segunda-feira, julho 02, 2007

Feira do Cavalo_2007

Enquanto meros espectadores e fruidores da Feira do Cavalo, consideramos que o certame tem virtudes e potencialidade para se tornar num importante evento desportivo, comercial e cultural. Creio que seria de repensar a área da Alameda de S. João, investindo na exposição de artigos locais e regionais (por ex., aí teriam lugar aqueles que representassem as tradições do artesanato local não estando relacionados directamente com o mundo do cavalo). Nessa mesma zona, os "comes e bebes" deveriam ter uma área distinta da exposição de artigos. O espaço é agradável e funcional. Há uma interesante articulação entre o construído e a envolvente. O discurso arquitectónico aposta no prolongamento da paisagem. O recurso a materiais nobres, quer na bancada quer nas construções de apoio, aproximou o mercado à área envolvente, de forma delicada. Aqui ficam algumas imagens para "memória futura".


quinta-feira, junho 28, 2007

Ponte de Lima na Tree Parade 2007

Depois de ter sido exposta em Lisboa, a "árvore" da Escola EB 2,3/S de Arcozelo, representante de Ponte de Lima na Tree Parade 2007, pode ser apreciada no Porto, no Parque da Cidade, até ao próximo dia 30 de Junho. Sob o tema “A floresta e o problema dos incêndios florestais” reunem-se 70 "árvores" criadas por alunos de várias escolas do país, que responderam ao desafio lançado por um concurso nacional promovido pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais.
Aqui ficam imagens da "árvore", retiradas do sítio da DGRF (http://www.dgrf.min-agricultura.pt/v4/dgf/treeparade), na exposição inaugural (Lisboa).

segunda-feira, junho 25, 2007

sábado, junho 23, 2007

S. João

[Foto: jcml, Capela de S. João, Ponte de Lima, 23.06.2007]

quarta-feira, junho 20, 2007

Blogues e Ponte de Lima

Duas notas sobre Ponte de Lima e o mundo dos blogues. O blogue "Café Portugal" dedica a sua atenção aos blogues de Ponte de Lima (http://cafe-portugal.blogspot.com/). Os seus promotores preparam uma visita à vila. Ficamos à espera dos resultados desse encontro com as terras do Lima. O blogue "Nuno pereira e o mundo" (http://nunopereira.blogspot.com/; Nuno Pereira reside em Ponte de Lima) lança o desafio de um primeiro encontro de bloggers e leitores de blogues do Minho. Aqui fica o link para os interessados no projecto: http://blogminho.blogspot.com/.


quinta-feira, junho 14, 2007

Notas de outro quotidiano_Ponte de Lima, 1868

Dia 17 de Junho de 1868. Os sinos anunciavam as 16 horas. Saía "uma procissão da capella de N. S. da Lapa (...) para a egreja Matriz d'esta villa". A deslocação da imagem de Santa Maria Madalena foi "acompanhada pelas irmandades de Nossa Senhora das Dores, e N. S. da Lapa". Segundo o jornal que temos vindo a usar como fonte, o Estrella do Lima, de 21 de Junho de 1868, "concorreu a esta procissão muito povo; e tivera ella logar para o effeito de fazer-se preces, pedindo chuvas".

quarta-feira, junho 06, 2007

A Vaca das Cordas

Temos lido interessantes apontamentos históricos no blogue http://www.limianismo.blogspot.com/, sobre a Vaca das Cordas. O último, publicado hoje, reproduz um depoimento de Luis Dantas. Agradaram-me particularmente as palavras iniciais - "não há verdade absoluta quando se procura o tempo perdido na História". Em tempos que valorizam o imediato, a produção de "verdades" numa correnteza em catadupa, onde o silêncio deu lugar ao estribilho sibilar, onde as vozes se dizem respeitadoras do outro mas deles tomam apenas uma parte (a mais visível), onde deixou de haver espaço à compreensão, é bom ver quem anuncie trabalhos "inacabados", em contrução. Sem arvorarem a bandeira da palavra definitiva. Em História, na ciência de uma forma geral, não há verdade absoluta e nunca teremos a capacidade de reconstituir todo o passado (velha ilusão positivista). Como dizia H.-I. Marrou, "podes saber qualquer coisa do passado, não podes saber tudo". Não tenhamos, também, a ilusão de crer que para "saber tudo" basta somar mais documentos (sim, a história faz-se com documentos!). O trabalho de história é apenas portador de verdade parcial. Em boa medida, a dimensão da verdade do trabalho histórico é, corroborando o historiador citado, proporcional à riqueza humana do historiador. Luis Dantas fala de silêncios, de obra incompleta; isso confirma a qualidade do trabalho e do historiador. No processo de reflexão que abriu não deixarei de recordar que as gerações anteriores não nos deixaram tudo, elas foram selectivas (como hoje o somos), escolheram, consciente ou inconscientemente, aquilo que queriam transmitir ao presente. Assim, no caso da "Vaca das Cordas" para além da necessidade de apurar a origem do acontecimento, interessa perceber como é que cada geração o viveu e o que cada geração deixou transparecer. Para além da compreensão do ritual, sempre portadora da ideia de continuidade, de aparente imobilidade, seria interessante produzir uma história que atendesse às suas múltiplas vivências, dentro de uma mesma geração e em diferentes épocas.
Em 1908, um jornal local escrevia que "um pobre boi, cruelmente martyrisado pelo rapazio, percorreu algumas ruas da villa, no meio de grande algazarra da parte de todos os que procuravam attingilo com o afilado prego seguro na estremidade de uma vara". O texto, em tom de lamentação, dá-nos um modo de viver a "Vaca das Cordas". O modo de um letrado, de um espírito impregnado dos valores burgueses, que vêm nestes festejos sinais da barbárie popular, indignos de ocorrer no espaço urbano. Hoje poderia, grosso modo, ser escrito, com maior ou menor acutilância, por um ambientalista. Um ano depois, o mesmo jornal descreve o evento: "eram cinco horas da tarde, já todas as sacadas do Largo de Camões, ruas do Rosario, Visconde do Amoroso Lima, Boaventura Vieira, etc, se achavam apinhadas de senhoras que nesse dia antecipam ou transferem o seu jantar para não faltarem a dar motivo festivo a tam simpatico divertimento". Ao colocar a expressão simpático em itálico o autor do artigo coloca-se numa posição de espectador e denuncia o estrato social daqueles que vêm a "Vaca das Cordas" a partir das varandas. A "Vaca das Cordas" é um tempo dominado pelas camadas populares, que tomam as ruas, o espaço público. Deixemos as últimas linhas dessa descrição: "A vaca que, na forma dos mais anos, era um boi, começou a sua dolorosa peregrinação pelas ruas e largo da vila cerca das cinco e meia horas da tarde. No largo de Camões, onde o divertimento se torna mais selvagem, queremos dizer, mais engraçado, houve as costumadas esbarradelas do animalejo de encontro á coluna do candeeiro central, as gragalhadas argentinas (...) de gente da escada acima e a risota estridente do povo de rua ao largo". Sendo um fenómeno popular, chega-nos pelas mãos das elites intelectuais, pelos portadores de saber letrado, e estas apenas nos deixaram ver uma parte do puzzle. O silêncio das fontes é também ele uma forma de "falar". Apetece-nos voltar ao tema... estas linhas (também) estão inacabadas.

