das fontes literárias (a tentação habitual é cair no impressionismo).
Cabe a Luis Dantas o mérito de abrir uma porta; outros investigadores colocarão sobre o mesmo objecto outras questões, “na plena consciência de que jamais chegaremos a uma verdade objectiva” (Georges Duby).

A entrevista que citamos pode ser lida em George DUBY, Philippe ARIÈS, Jacques Le GOFF e E. Leroy LA DURIE - História e Nova História. Lisboa: Editorial Teorema, 1989. Sobre a Primeira Guerra Mundial veja-se Marc FERRO - La Grande Guerre. 1914-1918. Paris: Éditions Gallimard, 1990. Georges Duby fala em primeira pessoa, entre outros assuntos, das opções que tomou quanto à escrita em A História Continua, editado pela ASA, em 1992. É particularmente interessante a sua justificação quanto ao trabalho Guilherme, o Marechal.

segunda-feira, setembro 08, 2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

O Anunciador das Feiras Novas em tons de prata

[Capa da vigésima quinta edição, da segunda série, de "O Anunciador das Feiras Novas"]

segunda-feira, agosto 25, 2008

sábado, agosto 02, 2008

O domingo passado foi dia cheio, para as festas e arraiaes campestres. Festejou-se a Senhora da Boa-Morte, na freguezia de Correlhã, o Senhor da Cana Verde em Moreira, e houve a festa do Senhor, na de Sta. Comba. A concorrencia dos romeiros foi diminuta em todas ellas, attendendo ao calor do dia, e a não poderem estar em todas ao mesmo tempo. No domingo proximo festeja-se o Senhor da Saude, na freguezia de Sá, havendo na vespera, illuminação, muzica e fogo de artificio. É de presumir que a concorrencia seja maior, pela devoção que todos teem com imagem tão milagrosa. [O Lethes, 1865]

Por estes dias, entramos em contacto com a equipa responsável pelo jardim "Le Feu et 300 Arbres" (O Fogo e 300 Árvores), concebido por Sylvian Morin e Aurélien Zoia, arquitectos paisagistas, para o 4º Festival Internacional de Jardins. Fazer do fogo o tema central de um jardim tinha-nos suscitado alguma perplexidade.

Sylvian Morin justificou a escolha: uma viagem a Portugal deixou uma imagem indelével - a de florestas a arder, fumo nas montanhas e o característico odor a madeira queimada.

J'ai voyagé au Portugal il y a 2 ans, pendant l'été, et j'ai été marqué par l'importance des incendies et des feux de forêts dans votre pays. La fumée était présente dans les montagnes, visuellement, autant que par l'odeur. Aussi, nous avons souhaité consacrer un jardin spécial sur les arbres brûlés.

Perguntamos: se não é uma apologia do fogo, o jardim pode ser uma referência à Fénix que renasce das chamas?
Il s'agit pour nous de faire entrer un morceau de paysage caractéristique à l'intérieur d'un jardin. L'idée était tant de montrer l'espoir de faire renaître un paysage qui se transforme, que, dans la deuxième partie du jardin, suggérer que le feu est toujours présent, que le paysage des forêt est fragile, et que votre pays n'est pas à l'abri des incendies. Les arbres brûlés gardent la mémoire du feu sur leur tronc. Il était question pour nous, en tant que paysagistes, de rappeler aux gens la présence des incendies, à travers l'image d'un jardin.

Para os dois membros do Atelier ALTERN, trata-se de integrar um pedaço de paisagem característica no interior do jardim. De uma paisagem que renasce. Se o jardim revela a fragilidade da floresta, mostra, igualmente, a capacidade regeneradora das árvores. Como afirma Sylvian Morin, as árvores queimadas guardam a memória do fogo no seu tronco.

O jardim tem a virtude de questionar o visitante. Para além da riqueza cenográfica (que talvez tenha estado na origem da escolha deste trabalho para capa do catálogo do Festival), o jardim suscita a pergunta. Se nos parece próximo - por remeter para uma das imagens e um dos flagelos nacionais - é (aparentemente) inusitado - por tomar como tema o fogo, elemento destruidor. Este é um trabalho original, onde o lúdico (que impera noutros jardins) deu lugar à pergunta.

Aurélien ZOIA et Sylvian MORIN são dois jovens arquitectos paisagistas instalados na França e criadores do ATELIER ALTERN. O seu trabalho pode ser visto em http://www.atelieraltern.com/.

