quarta-feira, agosto 29, 2007

Festival de Jardins_2007

Veja o Festival Internacional de Jardins (edição 2007) no portal de arquitectura e urbanismo brasileiro Vitruvius.

sábado, agosto 25, 2007

sexta-feira, agosto 24, 2007

Siglas em Ponte de Lima (II)

[Localização: muro da Avenida dos Plátanos]

quarta-feira, agosto 22, 2007

Siglas em Ponte de Lima (I)

[Localização da sigla cruciforme: muro da Avenida dos Plátanos]

terça-feira, agosto 21, 2007

Anunciador das Feiras Novas_2007

[Capa d' O Anunciador das Feiras Novas, brevemente em distribuição]

Caricaturistas de Ponte de Lima

O investigador e historiador de banda desenhada Leonardo de Sá teve a amabilidade de comentar o nosso post sobre Sanhudo, Mâncio e Laerte, remetendo-nos para o "Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal", que escreveu com António Dias de Deus (Edições Época de Ouro, Câmara Municipal da Amadora, 1999) e lembrando-nos um outro nome importante nesta arte, nascido em Ponte de Lima, Alfredo Cândido (1879-1960). Sobre este último veja-se o trabalho de Luís Dantas. A imagem que acompanha este apontamento é uma caricatura de Alfredo Cândido, publicada no O Vira (n.º 4, 22 de Março de 1906), e fomos encontrá-la no "Blog da Rua Nove".

sexta-feira, agosto 10, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (VIII)



Ainda Eduardo Souto de Moura e as "2 casas em Ponte de Lima"... Encontramos mais uma revista da especialidade que menciona as moradias executadas pelo referido arquitecto em Ponte de Lima. Trata-se do número 64 de TC CUADERNOS, com o título EDUARDO SOUTO DE MOURA. OBRA RECIENTE. Constituída por 234 páginas, a revista referencia a Casa de Cascais, a Casa da Serra da Arrábida, a Casa do Cinema "Manoel de Oliveira" (infelizmente ao abandono!), o Silo Cultural do Norteshopping, o Estádio de Braga, entre outras obras. Encerra com uma entrevista a Eduardo Souto de Moura. Deixo a referência para aqueles que nutrem interesse pelo trabalho do arquitecto, pela arquitectura em geral e por tudo o que "marca" o território limiano.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A Maçonaria, Norton de Matos e Fernando Pessoa

Em 1935, na Assembleia Nacional do Estado Novo foi apresentado, pelo deputado José Cabral, o projecto de lei que proibia os portugueses de fazerem parte de associações secretas que, como recorda Oliveira Marques, "ainda que não o especificasse, (...) dirigia-se unicamente contra a Maçonaria". Reagindo, o Grão-Mestre José Norton de Matos escreve ao presidente da Assembleia Nacional insurgindo-se contra o facto de se atribuir à Maçonaria a designação de "associação secreta", ou seja, uma associação que contaminava a sociedade "nos seus mais essenciais elementos, corrompendo o Estado, por uma acção dissolvente sobre os seus órgãos, e comprometendo por vezes a honra e a vida dos seus servidores". É neste contexto que surge a intervenção, através de um artigo no Diário de Lisboa, de Fernando Pessoa. Acontece que, contrariamente ao que muitos depreenderam da posição tomada pelo poeta, não há evidências que demonstrem a sua condição de maçon (como bem nota Carlos Gomes num dos comentários a um post anterior) . Condição que ele próprio repugna no referido artigo:

[Fonte: MARQUES, A. H. Oliveira de - A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1995, pág. 58, 59 e 217 a 233; excerto do artigo de Fernando Pessoa reproduzido a partir de http://www.vitoriagol.org/index.php?oid=22]

terça-feira, julho 31, 2007

Norton de Matos (1867-2007)

Monumento a Norton de Matos, Nova Lisboa/Huambo, Angola.

domingo, julho 29, 2007

Ainda Norton de Matos...



1. Está disponível on-line (em http://www.vitoriagol.org/index.php?oid=22) a edição antológica que reúne a reprodução do artigo de Fernando Pessoa, publicado no «Diário de Lisboa» de 4 de Fevereiro de 1935 (n.º 4388) e a exposição de Norton de Matos dirigida ao Presidente da Assembleia Nacional em 31 de Janeiro de 1935. Sobre a decisão de proibir os cidadãos portugueses de fazerem parte de associações secretas e as medidas adoptadas pela Maçonaria, em 1935, veja-se http://www.gremiolusitano.eu/?page_id=43.