domingo, maio 27, 2007

Entrando no espírito do fim de semana limiano...

























[Ponte de Lima, Feira Medieval, 2007]

sexta-feira, maio 25, 2007

Para a história do tempo

Dizia-se no jornal A Semana, a 5 de Abril de 1902, que "ha muito que o relogio official [de Ponte de Lima] tem apresentado manifestações de paranoico: mas nos ultimos tempos attingiu o maximo de loucura, de tal modo que quantos estão sujeitos a obrigações officiaes nem sabem a quantas andam (...)".

segunda-feira, maio 14, 2007

Lagoas, educação ambiental e design_uma entrevista com Edgar Afonso


Edgar Afonso, nascido em Viana do Castelo, professor e designer freelancer, respondeu afirmativamente ao nosso desafio: ser o primeiro entrevistado do anunciadordasfeirasnovas.blogspot.com. Responsável pela concepção de alguns dos trabalhos de educação ambiental promovidos pelas “Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos”, Edgar Afonso nutre interesse pelo desenho e ilustração desde o tempo em que frequentou o Seminário Diocesano. Por essa altura, realizava incursões, principalmente, na ilustração e caricatura, bem como, na pintura com aerógrafo. Alguns dos seus trabalhos mereceram publicação no suplemento DNJovem do Diário de Notícias. Após ter optado pela desistência dos estudos no Seminário, concluiu a Licenciatura em Teologia na Universidade Católica. No entanto, o interesse pelo desenho foi crescendo e optou por aperfeiçoar os seus conhecimentos no que diz respeito a essa área enveredando pelo curso de Design de Comunicação na ESAD (Escola Superior de Artes e Design, Matosinhos). Assim, e enquanto leccionava Educação Moral e Religiosa Católica no ensino básico, formou-se naquela área em horário pós laboral. A par deste percurso, as revistas, a publicidade e as t-shirt's com grafismos extremamente inovadores e arrojados, face ao tradicional, relacionadas com o surf, prática que o fascina, foram marcantes no processo do despertar para o design gráfico. Depois de concluir a Licenciatura em Design de Comunicação, tem exercido a actividade de designer em regime freelancer desenvolvendo trabalhos transversais às áreas do Design Gráfico, WebDesign e Ilustração.

anunciadordasfeirasnovas.blogspot.com (afn) - Em que momento e circunstância começas a produzir materiais para as Lagoas?
Edgar Afonso (ea) - O meu trabalho para as Lagoas de Ponte Lima começou na fase embrionária do projecto… a partir do momento em que foi necessário produzir merchandising relativo às Lagoas e ao seu papel na educação ambiental.

(afn) Quais foram os objectivos e os limites programáticos que te impuseram?

(ea) Os objectivos são contribuir para um melhor conhecimento da Paisagem Protegida e das questões ambientais por parte das camadas mais jovens que visitem as Lagoas. Não existem limites programáticos e todos os projectos são coordenados pelos técnicos da Área Protegida.
(afn) Ao usar a rã como imagem de referência não se estará a recorrer a um elemento visual demasiado comum neste tipo de iniciativas ambientais, entre áreas protegidas e associações ambientais?
(ea) A questão não se prende com o facto de ser um elemento muito corrente mas, principalmente, com o facto de ser uma espécie predominante nas Lagoas. De qualquer das formas, a decisão de usar a rã como referência foi uma opção anterior à intervenção de algum designer ou ilustrador na comunicação das Lagoas.

(afn) Como é que justificas o cromatismo dominante.

(ea) O cromatismo acaba por ser o reflexo da área e, ao mesmo tempo, procura corresponder ao universo de fantasia dos mais novos. E acima de tudo, pretende-se responder a um público-alvo específico.

(afn) Consideras que realizas um produto de educação ambiental ou um objecto de merchandising? No fundo, como relacionas as duas coisas?

