A verdade em história é parcial. Não há absoluto. Nunca poderemos saber tudo. Essa era, em boa medida, a ilusão positivista – acreditar que a história era o somatório dos factos verificados e que estes eram a verdade. A história é interrogação. O presente interpela o passado; o passado permite-me conhecer o presente. Mais do que conhecer factos interessa compreendê-los. A história é compreensão, interpretação, logo não há lugar para o panegírico e para o panfleto.segunda-feira, junho 09, 2008
Notas sobre a verdade em História (IV)
A verdade em história é parcial. Não há absoluto. Nunca poderemos saber tudo. Essa era, em boa medida, a ilusão positivista – acreditar que a história era o somatório dos factos verificados e que estes eram a verdade. A história é interrogação. O presente interpela o passado; o passado permite-me conhecer o presente. Mais do que conhecer factos interessa compreendê-los. A história é compreensão, interpretação, logo não há lugar para o panegírico e para o panfleto.domingo, junho 01, 2008
Notas sobre a verdade em História (III)
A verdade em História não está incrustada em qualquer rocha, aguardando que alguém se decida a lascar o bloco. O trabalho do historiador é semelhante ao de um artífice: embora trabalhando com os mesmos instrumentos e materiais (com os mesmos documentos e factos, no caso dos historiadores) dois artífices produzem objectos diferentes (um conhecimento histórico distinto). Como notou Marrou a verdade em história é dupla, “feita, por sua vez, de verdade sobre o passado e de testemunho sobre o historiador”. Usando ainda as palavras de H.-I. Marrou: “A história, conhecimento do homem pelo homem, é uma apreensão do passado por e num pensamento humano, vivo, comprometido: é um complexo, um misto indissolúvel de sujeito e objecto”.[continua]
terça-feira, maio 27, 2008
Notas sobre a verdade em História (II)

A história é sempre escolha. Como notou Christopher Blake há, nos usos quotidianos da palavra “objectivo”, “uma tendência inegável" para a usar "como um encómio: qualquer jornal é geralmente – para o seu dono – mais objectivo do que o do vizinho”. Acontece que quando afirmamos que os factos são “objectivos”, “que eles falam por si”, estamos a incorrer no erro. Como escreveu Carr, “os factos só falam quando o historiador chama a atenção para eles”. Crer que os factos por mim coligidos são um corpo puro e sólido, objectivo e independente do acto e da vontade do recolector é um engano. A verdade em história não se faz pela afirmação de que reunimos um corpo de factos inquestionável. Em história é maior o trabalho daquele que nega uma mole de factos banais para evidenciar um facto significativo.
[continua]
segunda-feira, maio 26, 2008
Notas sobre a verdade em História (I)

R. Collingwood, num texto clássico do pensamento sobre a História, afirma que há uma espécie de história, que é “construída com base na extracção e combinação dos testemunhos de diversas fontes” e que designa por “história de cola e tesoura”. Esta forma de história vive a ilusão de aceder a um conhecimento cem por cento objectivo, onde o papel do historiador é silenciado. As fontes têm a verdade inscrita, salvo se se verificar que estamos perante uma falsificação. A verdade resultaria, assim, do somatório dos factos organizados numa narrativa homogénea e convincente. Esta história esquece que as fontes não conservam a verdade. Desde logo, os caprichos da vida natural e humana fizeram com que tenham “desaparecido” muitos eventos históricos. Com efeito, o que nos foi legado é, desde logo, uma selecção produzida pela própria história da Humanidade. Os contemporâneos dos eventos foram os primeiros a seleccionar. Se o critério para a verdade é o da objectividade, então convém dizer que há muita subjectividade no trabalho do historiador (como no de qualquer outro cientista).