2. Aceite a sugestão de Carlos Gomes, em comentário a post anterior; visite http://arepublicano.blogspot.com/, que tem vindo a publicar notas sobre a vida de Norton de Matos.

sexta-feira, julho 27, 2007

A propósito do 140º aniversário sobre o nascimento de Norton de Matos

[Reprodução da nota de 50 centavos com a assinatura do Alto Comissário de Angola, Norton de Matos (1923), extraída de http://aes.iupui.edu/rwise/countries/angola.html]

quinta-feira, julho 26, 2007

Norton de Matos_1867-1955

1867.03.23 Nasce em Ponte de Lima.
[1884-88] Cursa o Bacharelato em Matemática na Universidade de Coimbra.
[1890] Conclui Curso de Oficial do Estado Maior na Escola do Exército.
[1898-1908] Exerce diversas funções, na Índia, nomeadamente de director dos Serviços de Agrimensura, director de Obras Públicas e Chefe do Estado Maior.
[1910] Envolve-se na missão diplomática que defende Macau perante a China.
1912.06.17 Toma posse do cargo de governador de Angola.
1912.08.01 Publicação de portaria que concede um automóvel aos governadores de distrito em cujo território construíssem 300 Km de estradas. [Durante os seus governos construíram-se 23.000 Km de estradas.]
[1912.09] Inaugurada a cidade de Huambo (Nova Lisboa).
[1914] Cria o distrito de Cuanza Norte.
1914.03.27 Publicação de portaria que estabelece a doutrina de extensão da assistência médica às populações indígenas.
[1915] Regressa à metrópole após a demissão do cargo de governador de Angola pelo Governo de Pimenta de Castro.
[1915.05] Assume pasta das Colónias.
[1916] Assume a pasta da Guerra. Prepara, em Tancos, o contingente militar que participará na Primeira Guerra Mundial (Corpo Expedicionário Português).
[1917] Afastado do poder por Sidónio Pais (Dezembro), exila-se em Londres.
[1919] Promovido a General, por distinção, pelo Parlamento da República. Nomeado delegado português à Conferência de Paz (Paris).
[1921] Nomeado Alto-Comissário de Angola.
1921.04.16 Chega a Luanda a bordo do navio Moçambique, acompanhado de Nóbrega Quintal, que escolhera para governador do Cuanza Sul.
[1922] Realiza, em Luanda, o I Congresso de Medicina Tropical.
[1923] Cria o Banco de Angola.
[1924] Nomeado embaixador em Londres (exercerá até 28 de Maio de 1926).
[1927] Publica A Província de Angola.
[1927-1929] Preso e deportado para Ponta Delgada.
[1929] Eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.
[1930] Publica La Formation de La Nation Portugaise envisagée au point de vue colonial.
[1931] Ajuda a fundar a Aliança Republicano-Socialista.
[1933] Passa à reserva no Exército.
[1934] Publica Acção Civilizadora do Exército Português no Ultramar e Topografia e Geologia do Concelho das Ilhas de Goa.
[1935] Demitido compulsivamente do ensino universitário.
[1937] Publica Fotogrametria.
[1938] Publica Regimento que El-Rei D. Manuel deu a Simão da Silva quando o mandou a Manicongo.
[1939] Publica Tarefa Ingente.
[1943] Torna-se presidente do Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF).
[1944] Publica Memória e Trabalhos de Minha Vida [auto-biografia].
[1947] Publica Duas Cartas Célebres.
[1948] Candidata-se à Presidência da República, congregando um amplo conjunto de apoios, nomeadamente do Partido Republicano Português (PRP), Maçonaria, Partido Socialista Português (SPIO), União Socialista (US), Partido Comunista Português (PCP), Confederação Geral do Trabalho (CGT), MUNAF, Movimento de Unidade Democrática (MUD), Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ) intelectuais e independentes. Publica Os dois Primeiros Meses da Minha Candidatura à Presidência da República.
9.07.1848 Manifesto de Norton de Matos «À Nação», impresso em Lisboa. Veja-se http://www.arqnet.pt/portal/discursos/julho05.html. Trata-se de uma circular «À Nação» (folheto de uma folha, impresso dos dois lados, de duas colunas em cada página, de 34 x 22,5 cm, datado e situado em Lisboa, em Julho de 1948); cujo texto integral pode ser lido em João Medina (dir.), História Contemporânea de Portugal, s.l., Multilar, [1988], vol. 5.
[1949] Publica Mais Quatro Meses da Minha Candidatura à Presidência da República. Sobre a candidatura há uma interessante acervo de fotografia no Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares. Ao pesquisar "Norton de Matos" pode visualizar um conjunto de fotografias, a maior parte de 1949. Ver http://www.fmsoares.pt/arquivo_biblioteca/fotografias/0_pesquisa_geral.asp.
[1953] Publica África Nossa e A Nação Unida.
1955.01.03 Morre na sua terra natal.