(ea) Posso dizer que os projectos desenvolvidos conciliam esses dois aspectos. Existem, no entanto, trabalhos que procuram responder, essencialmente, à criação de produtos de merchandising. Felizmente, os projectos de carácter educacional equilibram a balança e, pessoalmente, são mais estimulantes. Proporcionam uma série de desafios interessantes durante o desenvolvimento dos mesmos.

(afn) Que desafios são esses?

(ea) Os desafios dizem respeito a questões de projecto… Procuramos (designer e técnicos) analisar o que produzimos como se fôssemos os destinatários de forma a que os trabalhos sejam eficazes. Isso obriga-nos a uma pesquisa e estudo que nos enriquece! Por outro lado, muitas vezes, torna-se necessária também a intervenção do designer no conteúdo e não apenas no grafismo…

(afn) Do universo de nomes e correntes do design, quais são aqueles que mais influenciam o teu trabalho?

(ea) Nomes e correntes do design… são inúmeros! No entanto, na área do design, e vou falar apenas dos portugueses, admiro muito o trabalho do designer João Faria para o TNSJ (Teatro Nacional de S. João) e para o TECA (Teatro Carlos Alberto), Martino & Jana, R2 (Lizá Ramalho e Artur Rebelo). Todos os trabalhos produzidos nos ateliers destes designers são de grande qualidade e premiados internacionalmente em inúmeros concursos. Já na área da ilustração temos bons ilustradores tais como: André Letria, Gémeo Luis, José Saraiva. Na área da BD, destaco nomes como Miguel Rocha, José Carlos Fernandes, Richard Câmara, João Fazenda. Este é um pequeno número de designers e ilustradores... Deixo muitos nomes tão ou mais importantes de fora que merecem reconhecimento. Relativamente a nomes internacionais, posso destacar o trabalho de Stefan Sagmeister que, recentemente, redefiniu a identidade gráfica da Casa da Música.

(afn) Que projectos desenvolves neste momento? Quais têm sido os teus principais clientes?

(ea) No que diz respeito a outros projectos, de momento, uma grande parte do meu trabalho é desenvolvido para clientes da área de Viana do Castelo, na sua maioria, empresas privadas de vários ramos (vestuário, mobiliário, transportes, imobiliária, construção, etcetera). Também tenho desenvolvido trabalhos para outras instituições como o Instituto Católico de Viana do Castelo, a Federação Portuguesa de Surf e, também, o Surf Clube de Viana. De momento estou a trabalhar num projecto de ilustração para a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

(afn) Em que projectos consideras que produzes um trabalho mais original?

(ea) Depende daquilo que entendemos como original… Todos os trabalhos, na generalidade, procuram ser originais. No entanto, são sempre a resposta a uma série de ideias predefinidas pelo cliente. Procuro sempre conciliar o que me parece correcto e eficaz com o que me é proposto executar. Há sempre uma “negociação” no desenvolvimento dos trabalhos de forma a que a originalidade e eficácia dos mesmos prevaleça sobre estilos e modas. Isto, claro, sem descurar, de todo, a relevância que as modas ditam na comunicação visual.

(afn) Partindo do teu conhecimento dos objectivos e do trabalho das Lagoas, o que destacarias? Que aspectos é que te agradam (e desagradam) nas Lagoas?

(ea) O que destacaria? Essencialmente o dinamismo e trabalho desenvolvido pelos técnicos. Todas as actividades desenvolvidas com crianças e jovens em prol da educação ambiental. Penso que muito trabalho foi feito em tão pouco espaço de tempo. O investimento é positivo e hoje as Lagoas são já uma referência no Norte. Aquilo que menos me agrada, por outro lado, não diz respeito às Lagoas em si mas, ao facto de que muito do investimento e trabalho desenvolvido pelos técnicos, designers, colaboradores, educadores, entre outros e até pelas próprias crianças enquanto intervenientes directos de um projecto educativo continua a passar despercebida a uma grande parte da população. A educação ambiental, muitas vezes, não é considerada como fundamental.
(afn) Desafio final: associa três palavras a Ponte de Lima.

(ea) Tradição, Dinamismo e Projecto.


Ilustram esta entrevista, alguns dos trabalhos desenvolvidos pelo Edgar Afonso, no âmbito do projecto de educação ambiental da Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos. Os trabalhos, seguindo a ordem de apresentação, referem-se ao Mapa da Quinta de Penteeiros, Jogo didáctico "Safari nas Lagoas" e Caderno de Actividades "A importância da água".
A fotografia que abre este post é de jcml, e foi tirada no perímetro da Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos.

Para conhecer o trabalho do nosso entrevistado, aceda http://www.deviusdesign.com/

Para conhecer o trabalho dos designers referidos na entrevista, veja

João Faria: http://www.drop.pt/
R2 (Lizá Ramalho e Artur Rebelo): http://www.rdois.com/
Stefan Sagmeister: http://www.sagmeister.com/

Para conhecer melhor as Lagoas:
Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos
Centro de Interpretação Ambiental
Quinta de Pentieiros - S. Pedro de Arcos
4990 Ponte de Lima
Tel: 258 733 553

A ilustração ao lado é de uma rã-verde (rana perezi), uma das espécies inventariadas pelas Lagoas, no ano de 2003 (reprodução de http://www.lagoas.cm-pontedelima.pt/).