[continua]
domingo, maio 18, 2008
Arquitectura em Ponte de Lima (XI)
Destacamos a última edição da revista Arquitectura Ibérica que, para além do novo grafismo, do novo logótipo e da alteração de formato, é dedicada a João Álvaro Rocha, arquitecto responsável pelo projecto da Casa do Turismo. Alguns esboços, fotografias interessantes e a reprodução de parte da memória descritiva daquele projecto compõem as páginas reservadas à Casa do Turismo. A compreensão de qualquer projecto implica sempre ouvir o seu autor. João Álvaro Rocha fala de um corpo (o corpo superior) que mais não é que "uma simples janela sobre a vila e sobre o rio" (pág. 110). Uma abertura para o rio, diriamos nós, mais não é do que o cumprimento de um desígnio histórico da vila - a manutenção de uma relação estreita com o curso de água que lhe dá nome. sábado, maio 10, 2008
Vaca das Cordas
quinta-feira, maio 01, 2008
Cardeal Saraiva no primeiro Serão de História Local
No próximo dia 9 de Maio, o auditório da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima acolherá o Professor Doutor Luis António Oliveira Ramos, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um dos especialistas nacionais em História Moderna e Contemporânea, com uma extensa bibliografia (se a quiser conhecer carregue aqui) dedicada, particularmente ao Iluminismo e ao Liberalismo. Inaugurará os serões de História Local, interessante iniciativa promovida pelo Pelouro da Cultura do Município, com uma intervenção sobre Frei Francisco de S. Luís Saraiva (veja uma nota biográfica disponível no sítio do Centro de Estudos do Pensamento Político, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa). Deixo aqui duas ligações a artigos, disponíveis na rede, escritos pelo professor Oliveira Ramos: Cardeal Saraiva e o ensino da matemática e os beneditinos e a cultura, com referências ao cardeal limiano. Para os interessados na obra desta ilustre figura, nascida em Ponte de Lima na segunda metade do séc. XVIII, aqui fica o acesso à versão digitalizada da "Memoria em que se pretende mostrar, que a lingua portugueza não he filha da latina, nem esta foi em tempo algum a lingua vulgar dos lusitanos ", publicada em 1837. Por fim, e proveniente da mesma base (Biblioteca Nacional Digital), uma litografia com o retrato do Cardeal, de 1866.
quinta-feira, abril 24, 2008
Esta é a madrugada que eu esperava
quarta-feira, abril 23, 2008
Palavra de Cícero
domingo, abril 13, 2008
sei ler as pedras
o alfabeto que nelas esculpiu o vento
no vagar propício do tempo
as rugas sobrepostas da memória
sob o musgo
sei das pedras o nome e a grafia
lenta e quente
a sede que tiveram
antes que os rios
as beijassem
Cláudio Lima, Itinerarium II
[fotomontagem: jcml, a partir de imagem das pedras da ponte medieval]
quinta-feira, abril 10, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
Santo Ovídio
[reprodução do "A Aurora do Lima", 18.08.1972]
domingo, março 30, 2008
terça-feira, março 25, 2008
Elena Fons
José Sousa Vieira publicou no seu blogue (limianismo.blogspot.com) - que acompanhamos com agrado, reconhecendo qualidade, originalidade e rigor no teor dos seus posts -, uma referência à passagem de Elena Fons por Ponte de Lima, no ano de 1913 (veja-se o post de 17 de Março de 2008). Nos nossos registos de pesquisa temos uma outra referência à presença de Elena Fons em Ponte de Lima, que partilhamos, em jeito de complemento: o jornal Rio Lima anunciava, na edição de 29 de Maio de 1927, que se encontrava aberta assinatura na Casa Singer, na Praça de Camões, para assistir à actuação daquela cantora lírica com a Companhia de Opera Italo-Hespanhola. Prometia-se a execução de excertos da Aida, Carmen e Cavalaria Rusticana. O artigo refere a presença de Miguel Artelli, Carmen Guitart e José Villela.
Segundo a publicação La Ilustracion Española y Americana (15 de Março de 1897, nº X, pág. 165), Elena Fons iniciou a sua formação musical em Sevilha, com dez anos. O Ayuntamiento de Sevilha concedeu-lhe uma pensão de 3 mil pesetas anuais, que, mais tarde, reforçou para que a cantora pudesse deslocar-se à Itália. Segundo a mesma revista, Elena Fons "fué muy aplaudida en los principales teatros, Dal-Verme, de Milan; Rossini, de Venecia, y Comunale, de Trieste". A eminente cantora lírica, até 1897, data de publicação da revista, tinha actuado com êxito no Teatro Real de Madrid, no Teatro de S. Fernando de Sevilha, na cidade de Oviedo e de Gijón.