quinta-feira, julho 19, 2007

Revista "Jardins" publica reportagem sobre Festival de Jardins de Ponte de Lima





A edição de Julho de 1007 (nº 58) da revista "Jardins", dedica algumas páginas ao terceiro Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima. Trata-se de um artigo da autoria de Elsa Matos Severino, arquitecta paisagista. Uma referência sucinta e descritiva de todos os jardins em concurso é acompanhada por fotografias de Francisco Caldeira Cabral, paisagista. A capa da revista destaca o jardim "Sonho Meu, Sonho Meu", concebido por Miguel Peixoto/Filipe Mota, o mais votado na edição transacta do Festival.

sexta-feira, julho 13, 2007

Do ready-made de Duchamp ao jardim “O homem que plantava árvores”

Na visita que realizamos ao 3º Festival Internacional de Jardins, a observação do trabalho intitulado “O homem que plantava árvores”, dos arquitectos Ana Rita Morais e Paulo Tavares Pereira, permitiu-nos realizar um percurso visual que, situando-se além da leitura – fundada na literatura – a que somos remetidos pelos autores (veja-se o catálogo), parece-nos evidente e marcante.
O objecto central desse percurso é um poste de madeira cravado de garrafas de plástico, idênticas àquelas que se encontram no solo transformadas em “vasos” para novas plantas. Se no piso temos as garrafas de plástico a acondicionar as novas árvores, no poste temos uma “árvore” construída a partir daquele material reciclável. Esta construção remete-nos visualmente para o trabalho de Joana Vasconcelos (nasc. 1971), “Néctar” (2006), exposto na entrada do recém inaugurado Museu Berardo (http://www.berardocollection.com/), no Centro Cultural de Belém. Trata-se, segundo as palavras da artista, da versão feminista do conhecido «ready-made» de Marcel Duchamp, “O Escorredor” ou “Secador de Garrafas”.
Marcel Duchamp, em 1914, adquirira numa loja de Paris, um escorredor de ferro galvanizado para garrafas, produto industrial, que expôs como escultura, atribuindo a este objecto (e a outros similares) a designação de “ready-made”. Conceptualmente, o escorredor de garrafas só passou a ser um “ready-made” a partir de 1916. O mesmo fizera com uma roda de bicicleta, com uma pá para neve ou, mais tarde, com um urinol. O “ready-made” assenta no exercício de retirar os objectos da sua função utilitária corrente e, uma vez assinados e datados, expô-los como obras de arte. Este exercício de selecção, descontextualização e de atribuição de nova função suscitou o questionamento do conceito e do papel da arte, abrindo portas à afirmação de uma nova estética ou mesmo à negação da arte. Para os dadaístas, grupo em que se integra Duchamp, o que determina o valor estético de um objecto é o acto mental.
Desconhecendo se para os arquitectos autores do projecto estes referentes visuais e conceptuais tiveram qualquer papel na construção do seu jardim, parece-nos muito plausível notar a influência retiniana (e lúdica) do trabalho de Joana Vasconcelos, que se funda no valor da descontextualização e na apropriação dos objectos quotidianos, atribuindo-lhes novas funcionalidades, num modo próximo de Duchamp.
[Nas imagens (segundo a ordem de exposição): Aspecto da "árvore" de garrafas de plástico presente no jardim "O homem que plantava jardins", dos arquitectos Ana Rita morais e Paulo Tavares Pereira, 3º Festival Internacional de Jardins (2007), foto de jcml; "Néctar" de Joana Vasconcelos; "O Escorredor" de Marcel Duchamp (1914/1964)]

terça-feira, julho 03, 2007

António Lima Viana_arte naif em Ponte de Lima



Até ao próximo dia 8 de Julho, está patente uma exposição de pintura de António Lima Viana, um darquense autodidacta. Enquadrado no género que se vai convencionando designar por "naif", o trabalho pictórico de António Lima Viana constrói imagens com cores vibrantes, carregadas de associações, metáforas e evocações reveladoras de um espírito que voga entre a(s) memória(s) e o presente. A imagem recorrente do galo, elevada à condição de ícone, sintetiza esse espírito (cor, memória, metáfora). Plasmado em telas carregadas de pequenas imagens, em regime de pontilhado (particularmente, as expostas na entrada), este universo figurativo revela-nos um olhar muito pessoal sobre a realidade. O desafio está em entrar nesse mundo, decifrando cada imagem, num complexo jogo de associações cada vez menos "naif".