sexta-feira, maio 04, 2007

Uma exposição "automatica e scientifica" em Ponte de Lima_1891

Em Junho de 1891, Francisco François fazia chegar à imprensa local limiana a notícia da construção de um barracão onde pretendia expôr "tudo o que ha de bello para uma exposição, automatica e scientifica e em que figura a maravilhosa oleoptica da grande exposição de Pariz de 1889" (A Voz do Lima, 18.06.1891, nº 252, 5º ano) . Os habitantes da vila podiam admirar, pela quantia de 60 réis:
"Domador de serpentes,
2º A entrada da rapariga no convento de Jesuitas,
3º Resygnação de Cleopatra, martyr do rei de Roma Marco Antonio,
4º A grande floresta (grande surpresa),
5º Musica automatica piano,
6º Madame Ratazzi (á vol d'oiseau),
7º Grande Valtz, executado pelo marquez e marqueza no tempo de Luiz XIV,
8º A rainha das aguas,
9º A rainha do Congo,
10º O grande Leotard, artista frencez,
11º A grande dama da Côrte,
12º A grande collecção (automatica) de passarinhos cantando,
13º Scena comica e transformação de physionomias (surpreza a mais linda e divertida que se pode imaginar),
14º Vista á roda do mundo representada pela artlota Sarah Bernhardt" [actriz francesa, cujo verdadeiro nome era Henriette-Rosine Bernard (1844-1923)].

A exposição, "que tão viva sensação produziu na cidade do Porto e Lisboa", lê-se no anúncio, procurava capitalizar o sucesso da Exposição de Paris de 1889, que ficou conhecida, entre outros aspectos, pela Torre Eiffel, construção efémera que passou a definitiva, marcando indelevelmente a cidade de Paris [ver vista geral da Exposição Universal de Paris, de Hoffbaur/Dochy, 1889, reproduzida a partir de A Ilustração]. A primeira Exposição Universal realizara-se cerca de meio século antes, na cidade de Londres, em 1851. Ambas são manifestação de um mundo emergente, onde pontificam a indústria, a tecnologia e a ciência. Note-se que a Torre da autoria de Gustave Eiffel foi projectada e construída como um mero exercício demonstrativo das capacidades das novos sistemas e processos de construção, fazendo uso de novos materiais. Na mesma exposição, terá igual êxito a Galeria das Máquinas, de Charles Dutert e Victor Contamin, que será destruída no primeiro terço do século XX [ver imagem reproduzida].

A edição do jornal A Voz do Lima, de 26 de Junho de 1891 (nº 253, 5º ano), destacará, para "alem de numerosissimos brinquedos com que alli se passa admiravelmente algumas horas em profunda curiosidade", "uma linda gaiolinha em que trinava um canario embalsamado". Estavamos, portanto, perante um pavilhão de curiosidades.

terça-feira, maio 01, 2007

Fado no Teatro Diogo Bernardes_1927


Março de 1927. O filme intitulado "O Fado" (de que reproduzimos um fotograma) é exibido no Teatro Diogo Bernardes. O jornal O Rio Lima notava que o filme português tinha encontrado inspiração "no quadro de Malhoa e na quadra do poeta Augusto Gil" (6 de Março de 1927). Tratar-se-ia do filme mudo realizado por Maurice Mariaud, em 1923, e exibido, pela primeira vez, em Lisboa, no ano seguinte.
O trabalho pictórico que lhe serve de referência é da autoria de José Malhoa e data de 1910. A pintura a óleo sobre tela, com 1,51m x1,86m, é actualmente propriedade da Câmara Municipal de Lisboa. No passado dia 21 de Março, segundo o jornal Público, foi leiloada uma carta original do pintor sobre este quadro. Segundo o referido jornal, na carta de 1917, Malhoa responde "a artigos publicados em dois jornais de então, "A Capital" e "O Dia", a propósito da aquisição do quadro pela Câmara Municipal de Lisboa" e às acusações de que o quadro era "a apologia do vício (!)"(Público, edição digital de 21.03.2007) . Segundo Malhoa, esta última afirmação, esquecia "os Borrachos de Velásquez, e todos os Jupiteres, raptos de Ganimedes, as Ledas que se vêem nos museus da Europa" (idem).
O filme foi exibido, em Ponte de Lima, no dia 13 de Março de 1927. A sessão incluiu ainda o "desafio Porto-Lisboa de Water-Polo", a estreia do cavaleiro Fernando Casimiro e a comédia "Lucas perde a cabeça" (O Rio Lima, 13 de Março de 1927).

quinta-feira, abril 26, 2007

Limiana, nova publicação periódica

Tomando a designação de Limiana e afirmando-se como uma revista de informação, cultura e turismo, foi editado o primeiro número desta nova publicação centrada na vida de Ponte de Lima e na entidade que lhe deu corpo, a Casa do Concelho de Ponte de Lima, com sede em Lisboa. A revista, dirigida por José Pereira Fernandes, inclui, neste número, reportagens sobre as comemorações do vigésimo aniversário da Casa do Concelho de Ponte de Lima, dando particular ênfase ao lançamento do CD com o Hino a Ponte de Lima e o Hino da CCPL, artigos sobre a actividade da associação, a terra limiana (segundo o olhar de Mário Leitão) e acontecimentos lisboetas. João Carlos Gonçalves publica um artigo intitulado "Weblogs à moda de Ponte de Lima", onde constitui um repositório (completo) dos blogues centrados em problemáticas limianas (encontrará referência a este espaço). A revista terá periodicidade bimestral e anuncia um leque de colaboradores interessante.

quinta-feira, abril 19, 2007

Chapelarias em Ponte de Lima (II)