Mais um excerto de BIBLIOGRAPHIA HISTORICA PORTUGUEZA ou catalogo methodico dos auctores portuguezes, e de alguns estrangeiros domiciliarios em Portugal, que trataram da historia politica ... [obras até 1840], de Figanière (Jorge Cesar), Lisboa, 1850.

sábado, julho 26, 2008

Horseball em Ponte de Lima

A partir de amanhã, Ponte de Lima recebe um conjunto de competições internacionais de Horseball. Para os interessados deixamos o calendário de jogos e uma página nacional e outra internacional, onde pode encontrar, entre outra informação, a história (recente) deste jogo.

domingo, julho 20, 2008

Ponte de Lima no Roteiro do Viajante_1865

Excerto de Roteiro do Viajante no Continente e nos Caminhos de Ferro de Portugal em 1865, de João António Peres Abreu (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1865).

segunda-feira, julho 14, 2008

D. Francisco de S. Luiz

Excerto de BIBLIOGRAPHIA HISTORICA PORTUGUEZA ou catalogo methodico dos auctores portuguezes, e de alguns estrangeiros domiciliarios em Portugal, que trataram da historia politica ... [obras até 1840], de Figanière (Jorge Cesar), Lisboa, 1850.

segunda-feira, junho 30, 2008

Ponte de Lima na Tree Parade 2008

À semelhança do ano transacto, a Tree Parade 2008 conta com a participação de Escolas de Ponte de Lima. A imagem reporta um dos contributos da Escola EB 2,3/S Arcozelo. Segundo a lista da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, participaram, do distrito de Viana do Castelo, as seguintes escolas: Ancorensis Cooperativa de Ensino (Caminha), Centro Escolar de Vitorino de Piães (com uma árvore) e a referida escola de Arcozelo (com duas árvores). A exposição esteve patente em Lisboa e Porto, durante os meses de Maio e Junho, estando presentemente em Coimbra (Parque Verde do Mondego). A partir do dia 12 de Julho, Évora será anfitriã deste trabalho de sensibilização.

sexta-feira, junho 27, 2008

segunda-feira, junho 16, 2008

Rua General Norton de Matos, Arcos de Valdevez

Em Setembro de 1919, na véspera de uma visita do General Norton de Matos à vila dos Arcos de Valdevez, a Câmara, sob proposta do seu Presidente, José Manuel Pereira, decidiu atribuir a uma das ruas do centro o nome do ilustre militar nascido em Ponte de Lima. Para o proponente, o "acendrado patriotismo" de Norton de Matos justificavam aquela decisão, aceite unanimemente.
[Cf. Acta camarária de 27 de Setembro de 1919. Na fotografia: aspectos da referida rua nos Arcos de Valdevez]

segunda-feira, junho 09, 2008

Notas sobre a verdade em História (IV)

A verdade em história é parcial. Não há absoluto. Nunca poderemos saber tudo. Essa era, em boa medida, a ilusão positivista – acreditar que a história era o somatório dos factos verificados e que estes eram a verdade. A história é interrogação. O presente interpela o passado; o passado permite-me conhecer o presente. Mais do que conhecer factos interessa compreendê-los. A história é compreensão, interpretação, logo não há lugar para o panegírico e para o panfleto.

domingo, junho 01, 2008

Notas sobre a verdade em História (III)

A verdade em História não está incrustada em qualquer rocha, aguardando que alguém se decida a lascar o bloco. O trabalho do historiador é semelhante ao de um artífice: embora trabalhando com os mesmos instrumentos e materiais (com os mesmos documentos e factos, no caso dos historiadores) dois artífices produzem objectos diferentes (um conhecimento histórico distinto). Como notou Marrou a verdade em história é dupla, “feita, por sua vez, de verdade sobre o passado e de testemunho sobre o historiador”. Usando ainda as palavras de H.-I. Marrou: “A história, conhecimento do homem pelo homem, é uma apreensão do passado por e num pensamento humano, vivo, comprometido: é um complexo, um misto indissolúvel de sujeito e objecto”.