[reproduzimos a folha informativa com a nota curricular do autor, que se encontra ao dispor na sala de exposição. Não deixamos de notar uma disposição gráfica cada vez menos comum neste tipo de trabalhos, mas que se ajusta perfeitamente ao perfil do autor e do seu trabalho.]

segunda-feira, julho 02, 2007

Feira do Cavalo_2007

Enquanto meros espectadores e fruidores da Feira do Cavalo, consideramos que o certame tem virtudes e potencialidade para se tornar num importante evento desportivo, comercial e cultural. Creio que seria de repensar a área da Alameda de S. João, investindo na exposição de artigos locais e regionais (por ex., aí teriam lugar aqueles que representassem as tradições do artesanato local não estando relacionados directamente com o mundo do cavalo). Nessa mesma zona, os "comes e bebes" deveriam ter uma área distinta da exposição de artigos. O espaço é agradável e funcional. Há uma interesante articulação entre o construído e a envolvente. O discurso arquitectónico aposta no prolongamento da paisagem. O recurso a materiais nobres, quer na bancada quer nas construções de apoio, aproximou o mercado à área envolvente, de forma delicada. Aqui ficam algumas imagens para "memória futura".


quinta-feira, junho 28, 2007

Ponte de Lima na Tree Parade 2007

Depois de ter sido exposta em Lisboa, a "árvore" da Escola EB 2,3/S de Arcozelo, representante de Ponte de Lima na Tree Parade 2007, pode ser apreciada no Porto, no Parque da Cidade, até ao próximo dia 30 de Junho. Sob o tema “A floresta e o problema dos incêndios florestais” reunem-se 70 "árvores" criadas por alunos de várias escolas do país, que responderam ao desafio lançado por um concurso nacional promovido pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais.
Aqui ficam imagens da "árvore", retiradas do sítio da DGRF (http://www.dgrf.min-agricultura.pt/v4/dgf/treeparade), na exposição inaugural (Lisboa).

segunda-feira, junho 25, 2007

sábado, junho 23, 2007

S. João

[Foto: jcml, Capela de S. João, Ponte de Lima, 23.06.2007]

quarta-feira, junho 20, 2007

Blogues e Ponte de Lima

Duas notas sobre Ponte de Lima e o mundo dos blogues. O blogue "Café Portugal" dedica a sua atenção aos blogues de Ponte de Lima (http://cafe-portugal.blogspot.com/). Os seus promotores preparam uma visita à vila. Ficamos à espera dos resultados desse encontro com as terras do Lima. O blogue "Nuno pereira e o mundo" (http://nunopereira.blogspot.com/; Nuno Pereira reside em Ponte de Lima) lança o desafio de um primeiro encontro de bloggers e leitores de blogues do Minho. Aqui fica o link para os interessados no projecto: http://blogminho.blogspot.com/.


quinta-feira, junho 14, 2007

Notas de outro quotidiano_Ponte de Lima, 1868

Dia 17 de Junho de 1868. Os sinos anunciavam as 16 horas. Saía "uma procissão da capella de N. S. da Lapa (...) para a egreja Matriz d'esta villa". A deslocação da imagem de Santa Maria Madalena foi "acompanhada pelas irmandades de Nossa Senhora das Dores, e N. S. da Lapa". Segundo o jornal que temos vindo a usar como fonte, o Estrella do Lima, de 21 de Junho de 1868, "concorreu a esta procissão muito povo; e tivera ella logar para o effeito de fazer-se preces, pedindo chuvas".