De acordo com o jornal O Independente, de 14 de Março de 1909, "o sr, Francisco Vasques Martins, proprietario da importante Chapelaria Progresso, sita á rua Boaventura José Vieira, acaba de installar no seu bem montado estabelecimento, que tem recebido, ultimamente, grandes melhoramentos, uma magnifica caldeira a vapor destinada ao prompto aquecimento dos ferros e rapida amoldação dos feltros".
[Fonte: O Independente, 14.03.1909 (ano 2º, nº 53); sobre a mesma chapelaria ver o nosso post de 10.11.2006]

sexta-feira, abril 13, 2007

Cheia no Rio Lima_1686 e 1875

O pároco de Vitorino das Donas registou, na página de abertura do livro de assento dos baptismos, a seguinte nota: "Aos 28 de Settembro de Seiscentos e oitenta e seis amanheceo o Rio Lima com a mayor chea q hos homês desta frgª acordavão" (ADVC, cota 3.16.1.46]. Quase duzentos anos depois, Pinho Leal registava: "ainda em novembro de 1875, encheu [o rio Lima]espantosamente, invadindo uma grande parte da povoação [de Ponte de Lima], chegando a entrar nas egrejas matriz e Misericordia, que ficam no centro da villa, e transformando em rios caudalosos algumas das suas ruas" (Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias, pág. 181).

sábado, abril 07, 2007

Pela Páscoa, poesia limiana.



SÁBADO DE ALELUIA

Meio dia de Abril. O sol a pino
Abraça com volúpia a natureza...
Ouve-se rir, ao longe, a voz dum sino...
É mais alegre a gente portuguesa!

Ressuscitou o filho de Maria,
Abrem as rosas brancas nos rosais
E tudo canta e sente a aleluia
Que pulsa e freme em torno dos casais!

Há pelo azul aromas perturbantes,
Em cada boca rubra ardem desejos
E o meu amor - a de olhos hesitantes -
Pede carícias longas, pede beijos!

Ressurreição divina! Aleluia!
Soa mais alto o nome do Senhor!
- Ah! não ser eu o filho de Maria
E tua a mãe de Cristo, meu amor!...

Teófilo Carneiro

[in Poesia e Outros Dispersos, edição de J. Cândido Martins, Guimarães: Opera Omnia, 2006, pág. 95]

quinta-feira, abril 05, 2007

Em Ponte de Lima quem é triste...



Em Ponte de Lima quem é triste bem mais abatido fica perante a alacridade da paisagem, porque ela, em toda a sua alegria palpitante, na viveza incomparável da sua estrídula garridice, parece rir-se com escárnio da nossa taciturnidade.
(Teófilo Carneiro)
[Fonte: jornal O Comércio do Lima, nº 267, 18 de Novembro de 1911, citado em J. Cândido Martins (ed.) - Téofilo Carneiro. Poesias e outros dispersos. Guimarães: Opera Omnia, 2006, pág. 224; foto: jcml, jardins temáticos]

quarta-feira, março 28, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (IX)

Os processos de anunciar um evento têm ao longo dos tempos variado. Em 1891, Manoel Antunes Faria fez publicar, em jornais, de Ponte de Lima, uma quadrícula com as letras O. N. M., procurando criar no leitor a curiosidade. Em Maio, desse mesmo ano, tudo era desvendado: "Um anuncio inegmatico com as iniciaes - O. N. M. que tem andado publicado no nosso jornal, foi ultimamente decifrado com a abertura do estabelecimento do nosso amigo e snr. Manoel Antunes Faria - ao Largo da Matriz - com o título do Novo Mundo" (A Voz do Lima, 30 de Maio de 1891).

[Sobre a mesma casa comercial veja-se o post "Anúncios de Ponte de Lima (IV)", publicado em Novembro de 2006.] [Agradeço a menção feita a este blogue e a um dos seus posts em http://pontedelima.blogspot.com/2007/03/sol-de-inverno-de-antnio-feij-em.html. E, já agora, parabéns ao seu autor pela actualidade que mantém no seu projecto - pontedelima.blogspot.com.]

sábado, março 24, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (VII)


A revista temática espanhola Arquitectura Viva apresenta, no contexto de um número dedicado à arquitectura em Portugal, intitulado Portugal panorámico. Geometría y "saudade" al borde del Atlántico, um texto de João Álvaro Rocha, autor da obra de requalificação do Calvário e do Posto de Turismo, ilustrado com fotografias de Luis Ferreira Alves e esquissos do arquitecto. Segundo o autor, e realizando uma tradução livre, "desenhou-se um itinerário urbano com episódios como os das películas em câmara lenta, através dos quais certos fragmentos da cidade histórica recuperam a sua primitiva coerência". Para ler por todos os interessados em arquitectura, bem como, por aqueles que procuram compreender melhor as opções de organização daquele espaço da vila preconizadas pelo autor do projecto. Aqui fica a referência: Arquitectura Viva, nº 109, 2006, pág. 76 e 77. Para ler o sumário da revista: http://www.arquitecturaviva.com/.

sexta-feira, março 16, 2007

Sol de Inverno de António Feijó na web

Tome nota: a obra Sol de Inverno (1922) de António Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, 1917) está disponível em versão digital (com múltiplas possibilidades de descarregamento) em http://manybooks.net/titles/feijoa1953219532-8.html, http://www.gutenberg.org/etext/19532 e http://purl.pt/5606.
Aqueles que se interessam pelo autor e preferem manusear um livro, não podem deixar de ver a obra organizada por Cândido Oliveira Martins: António Feijó, Poesias Dispersas e Inéditas. Porto: Caixotim, 2005 (prefácio, fixação do texto e introdução de Cândido Oliveira Martins).