[continua]

terça-feira, maio 27, 2008

Notas sobre a verdade em História (II)


A história é sempre escolha. Como notou Christopher Blake há, nos usos quotidianos da palavra “objectivo”, “uma tendência inegável" para a usar "como um encómio: qualquer jornal é geralmente – para o seu dono – mais objectivo do que o do vizinho”. Acontece que quando afirmamos que os factos são “objectivos”, “que eles falam por si”, estamos a incorrer no erro. Como escreveu Carr, “os factos só falam quando o historiador chama a atenção para eles”. Crer que os factos por mim coligidos são um corpo puro e sólido, objectivo e independente do acto e da vontade do recolector é um engano. A verdade em história não se faz pela afirmação de que reunimos um corpo de factos inquestionável. Em história é maior o trabalho daquele que nega uma mole de factos banais para evidenciar um facto significativo.

[continua]

segunda-feira, maio 26, 2008

Notas sobre a verdade em História (I)


R. Collingwood, num texto clássico do pensamento sobre a História, afirma que há uma espécie de história, que é “construída com base na extracção e combinação dos testemunhos de diversas fontes” e que designa por “história de cola e tesoura”. Esta forma de história vive a ilusão de aceder a um conhecimento cem por cento objectivo, onde o papel do historiador é silenciado. As fontes têm a verdade inscrita, salvo se se verificar que estamos perante uma falsificação. A verdade resultaria, assim, do somatório dos factos organizados numa narrativa homogénea e convincente. Esta história esquece que as fontes não conservam a verdade. Desde logo, os caprichos da vida natural e humana fizeram com que tenham “desaparecido” muitos eventos históricos. Com efeito, o que nos foi legado é, desde logo, uma selecção produzida pela própria história da Humanidade. Os contemporâneos dos eventos foram os primeiros a seleccionar. Se o critério para a verdade é o da objectividade, então convém dizer que há muita subjectividade no trabalho do historiador (como no de qualquer outro cientista).

[continua]

domingo, maio 18, 2008

Arquitectura em Ponte de Lima (XI)

Destacamos a última edição da revista Arquitectura Ibérica que, para além do novo grafismo, do novo logótipo e da alteração de formato, é dedicada a João Álvaro Rocha, arquitecto responsável pelo projecto da Casa do Turismo. Alguns esboços, fotografias interessantes e a reprodução de parte da memória descritiva daquele projecto compõem as páginas reservadas à Casa do Turismo. A compreensão de qualquer projecto implica sempre ouvir o seu autor. João Álvaro Rocha fala de um corpo (o corpo superior) que mais não é que "uma simples janela sobre a vila e sobre o rio" (pág. 110). Uma abertura para o rio, diriamos nós, mais não é do que o cumprimento de um desígnio histórico da vila - a manutenção de uma relação estreita com o curso de água que lhe dá nome.

sábado, maio 10, 2008

Vaca das Cordas

Notícia publicada no jornal A Aurora do Lima, em 19 de Maio de 1972, assinada por A.C.S [Augusto de Castro e Sousa]. Fotomontagem usando desenho de Araújo Soares. A edição da Vaca das Cordas 2008 terá lugar no dia 21 de Maio, estando patente na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, uma exposição sobre este evento, que inclui, entre outro material documental, os cartazes que o anunciaram ao longo dos últimos anos e um considerável conjunto de fotografias, algumas de particular interesse.

quinta-feira, maio 01, 2008

Cardeal Saraiva no primeiro Serão de História Local

No próximo dia 9 de Maio, o auditório da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima acolherá o Professor Doutor Luis António Oliveira Ramos, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um dos especialistas nacionais em História Moderna e Contemporânea, com uma extensa bibliografia (se a quiser conhecer carregue aqui) dedicada, particularmente ao Iluminismo e ao Liberalismo. Inaugurará os serões de História Local, interessante iniciativa promovida pelo Pelouro da Cultura do Município, com uma intervenção sobre Frei Francisco de S. Luís Saraiva (veja uma nota biográfica disponível no sítio do Centro de Estudos do Pensamento Político, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa). Deixo aqui duas ligações a artigos, disponíveis na rede, escritos pelo professor Oliveira Ramos: Cardeal Saraiva e o ensino da matemática e os beneditinos e a cultura, com referências ao cardeal limiano. Para os interessados na obra desta ilustre figura, nascida em Ponte de Lima na segunda metade do séc. XVIII, aqui fica o acesso à versão digitalizada da "Memoria em que se pretende mostrar, que a lingua portugueza não he filha da latina, nem esta foi em tempo algum a lingua vulgar dos lusitanos ", publicada em 1837. Por fim, e proveniente da mesma base (Biblioteca Nacional Digital), uma litografia com o retrato do Cardeal, de 1866.