quarta-feira, junho 06, 2007

A Vaca das Cordas

Temos lido interessantes apontamentos históricos no blogue http://www.limianismo.blogspot.com/, sobre a Vaca das Cordas. O último, publicado hoje, reproduz um depoimento de Luis Dantas. Agradaram-me particularmente as palavras iniciais - "não há verdade absoluta quando se procura o tempo perdido na História". Em tempos que valorizam o imediato, a produção de "verdades" numa correnteza em catadupa, onde o silêncio deu lugar ao estribilho sibilar, onde as vozes se dizem respeitadoras do outro mas deles tomam apenas uma parte (a mais visível), onde deixou de haver espaço à compreensão, é bom ver quem anuncie trabalhos "inacabados", em contrução. Sem arvorarem a bandeira da palavra definitiva. Em História, na ciência de uma forma geral, não há verdade absoluta e nunca teremos a capacidade de reconstituir todo o passado (velha ilusão positivista). Como dizia H.-I. Marrou, "podes saber qualquer coisa do passado, não podes saber tudo". Não tenhamos, também, a ilusão de crer que para "saber tudo" basta somar mais documentos (sim, a história faz-se com documentos!). O trabalho de história é apenas portador de verdade parcial. Em boa medida, a dimensão da verdade do trabalho histórico é, corroborando o historiador citado, proporcional à riqueza humana do historiador. Luis Dantas fala de silêncios, de obra incompleta; isso confirma a qualidade do trabalho e do historiador. No processo de reflexão que abriu não deixarei de recordar que as gerações anteriores não nos deixaram tudo, elas foram selectivas (como hoje o somos), escolheram, consciente ou inconscientemente, aquilo que queriam transmitir ao presente. Assim, no caso da "Vaca das Cordas" para além da necessidade de apurar a origem do acontecimento, interessa perceber como é que cada geração o viveu e o que cada geração deixou transparecer. Para além da compreensão do ritual, sempre portadora da ideia de continuidade, de aparente imobilidade, seria interessante produzir uma história que atendesse às suas múltiplas vivências, dentro de uma mesma geração e em diferentes épocas.
Em 1908, um jornal local escrevia que "um pobre boi, cruelmente martyrisado pelo rapazio, percorreu algumas ruas da villa, no meio de grande algazarra da parte de todos os que procuravam attingilo com o afilado prego seguro na estremidade de uma vara". O texto, em tom de lamentação, dá-nos um modo de viver a "Vaca das Cordas". O modo de um letrado, de um espírito impregnado dos valores burgueses, que vêm nestes festejos sinais da barbárie popular, indignos de ocorrer no espaço urbano. Hoje poderia, grosso modo, ser escrito, com maior ou menor acutilância, por um ambientalista. Um ano depois, o mesmo jornal descreve o evento: "eram cinco horas da tarde, já todas as sacadas do Largo de Camões, ruas do Rosario, Visconde do Amoroso Lima, Boaventura Vieira, etc, se achavam apinhadas de senhoras que nesse dia antecipam ou transferem o seu jantar para não faltarem a dar motivo festivo a tam simpatico divertimento". Ao colocar a expressão simpático em itálico o autor do artigo coloca-se numa posição de espectador e denuncia o estrato social daqueles que vêm a "Vaca das Cordas" a partir das varandas. A "Vaca das Cordas" é um tempo dominado pelas camadas populares, que tomam as ruas, o espaço público. Deixemos as últimas linhas dessa descrição: "A vaca que, na forma dos mais anos, era um boi, começou a sua dolorosa peregrinação pelas ruas e largo da vila cerca das cinco e meia horas da tarde. No largo de Camões, onde o divertimento se torna mais selvagem, queremos dizer, mais engraçado, houve as costumadas esbarradelas do animalejo de encontro á coluna do candeeiro central, as gragalhadas argentinas (...) de gente da escada acima e a risota estridente do povo de rua ao largo". Sendo um fenómeno popular, chega-nos pelas mãos das elites intelectuais, pelos portadores de saber letrado, e estas apenas nos deixaram ver uma parte do puzzle. O silêncio das fontes é também ele uma forma de "falar". Apetece-nos voltar ao tema... estas linhas (também) estão inacabadas.

domingo, maio 27, 2007

Entrando no espírito do fim de semana limiano...

























[Ponte de Lima, Feira Medieval, 2007]

sexta-feira, maio 25, 2007

Para a história do tempo

Dizia-se no jornal A Semana, a 5 de Abril de 1902, que "ha muito que o relogio official [de Ponte de Lima] tem apresentado manifestações de paranoico: mas nos ultimos tempos attingiu o maximo de loucura, de tal modo que quantos estão sujeitos a obrigações officiaes nem sabem a quantas andam (...)".

segunda-feira, maio 14, 2007

Lagoas, educação ambiental e design_uma entrevista com Edgar Afonso


Edgar Afonso, nascido em Viana do Castelo, professor e designer freelancer, respondeu afirmativamente ao nosso desafio: ser o primeiro entrevistado do anunciadordasfeirasnovas.blogspot.com. Responsável pela concepção de alguns dos trabalhos de educação ambiental promovidos pelas “Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos”, Edgar Afonso nutre interesse pelo desenho e ilustração desde o tempo em que frequentou o Seminário Diocesano. Por essa altura, realizava incursões, principalmente, na ilustração e caricatura, bem como, na pintura com aerógrafo. Alguns dos seus trabalhos mereceram publicação no suplemento DNJovem do Diário de Notícias. Após ter optado pela desistência dos estudos no Seminário, concluiu a Licenciatura em Teologia na Universidade Católica. No entanto, o interesse pelo desenho foi crescendo e optou por aperfeiçoar os seus conhecimentos no que diz respeito a essa área enveredando pelo curso de Design de Comunicação na ESAD (Escola Superior de Artes e Design, Matosinhos). Assim, e enquanto leccionava Educação Moral e Religiosa Católica no ensino básico, formou-se naquela área em horário pós laboral. A par deste percurso, as revistas, a publicidade e as t-shirt's com grafismos extremamente inovadores e arrojados, face ao tradicional, relacionadas com o surf, prática que o fascina, foram marcantes no processo do despertar para o design gráfico. Depois de concluir a Licenciatura em Design de Comunicação, tem exercido a actividade de designer em regime freelancer desenvolvendo trabalhos transversais às áreas do Design Gráfico, WebDesign e Ilustração.

anunciadordasfeirasnovas.blogspot.com (afn) - Em que momento e circunstância começas a produzir materiais para as Lagoas?
Edgar Afonso (ea) - O meu trabalho para as Lagoas de Ponte Lima começou na fase embrionária do projecto… a partir do momento em que foi necessário produzir merchandising relativo às Lagoas e ao seu papel na educação ambiental.