segunda-feira, março 12, 2007

A propósito de um cartaz da Rádio Ponte de Lima

A publicação parcial de um cartaz publicitário da Rádio Ponte de Lima serve-nos de mote para mais uma sugestão de trabalho de investigação: a história e sociologia dos media locais.
Com o fôlego de pequenos textos, próprios de um blogue, publicaremos alguns contributos para esse projecto.

quarta-feira, março 07, 2007

Dominguez Alvarez e Ponte de Lima



Ponte de Lima está presente, enquanto tema, na produção pictórica de Dominguez Alvarez (Porto, 1906-1942), pintor de origem galega, cujo centenário ocorreu no ano passado e que foi evocado, entre Maio e Outubro, numa exposição realizada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, comissariada por Ana Vasconcelos e Melo e Emília Ferreira. Enquadrado no designado “segundo modernismo” português, José Cândido Dominguez Alvarez foi membro do grupo “Mais Além”, formado em 1929. Os jovens deste grupo, segundo Maria Leonor Barbosa Soares, afirmavam-se "marginais face ao ensino académico e à estética naturalista" e no seu Manifesto consideravam "a responsabilidade da arte na transformação da sociedade através do seu poder de interpelar e emocionar cada indivíduo tendo, por isso, a obrigação de ir "além" da pura mestria técnica". Faziam parte do grupo, além de Dominguez Alvarez, Adalberto Sampaio, Arménio Losa, Artur Justino Alves, Augusto Gomes, Cruz Lima, Fernando Leão, Fortunato Cabral, Januário Godinho, Laura Costa, Luís dos Reis Teixeira, Mário Cândido Morais Soares, Mendes da Silva e Ventura Porfírio. No catálogo organizado no âmbito da referida exposição encontramos a referência a um trabalho sobre Ponte de Lima (nº 158) que retrata uma vista dos seus arredores. Datado de 1940, o trabalho em óleo sobre papel colado em cartão, pertence a uma colecção particular. O catálogo inclui, ainda, na pág. 89, a reprodução de um dos desenhos constante nos cadernos de esboços que regista a feira de Ponte de Lima, usando grafite, aguarela e guache sobre papel (sem título). Estes albúns, pertencentes à colecção de Francisco Marques Pinto, até então inéditos, fizeram parte da mencionada exposição e resultam das suas viagens pelo norte de Portugal e Espanha. José Cândido Dominguez Alvarez teve um percurso artístico curto (falecerá com 36 anos, com tuberculose), contudo fértil, evidenciando-se o seu gosto por paisagens urbanas e rurais. Para os interessados, deixamos a referência bibliográfica de uma tese de doutoramento sobre Domiguez Alvarez, que está acessível na Biblioteca Nacional: Trinidad Muñoz, Antonio - Introducción al modernismo pictórico portugués: la originalidad de Domínguez Alvarez, 1906-1942 , Cáceres: [s.n.], 2003 [Tese doutoramento, Universidade de Extremadura, 2003].
[Fontes: catálogo da exposição "Dominguez Alvarez. 770, Rua da Vigorosa, Porto". Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2006; artigo intitulado "Pensando sobre o tema "em redor do século XX... Trajectos da pintura e da escultura". Apontamentos para um estudo conjunto, galego e português, sobre a prática artística com origem a norte do Douro", de Maria Leonor Barbosa Soares, publicado na Revista da Faculdade de Letras. Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2003, I Série vol. 2, pp. 615-640. Fotos: Autoretrato, óleo sobre cartão, 34.8x29, col. CAMJPA, FCG; reprodução da capa do catálogo acima referido].

sábado, março 03, 2007

Um Hino a Ponte de Lima

Recebemos no nosso email uma pequena nota informativa, lavrada por Carlos Gomes, sobre a gravação do Hino a Ponte de Lima, que reproduzimos na integra:

Ponte de Lima já possui a gravação do seu Hino. Finalmente!
Trata-se do poema "Ilha dos Amores" de António Feijó, com composição musical do Ten. Amílcar Morais. A revista "Anunciador das Feiras Novas" publicou o poema e a partitura numa das suas edições.
O Hino de Ponte de Lima esteve para ser gravado há dez anos, por ocasião das comemorações do X Aniversário da Casa do Concelho de Ponte de Lima. Com a devida autorização do então Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Ribeiro Pacheco, a execução deveria ter sido feita pela Banda da Armada. Aliás, chegou a ser notícia na Revista da Armada.
Decorridos dez anos, no momento em que a Casa do Concelho de Ponte de Lima assinala o XX Aniversário, eis que finalmente, o projecto é concretizado.
A sua execução coube à Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública e ao Orfeão Limiano.
A partir de agora, Ponte de Lima, as suas instituições culturais, desportivas, sociais e outras podem passar a utilizar o Hino de Ponte de Lima nas suas cerimónias oficiais. E os limianos podem, desde já, começar a aprender a cantá-lo, desde os bancos da escola, para que sintam orgulho na sua terra. Ao lado, está claro, d' A Portuguesa - o Hino Nacional - pois temos naturalmente orgulho em sermos portugueses! (Carlos Gomes)

Para os interessados, a letra e partitura do Hino foram publicados, sob a forma de reprodução, na edição do "O Anunciador das Feiras Novas" de 1987 (Ano IV, II série, nº IV), nas páginas 3 a 6, cuja capa reproduzimos.