Note-se, por fim, que a "Troupe Elena Fons" actuou, em Maio de 1913, no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo.
terça-feira, março 18, 2008
Sebastião Sanhudo, à procura de assunto...(2)
e da caricatura O Assumpto, de 1878, publicada n' O Sorvete]
sexta-feira, março 14, 2008
domingo, março 09, 2008
O dia em que "O Amigo de Peniche" não esteve no Teatro Diogo Bernardes_1922

O espectáculo esteve anunciado para o mês de Maio. Segundo os jornais locais, a comédia, em três actos, intitulada "O Amigo de Peniche" seria apresentada pela Companhia de Cremilda-Chaby no dia 10 de Maio de 1922 (Cf. Cardeal Saraiva, 4 de Maio de 1922). Contudo, segundo a mesma imprensa, o espectáculo não teve lugar (Cf. Cardeal Saraiva, 11 de Maio de 1922). Aos frequentadores do Teatro restavam as películas. Por esses dias rompiam a escuridão da sala de espectáculos a fita, em episódios, nomeada "Por Amor". A sua projecção terá arrancado em Abril e terminado nos finais de Maio. Os últimos episódios foram projectados juntamente com "A Batalha de Jutlandia", de que já falamos em post anterior.
terça-feira, março 04, 2008
sábado, março 01, 2008
Arquitectura em Ponte de Lima (X)
A revista Cubo (nº 9, 23 de Fevereiro de 2008), que acompanha a edição de hoje (1 de Março) do semanário Sol, apresenta um artigo intitulado "Espírito conciliador", da autoria de Sandra Marques Gomes, que se refere ao conjunto de trabalhos executados pelo arquitecto José Guedes Cruz na vila de Ponte de Lima - Centro Náutico, Museu Rural, Mercado Municipal e Pousada de Juventude. Recomenda-se a leitura. Sendo certo que não é portadora de novidade, a reportagem revela o essencial do perfil do arquitecto e contribuirá para perceber a orientação teórica e conceptual do seu trabalho. Entretanto, em complemento, veja uma apresentação do trabalho do arquitecto José Guedes Cruz que "circula" no ciberespaço, que inclui imagens de Ponte de Lima.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
A saudade de um Rio

Que coração tão duro, seco e frio
Se poderá livrar do sentimento,
Vendo com vagaroso movimento
Fugir as claras águas deste rio?
[excerto de "A Saudade de um Rio", poema de Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), publicado no Cancioneiro do Rio Lima, colectânea organizada por António Manuel Couto Viana, edição da Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2001, pág. 116]
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Companhia Chaby Pinheiro no Teatro Diogo Bernardes_1926
Maio de 1926. O jornal Rio Lima (edição de 30 de Maio) anuncia a representação das comédias "O Amigo de Peniche " e "O Leão da Estrela", da autoria de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos, pela companhia dirigida por Chaby Pinheiro. A referida companhia tinha estado em Ponte de Lima alguns meses antes, em Dezembro de 1925, apresentando as peças "O Conde Barão" e "Cama, mesa e roupa lavada" (cf. Rio Lima, 29 de Novembro de 1925). quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Anúncios de Ponte de Lima (XI)
Publicado no número dois, da primeira série, d' "O Anunciador das Feiras Novas" (1948). Na montagem, para além da reprodução do reclamo, incluimos uma imagem de um dedal de correeiro. Anunciada para Junho, a Feira do Cavalo poderia constituir um momento para recuperar a memória deste comércio, através de uma exposição iconográfica e fotográfica.Devem os nossos visitantes ler o comentário produzido por André Rocha ao post de Novembro de 2006, intitulado Arquitectura em Ponte de Lima (IV). Aproveitamos para felicitar o seu autor pelo trabalho desenvolvido no seu blogue (que, há algum tempo, consta da lista de "vizinhos"), particularmente pela apresentação de pequenas anotações para melhorar a paisagem da vila, que consideramos pertinentes. Para terminar, apenas notar que também consideramos que a modernidade não é incompatível com a vetusta vila e que concordamos com a afirmação que faz: "Ponte de Lima tem arquitectura de qualidade capaz de entrar na rota do turismo do património moderno de arquitectura".
sábado, fevereiro 02, 2008
Um ano sem Carnaval nas ruas...