(afn) Quais foram os objectivos e os limites programáticos que te impuseram?

(ea) Os objectivos são contribuir para um melhor conhecimento da Paisagem Protegida e das questões ambientais por parte das camadas mais jovens que visitem as Lagoas. Não existem limites programáticos e todos os projectos são coordenados pelos técnicos da Área Protegida.
(afn) Ao usar a rã como imagem de referência não se estará a recorrer a um elemento visual demasiado comum neste tipo de iniciativas ambientais, entre áreas protegidas e associações ambientais?
(ea) A questão não se prende com o facto de ser um elemento muito corrente mas, principalmente, com o facto de ser uma espécie predominante nas Lagoas. De qualquer das formas, a decisão de usar a rã como referência foi uma opção anterior à intervenção de algum designer ou ilustrador na comunicação das Lagoas.

(afn) Como é que justificas o cromatismo dominante.

(ea) O cromatismo acaba por ser o reflexo da área e, ao mesmo tempo, procura corresponder ao universo de fantasia dos mais novos. E acima de tudo, pretende-se responder a um público-alvo específico.

(afn) Consideras que realizas um produto de educação ambiental ou um objecto de merchandising? No fundo, como relacionas as duas coisas?

(ea) Posso dizer que os projectos desenvolvidos conciliam esses dois aspectos. Existem, no entanto, trabalhos que procuram responder, essencialmente, à criação de produtos de merchandising. Felizmente, os projectos de carácter educacional equilibram a balança e, pessoalmente, são mais estimulantes. Proporcionam uma série de desafios interessantes durante o desenvolvimento dos mesmos.

(afn) Que desafios são esses?

(ea) Os desafios dizem respeito a questões de projecto… Procuramos (designer e técnicos) analisar o que produzimos como se fôssemos os destinatários de forma a que os trabalhos sejam eficazes. Isso obriga-nos a uma pesquisa e estudo que nos enriquece! Por outro lado, muitas vezes, torna-se necessária também a intervenção do designer no conteúdo e não apenas no grafismo…

(afn) Do universo de nomes e correntes do design, quais são aqueles que mais influenciam o teu trabalho?

(ea) Nomes e correntes do design… são inúmeros! No entanto, na área do design, e vou falar apenas dos portugueses, admiro muito o trabalho do designer João Faria para o TNSJ (Teatro Nacional de S. João) e para o TECA (Teatro Carlos Alberto), Martino & Jana, R2 (Lizá Ramalho e Artur Rebelo). Todos os trabalhos produzidos nos ateliers destes designers são de grande qualidade e premiados internacionalmente em inúmeros concursos. Já na área da ilustração temos bons ilustradores tais como: André Letria, Gémeo Luis, José Saraiva. Na área da BD, destaco nomes como Miguel Rocha, José Carlos Fernandes, Richard Câmara, João Fazenda. Este é um pequeno número de designers e ilustradores... Deixo muitos nomes tão ou mais importantes de fora que merecem reconhecimento. Relativamente a nomes internacionais, posso destacar o trabalho de Stefan Sagmeister que, recentemente, redefiniu a identidade gráfica da Casa da Música.

(afn) Que projectos desenvolves neste momento? Quais têm sido os teus principais clientes?

(ea) No que diz respeito a outros projectos, de momento, uma grande parte do meu trabalho é desenvolvido para clientes da área de Viana do Castelo, na sua maioria, empresas privadas de vários ramos (vestuário, mobiliário, transportes, imobiliária, construção, etcetera). Também tenho desenvolvido trabalhos para outras instituições como o Instituto Católico de Viana do Castelo, a Federação Portuguesa de Surf e, também, o Surf Clube de Viana. De momento estou a trabalhar num projecto de ilustração para a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

(afn) Em que projectos consideras que produzes um trabalho mais original?

(ea) Depende daquilo que entendemos como original… Todos os trabalhos, na generalidade, procuram ser originais. No entanto, são sempre a resposta a uma série de ideias predefinidas pelo cliente. Procuro sempre conciliar o que me parece correcto e eficaz com o que me é proposto executar. Há sempre uma “negociação” no desenvolvimento dos trabalhos de forma a que a originalidade e eficácia dos mesmos prevaleça sobre estilos e modas. Isto, claro, sem descurar, de todo, a relevância que as modas ditam na comunicação visual.