Aproveitamos para destacar o comentário produzido por Carlos Gomes ao post sobre a Casa do Concelho de Ponte de Lima (publicado em 23.01.07), que produz um relato pessoal das comemorações do vigésimo aniversário daquela colectividade.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Carros e toques de corneta em Ponte de Lima

Publicamos uma pequena notícia, constante no jornal A Voz do Lima, de 6 de Maio de 1892 (6ºano, nº 296), que toma, hoje, feicção de curiosidade e carácter pitoresco, mas simultaneamente, permite-nos perceber o quotidiano urbano nos finais do século XIX: "Pede-se aos srs. conductores de carros, para não darem o signal de partida ou de chegada, o não façam tocando constantemente porque isso alarma deveras os moradores d'esta villa pelo facto de esse toque se coadunar com o alarme d'incendio, produzido pela corneta dos voluntarios d'esta villa, e mesmo porque a certas horas torna-se incommodativo. Esperamos ser attendidos".

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (VI)

[Excerto do prospecto da Exposição Itinerante "Habitar Portugal 2000.2002", organização da Ordem dos Arquitectos, onde surge, com o número 49, o Mercado Municipal de Ponte de Lima, projectado pelo arquitecto José Guedes Cruz]
Para memória, reproduzimos o texto da autoria de José António Bandeirinha, constante no mesmo prospecto, que justifica a selecção destes trabalhos: "(...) Era necessário escolher obras abertas ao público, que, através desta escolha, fossem publicitadas, para poderem vir a acolher ainda mais público. Esse mesmo público, que as olha como espaços da funcionalidade quotidiana, é então convidado a apreciá-las como obras de Arquitectura. (...) Do litoral para o interior, foram escolhidas obras em Viana do Castelo, Santo Tirso, Ponte de Lima, Braga [três], Guimarães [duas], Vila Real e Peso da Régua. Cinco dessas obras são de promoção privada, quatro são de promoção pública e uma é de promoção mista. Nenhuma delas será um marco de referência absoluta, nenhuma irá, sequer, assumir qualquer tipo de valor modelar perante os sistemas de imitatio que regulam as práticas arquitectónicas. Também não têm essa ambição e essa é, porventura, a sua primeira grande virtude. São apenas isso, dez obras que, por razões muito diversas entre si, têm um significado representativo da Arquitectura praticada naquele território, durante um determinado espaço de tempo. (...) São projectos que, independentemente da radical diferença dos contextos, elegeram como tema primordial a procura do equilíbrio entre a resposta ao programa e a consolidação da ordem urbana. (...) Dez obras. Dez obras evocadas com o propósito de celebração do Ano Nacional da Arquitectura 2003. Dez obras seleccionadas em circunscrição que não podia ser mais clara: localização nos distritos a norte do Douro, excepto Área Metropolitana do Porto, acabadas, ou inauguradas, entre 1 de Janeiro de 2000 e 31 de Dezembro de 2002. Ei-las."

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e o Carnaval_1908 e 1922-25


O Carnaval de 1922 decorreu, em Ponte de Lima, “sem entusiasmo algum”. Segundo o jornal Cardeal Saraiva “apenas o baile de terça feira sobressaiu pela concorrência que teve” (Cardeal Saraiva, 2 de Março de 1922). O discurso da decrepitude do Carnaval não era novo, mas os anos vinte parecem particularmente insatisfeitos com a forma como decorrem aqueles festejos. Em 1923, o jornal Rio Lima registava que “o Carnaval, ano a ano vai perdendo a sua alegria e esses tradicionais dias de alegria e folguedo, quasi se tornam um parêntesis de tristeza e ociosidade na rotina do trabalho” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Como fazem notar os jornalistas, o centro da diversão é o Teatro Diogo de Bernardes: “entre nós, pelas ruas, quasi não se deu pela sua passagem, apenas os bailes do teatro tiveram a habitual animação” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Em 1925, como referimos no nosso post de 17.01.07, João Seara, vende serpentinas, “lança perfumes” e “confeti” no interior do Teatro (Rio Lima, 22 de Fevereiro de 1925). Já em 1908, os cronistas locais faziam referência à regularidade do concurso aos bailes que ali se realizavam, numa sã rivalidade com os levados a efeito “num salão dos baixos da casa do Sr. Joaquim Valle, no Arrabalde, para tal fim alugado a uma comissão” (Eco do Lima, 23 de Fevereiro de 1908). “As commodidades que o Theatro proporciona” seriam, para o articulista limiano, “garantia de uma grande concorrência do nosso povo folgosão que alli procurará recreio durante algumas horas” (Eco do Lima, 1 de Março de 1908). No sentido de incentivar a presença de mascarados, a comissão organizadora anunciava um prémio “ao melhor mascara que se apresente”: uma aliança de ouro (Eco do Lima, 1 de Março de 1908).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A Batalha da Jutlândia no Teatro Diogo Bernardes




Em Maio de 1922, o jornal Cardeal Saraiva anunciava a exibição dos filmes "Por Amor", "No Electrico", "Maldito Disfarce" e "Batalha de Jutlandia". Este último retratava o histórico combate naval entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, que teve lugar em 31 de Maio de 1916. A batalha inconclusiva é um dos momentos militares mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A frota britância perdeu catorze navios e a alemã onze vasos de guerra. Os Ingleses, contudo, mantiveram o controlo do Mar do Norte, palco do confronto.
O filme exibido terá sido, muito provavelmente, da autoria de Bruce Woolfe (1888-1965), produtor e realizador inglês. Trata-se de uma curta metragem, de 1921, muda, a preto e branco. Segundo o sítio http://www.navynews.co.uk/cinema/realengagements.asp, o filme teria trinta minutos e seria "the first of a number of features made by British Instructional Films about major land and sea engagements of WW1, using archive material, animated maps and specially shot scenes". No fundo, tratar-se-ia mais de um documentário, que na época eram comuns, nas telas do cinema. A "actualidade" ia chegando a Ponte de Lima.