quinta-feira, abril 24, 2008

Esta é a madrugada que eu esperava

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, abril 23, 2008

Palavra de Cícero

Se tiveres uma biblioteca como um jardim, tens tudo.
Se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará.

domingo, abril 13, 2008

sei ler as pedras

sei ler as pedras

o alfabeto que nelas esculpiu o vento
no vagar propício do tempo

as rugas sobrepostas da memória
sob o musgo

sei das pedras o nome e a grafia
lenta e quente

a sede que tiveram
antes que os rios
as beijassem

Cláudio Lima, Itinerarium II
[fotomontagem: jcml, a partir de imagem das pedras da ponte medieval]

quinta-feira, abril 10, 2008

Anúncios de Ponte de Lima (XII)

[Memória de um estabelecimento e de uma marca, a partir da reprodução de um reclamo com menção à filial da Singer, em Ponte de Lima, e de duas imagens do ícone da indústria moderna]

quarta-feira, abril 02, 2008

Santo Ovídio

Em Agosto de 1972, o jornal "A Aurora do Lima" noticiava a possibilidade de subir ao Monte de Santo Ovídio de automóvel. Reproduzimos as últimas linhas: "Em futuros anos, temos por certo, será visitado em grande escala por turistas nacionais e estrangeiros, pois deverá fazer parte de um cartaz. As autoridades religiosas e civis estão todas em darem à festa anual e ao local todas as possibilidades de desenvolvimento. Vale pois, a pena subir já ao alto de Santo Ovídio, em Ponte de Lima, cuja panorâmica é surpreendente!". Como se vê nem sempre o futuro é o que dele imaginamos. Hoje conceberíamos outras "possibilidades de desenvolvimento". Os cumes que envolvem a vila merecem outra atenção. Pelo menos, preserve-se a "mancha verde".
[reprodução do "A Aurora do Lima", 18.08.1972]

domingo, março 30, 2008

Rio Lima

[...]
Mais o rio e mais a bruma,
mais a ponte, a torre, o sino,
e em cada remada brava
um rasto branco de espuma
no barquinho pequenino
que nos meus olhos passava
sem ir a nenhum destino...

Fernando Garcia, excerto do poema Barcarola do Lima.

terça-feira, março 25, 2008

Elena Fons

José Sousa Vieira publicou no seu blogue (limianismo.blogspot.com) - que acompanhamos com agrado, reconhecendo qualidade, originalidade e rigor no teor dos seus posts -, uma referência à passagem de Elena Fons por Ponte de Lima, no ano de 1913 (veja-se o post de 17 de Março de 2008). Nos nossos registos de pesquisa temos uma outra referência à presença de Elena Fons em Ponte de Lima, que partilhamos, em jeito de complemento: o jornal Rio Lima anunciava, na edição de 29 de Maio de 1927, que se encontrava aberta assinatura na Casa Singer, na Praça de Camões, para assistir à actuação daquela cantora lírica com a Companhia de Opera Italo-Hespanhola. Prometia-se a execução de excertos da Aida, Carmen e Cavalaria Rusticana. O artigo refere a presença de Miguel Artelli, Carmen Guitart e José Villela.
Segundo a publicação La Ilustracion Española y Americana (15 de Março de 1897, nº X, pág. 165), Elena Fons iniciou a sua formação musical em Sevilha, com dez anos. O Ayuntamiento de Sevilha concedeu-lhe uma pensão de 3 mil pesetas anuais, que, mais tarde, reforçou para que a cantora pudesse deslocar-se à Itália. Segundo a mesma revista, Elena Fons "fué muy aplaudida en los principales teatros, Dal-Verme, de Milan; Rossini, de Venecia, y Comunale, de Trieste". A eminente cantora lírica, até 1897, data de publicação da revista, tinha actuado com êxito no Teatro Real de Madrid, no Teatro de S. Fernando de Sevilha, na cidade de Oviedo e de Gijón.
Note-se, por fim, que a "Troupe Elena Fons" actuou, em Maio de 1913, no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo.

terça-feira, março 18, 2008

Sebastião Sanhudo, à procura de assunto...(2)

[Montagem a partir da auto-caricatura, de 1879,
e da caricatura O Assumpto, de 1878, publicada n' O Sorvete]

sexta-feira, março 14, 2008

Sebastião Sanhudo, à procura de assunto...

[Montagem a partir da auto-caricatura de 1879 e da caricatura O Assumpto, de 1878, publicada n' O Sorvete]

faces da revista