(afn) Partindo do teu conhecimento dos objectivos e do trabalho das Lagoas, o que destacarias? Que aspectos é que te agradam (e desagradam) nas Lagoas?

(ea) O que destacaria? Essencialmente o dinamismo e trabalho desenvolvido pelos técnicos. Todas as actividades desenvolvidas com crianças e jovens em prol da educação ambiental. Penso que muito trabalho foi feito em tão pouco espaço de tempo. O investimento é positivo e hoje as Lagoas são já uma referência no Norte. Aquilo que menos me agrada, por outro lado, não diz respeito às Lagoas em si mas, ao facto de que muito do investimento e trabalho desenvolvido pelos técnicos, designers, colaboradores, educadores, entre outros e até pelas próprias crianças enquanto intervenientes directos de um projecto educativo continua a passar despercebida a uma grande parte da população. A educação ambiental, muitas vezes, não é considerada como fundamental.
(afn) Desafio final: associa três palavras a Ponte de Lima.

(ea) Tradição, Dinamismo e Projecto.


Ilustram esta entrevista, alguns dos trabalhos desenvolvidos pelo Edgar Afonso, no âmbito do projecto de educação ambiental da Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos. Os trabalhos, seguindo a ordem de apresentação, referem-se ao Mapa da Quinta de Penteeiros, Jogo didáctico "Safari nas Lagoas" e Caderno de Actividades "A importância da água".
A fotografia que abre este post é de jcml, e foi tirada no perímetro da Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos.

Para conhecer o trabalho do nosso entrevistado, aceda http://www.deviusdesign.com/

Para conhecer o trabalho dos designers referidos na entrevista, veja

João Faria: http://www.drop.pt/
R2 (Lizá Ramalho e Artur Rebelo): http://www.rdois.com/
Stefan Sagmeister: http://www.sagmeister.com/

Para conhecer melhor as Lagoas:
Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos
Centro de Interpretação Ambiental
Quinta de Pentieiros - S. Pedro de Arcos
4990 Ponte de Lima
Tel: 258 733 553

A ilustração ao lado é de uma rã-verde (rana perezi), uma das espécies inventariadas pelas Lagoas, no ano de 2003 (reprodução de http://www.lagoas.cm-pontedelima.pt/).

sexta-feira, maio 04, 2007

Uma exposição "automatica e scientifica" em Ponte de Lima_1891

Em Junho de 1891, Francisco François fazia chegar à imprensa local limiana a notícia da construção de um barracão onde pretendia expôr "tudo o que ha de bello para uma exposição, automatica e scientifica e em que figura a maravilhosa oleoptica da grande exposição de Pariz de 1889" (A Voz do Lima, 18.06.1891, nº 252, 5º ano) . Os habitantes da vila podiam admirar, pela quantia de 60 réis:
"Domador de serpentes,
2º A entrada da rapariga no convento de Jesuitas,
3º Resygnação de Cleopatra, martyr do rei de Roma Marco Antonio,
4º A grande floresta (grande surpresa),
5º Musica automatica piano,
6º Madame Ratazzi (á vol d'oiseau),
7º Grande Valtz, executado pelo marquez e marqueza no tempo de Luiz XIV,
8º A rainha das aguas,
9º A rainha do Congo,
10º O grande Leotard, artista frencez,
11º A grande dama da Côrte,
12º A grande collecção (automatica) de passarinhos cantando,
13º Scena comica e transformação de physionomias (surpreza a mais linda e divertida que se pode imaginar),
14º Vista á roda do mundo representada pela artlota Sarah Bernhardt" [actriz francesa, cujo verdadeiro nome era Henriette-Rosine Bernard (1844-1923)].

A exposição, "que tão viva sensação produziu na cidade do Porto e Lisboa", lê-se no anúncio, procurava capitalizar o sucesso da Exposição de Paris de 1889, que ficou conhecida, entre outros aspectos, pela Torre Eiffel, construção efémera que passou a definitiva, marcando indelevelmente a cidade de Paris [ver vista geral da Exposição Universal de Paris, de Hoffbaur/Dochy, 1889, reproduzida a partir de A Ilustração]. A primeira Exposição Universal realizara-se cerca de meio século antes, na cidade de Londres, em 1851. Ambas são manifestação de um mundo emergente, onde pontificam a indústria, a tecnologia e a ciência. Note-se que a Torre da autoria de Gustave Eiffel foi projectada e construída como um mero exercício demonstrativo das capacidades das novos sistemas e processos de construção, fazendo uso de novos materiais. Na mesma exposição, terá igual êxito a Galeria das Máquinas, de Charles Dutert e Victor Contamin, que será destruída no primeiro terço do século XX [ver imagem reproduzida].

