
R. Collingwood, num texto clássico do pensamento sobre a História, afirma que há uma espécie de história, que é “construída com base na extracção e combinação dos testemunhos de diversas fontes” e que designa por “história de cola e tesoura”. Esta forma de história vive a ilusão de aceder a um conhecimento cem por cento objectivo, onde o papel do historiador é silenciado. As fontes têm a verdade inscrita, salvo se se verificar que estamos perante uma falsificação. A verdade resultaria, assim, do somatório dos factos organizados numa narrativa homogénea e convincente. Esta história esquece que as fontes não conservam a verdade. Desde logo, os caprichos da vida natural e humana fizeram com que tenham “desaparecido” muitos eventos históricos. Com efeito, o que nos foi legado é, desde logo, uma selecção produzida pela própria história da Humanidade. Os contemporâneos dos eventos foram os primeiros a seleccionar. Se o critério para a verdade é o da objectividade, então convém dizer que há muita subjectividade no trabalho do historiador (como no de qualquer outro cientista).
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