Corria o segundo Ministério de Domingos Pereira que, à semelhança de outros governos da Primeira República, durou apenas alguns meses (de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920). Tempos conturbados, aqueles meses terão motivado a frase, atribuída ao deputado António Maria da Silva, “O País tem estado a saque!”. Em Fevereiro, a imprensa local de Ponte de Lima, fazia eco da decisão ministerial de proibir “as exibições e folguedos carnavalescos nas ruas”. Segundo o jornal Cardeal Saraiva, a notificação, que teria chegado por telégrafo aos Governadores Civis, dava instruções “para que só sejam permitidos [festejos] nos teatros, associações de recreio e casas particulares”, “nas ruas só será permitido o transito a indivíduos sem mascaras e sem caracterização”. Tudo terá corrido sem animação, mesmo no Teatro Diogo Bernardes e na Assembleia Limarense.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Cruzar olhares
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Olhares cruzados
sábado, janeiro 12, 2008
Emmanuel Nunes estreia no S. Carlos com transmissão no Teatro Diogo Bernardes
Registe na agenda: no próximo dia 25 de Janeiro, estreia a primeira ópera de Emmanuel Nunes, no âmbito da temporada 2007/2008 do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), intitulada "Das Märchen". O libreto foi construído pelo compositor a partir da narrativa de Goethe "Conversas entre viajantes". A ópera será transmitida em directo para 14 cine-teatros portugueses, incluindo o Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima.
[imagem: fotomontagem de jcml a partir da fotografia de Guy Vivien e cartaz da ópera]
quinta-feira, janeiro 10, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
A pensar em 2008
Nos próximos dias encimará a coluna lateral deste blogue um excerto do poema "Eu podia escolher", de Toon Tellegen, poeta holandês, nascido em 1941. O tema da paz é, nesta época, recorrente... podemos mesmo afirmar que enfastia. Não lhe negamos urgência - seria cegueira imperdoável! -, mas vêmo-lo tão esquecido no quotidiano dos restantes dias do ano, que se torna verborreia. Também esta afirmação não é novidade! Quantos a fizeram e se deixaram levar pela mesma corrente? O que me atrai na frase de Tellegen é o encontro com a paz na ausência de qualquer ideia. E o facto de a paz ter sido uma escolha. Esta ausência de ideia remete-nos para um silêncio ensurdecedor: a redução da palavra paz à escrita dos postais de Natal e dos votos de Ano Novo. Quiçá guardemos, também, a palavra exclusivamente para tema de poema. Não há noticiário que abra com palavras de paz; primeira página que não venha ensanguentada; letras gordas que anunciem outra coisa senão a ameaça. Nos dias de hoje, falar de paz é algo estranho: os políticos, cada vez mais alheados do mundo, falam da paz como ausência da guerra (a mesma que acabaram de promover); os políticos, centrados no umbigo do poder, desconfiam daqueles que falam de injustiça social, acontece que não há paz sem justiça; os políticos, protegidos pelos vidros esfumados, passeiam ao lado desse inquietante mundo da pobreza (quem dá voz aos milhares de pobres portugueses que recentes dados estatísticos, que foram apenas tema de conversa por um dia, evidenciaram?). A paz não se constrói com meras e efémeras campanhas de caridade, diria caridadezinha. A muitos (diria a todos) homens não lhes interessa a esmola; mas a restituição da dignidade. A Paz. Os políticos e os detentores da riqueza não são um problema; mas não têm, muitas vezes, sido os portadores de soluções. Escrevia Voltaire: "(...) que as pequenas diferenças entre as roupas que cobrem o nosso corpo débil, entre todas as nossas línguas insuficientes, entre todos os nossos hábitos ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas (...) que todas essas pequenas diferenças que distinguem os átomos chamados homens não sejam sinais de ódio nem de perseguição...". Ouçamos Tellegen: "A verdade e a beleza/deixei-as ir". A capacidade de duvidar, de aceitar que a palavra verdade é plural (sem cair no estupor do relativismo), de abandonar velhas arquitecturas e entregarmo-nos ao pensamento, conduzirão a Humanidade a outro caminho. Contudo, para que esse justo propósito se concretize, é preciso escolher a paz.
(...)
Paz, era paz.E nos recônditos da minha alma
dançavam seres
de que nunca tinha sequer ouvido!
E no céu pendia um outro sol.
(Toon Tellegen)
Por estes dias, chegou a nossas mãos o mais recente livro de José Ernesto Costa. Fala-nos de uma árvore - Ginkgo biloba -, a árvore da amizade. O autor limiano contabilizou 56 exemplares desta árvore em Ponte de Lima. Promover a paz também se faz pela partilha do símbolo. Plantem-se mais árvores e divulgue-se o seu simbolismo... é uma migalha necessária à educação para a paz. segunda-feira, dezembro 24, 2007
Presépio, poema de Pedro Homem de Mello
domingo, dezembro 23, 2007
Natal, e não Dezembro_poema de David Mourão-Ferreira
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoda.
David Mourão-Ferreira - Cancioneiro de Natal. Lisboa: Edições Rolim, 1986.
[ilustração: jcml]
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