A edição do jornal A Voz do Lima, de 26 de Junho de 1891 (nº 253, 5º ano), destacará, para "alem de numerosissimos brinquedos com que alli se passa admiravelmente algumas horas em profunda curiosidade", "uma linda gaiolinha em que trinava um canario embalsamado". Estavamos, portanto, perante um pavilhão de curiosidades.

terça-feira, maio 01, 2007

Fado no Teatro Diogo Bernardes_1927


Março de 1927. O filme intitulado "O Fado" (de que reproduzimos um fotograma) é exibido no Teatro Diogo Bernardes. O jornal O Rio Lima notava que o filme português tinha encontrado inspiração "no quadro de Malhoa e na quadra do poeta Augusto Gil" (6 de Março de 1927). Tratar-se-ia do filme mudo realizado por Maurice Mariaud, em 1923, e exibido, pela primeira vez, em Lisboa, no ano seguinte.
O trabalho pictórico que lhe serve de referência é da autoria de José Malhoa e data de 1910. A pintura a óleo sobre tela, com 1,51m x1,86m, é actualmente propriedade da Câmara Municipal de Lisboa. No passado dia 21 de Março, segundo o jornal Público, foi leiloada uma carta original do pintor sobre este quadro. Segundo o referido jornal, na carta de 1917, Malhoa responde "a artigos publicados em dois jornais de então, "A Capital" e "O Dia", a propósito da aquisição do quadro pela Câmara Municipal de Lisboa" e às acusações de que o quadro era "a apologia do vício (!)"(Público, edição digital de 21.03.2007) . Segundo Malhoa, esta última afirmação, esquecia "os Borrachos de Velásquez, e todos os Jupiteres, raptos de Ganimedes, as Ledas que se vêem nos museus da Europa" (idem).
O filme foi exibido, em Ponte de Lima, no dia 13 de Março de 1927. A sessão incluiu ainda o "desafio Porto-Lisboa de Water-Polo", a estreia do cavaleiro Fernando Casimiro e a comédia "Lucas perde a cabeça" (O Rio Lima, 13 de Março de 1927).

quinta-feira, abril 26, 2007

Limiana, nova publicação periódica

Tomando a designação de Limiana e afirmando-se como uma revista de informação, cultura e turismo, foi editado o primeiro número desta nova publicação centrada na vida de Ponte de Lima e na entidade que lhe deu corpo, a Casa do Concelho de Ponte de Lima, com sede em Lisboa. A revista, dirigida por José Pereira Fernandes, inclui, neste número, reportagens sobre as comemorações do vigésimo aniversário da Casa do Concelho de Ponte de Lima, dando particular ênfase ao lançamento do CD com o Hino a Ponte de Lima e o Hino da CCPL, artigos sobre a actividade da associação, a terra limiana (segundo o olhar de Mário Leitão) e acontecimentos lisboetas. João Carlos Gonçalves publica um artigo intitulado "Weblogs à moda de Ponte de Lima", onde constitui um repositório (completo) dos blogues centrados em problemáticas limianas (encontrará referência a este espaço). A revista terá periodicidade bimestral e anuncia um leque de colaboradores interessante.

quinta-feira, abril 19, 2007

Chapelarias em Ponte de Lima (II)



De acordo com o jornal O Independente, de 14 de Março de 1909, "o sr, Francisco Vasques Martins, proprietario da importante Chapelaria Progresso, sita á rua Boaventura José Vieira, acaba de installar no seu bem montado estabelecimento, que tem recebido, ultimamente, grandes melhoramentos, uma magnifica caldeira a vapor destinada ao prompto aquecimento dos ferros e rapida amoldação dos feltros".
[Fonte: O Independente, 14.03.1909 (ano 2º, nº 53); sobre a mesma chapelaria ver o nosso post de 10.11.2006]

sexta-feira, abril 13, 2007

Cheia no Rio Lima_1686 e 1875

O pároco de Vitorino das Donas registou, na página de abertura do livro de assento dos baptismos, a seguinte nota: "Aos 28 de Settembro de Seiscentos e oitenta e seis amanheceo o Rio Lima com a mayor chea q hos homês desta frgª acordavão" (ADVC, cota 3.16.1.46]. Quase duzentos anos depois, Pinho Leal registava: "ainda em novembro de 1875, encheu [o rio Lima]espantosamente, invadindo uma grande parte da povoação [de Ponte de Lima], chegando a entrar nas egrejas matriz e Misericordia, que ficam no centro da villa, e transformando em rios caudalosos algumas das suas ruas" (Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias, pág. 181).

faces da revista