[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, 25 de Maio de 1922; sítio referido no corpo do texto e http://www.imdb.com/title/tt0264398/ (ficha técnica do filme "A Batalha da Jutlândia", de H. Bruce Woolfe); foto: imagem da época retratando o combate naval]

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Octavio Feuillet e Vidocq no Teatro Diogo Bernardes



O jornal Cardeal Saraiva, na edição de 20 de Julho de 1924, anunciava a apresentação no Teatro Diogo Bernardes do "drama de Octavo (sic) Feuillet", segundo a versão de Camilo Castelo Branco, intitulado "A história de um rapaz pobre". Octavio Feuillet (1821-1890) foi um romancista e dramaturgo francês, escritor popular na segunda metade do século XIX. O seu trabalho revela um carácter burguês e moralista que era, na época, do agrado geral, uma vez que, como afirmou Gustave Flaubert "la basse classe croit que la haute classe est comme ça" (a classe popular crê que a classe alta é assim) e "la haute classe se voit là-dedans comme elle voudrait être" (a classe alta vê-se lá dentro como gostaria de ser). "Le roman d’un jeune homme pauvre" (1858) foi traduzido por Camilo Castelo Branco e editado pela António Maria Pereira, em 1907, numa edição popular. A capa que reproduzimos é de uma edição posterior da responsabilidade da Livraria Civilização, de 1959. O fulcro da narrativa é, como não poderia deixar de ser, atendendo ao contexto da época, um amor desencontrado, carregado de dramatismo, que termina num final feliz. A obra terá tido tradução em oito filmes, sendo o mais recente de Ettore Scola (1995).



No mesmo ano, em Novembro e Dezembro, foram exibidas fitas com o título "Vidocq", cognominado pela imprensa local, como "o rei dos policias". Eugène-François Vidocq (1775-1857) é uma figura histórica, com uma biografia pontuada pela aventura, particularmente marcante no imaginário popular francês. Não sabemos que filme foi exibido: há uma curta metragem de 1909, de Gerárd Bourgeois, e um trabalho de 1922, de Jean Kemmin, cuja exibição julgamos mais plausível, uma vez que a notícia de Dezembro, aponta para o fraccionamento em episódios. O cartaz que reproduzimos é desta última produção, da Pathé Consortium Cinéma. O filme foi exibido na mesma sessão em que se viu "Charlot nas trincheiras", a que nos referimos em post anterior (29.12.2006).
[Fontes: jornal Cardeal Saraiva de 20 de Julho, 23 de Novembro e 7 de Dezembro de 1924; sítio http://fvidocq.free.fr/menudyn.html. Edições referidas no texto: Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: António Maria Pereira, 1907. Trad. Camilo Castelo Branco. Edição popular. Obras de Camilo Castelo Branco. 66; Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: Livraria Civilização, 1959, Colecção Civilização (de que reproduzimos a capa); fotos: retrato de Octave Feuillet, capa do livro citado, cartaz do filme de Ettore Scola (1995); retrato de Eugène-François Vidocq, cartaz do filme de 1922, de Jean Kemmin]

sábado, janeiro 27, 2007

Sanhudo, Mâncio e Laerte

Em 1999, publicamos um artigo sobre os caricaturistas limianos Sebastião Sanhudo (1851-1901) e Alfredo Mâncio (1868-1905), na revista "O Anunciador das Feiras Novas" (ano XVI). Nele traçamos alguns contornos biográficos e abordamos algumas das questões estéticas da respectiva produção artística.
Aqueles que estejam interessados em fazer uma leitura integral podem aceder à página http://anunciadordasfeirasnovas.planetaclix.pt/caricaturistaspontedelima.html.

Ponte de Lima tem neste campo das artes um legado que não merece displicência. No texto do prospecto de uma exposição sobre Sebastião Sanhudo, promovida pelo Museu Nacional de Imprensa (Porto), há alguns anos, na Torre da Cadeia Velha, Luis Humberto Marques, seu director, sugeria que a toponímia de Ponte de Lima e do Porto registassem o nome daquele caricaturista. Consultei o levantamento toponímico de Ponte de Lima elaborado por António José Baptista e verifiquei que essa sugestão não foi ainda tida em atenção (a menos que a decisão tenha sido posterior àquela publicação, 2001). Se, efectivamente, Sebastião Sanhudo não tem ainda lugar na toponímia local, aqui fica o repto. Julgamos que Alfredo Mâncio é digno de semelhante registo na memória toponómica da vila. Este para além do seu trabalho como caricaturista e, fora do âmbito das publicações de pendor humorista, fundará O Commercio, onde, segundo Júlio de Lemos, “advogava, com a calorosa devoção de um verdadeiro limarense, os interesses vitaes da nossa terra natalicia” (Cf. Notícias de Coura e Valença, 4 de Janeiro de 1906, nº 21, ano I). Esta sugestão não invalida que se pense noutras formas de recordar estas (e outras) figuras da história de Ponte de Lima. Creio que seria de toda a relevância introduzir no currículo escolar uma dimensão local e que muito desse trabalho poderia passar pelo primeiro ciclo, onde se percebe maior flexibilidade na gestão dos programas (se não concretizada na prática, possível na teoria). Não estamos a pensar numa simples exposição cuja efemeridade inviabilizaria um trabalho sistemático e a longo prazo, capaz de suscitar nas novas gerações o prazer de conhecer melhor a realidade local, mas num projecto construído e sustentado nas escolas, na autarquia e noutros agentes culturais locais.

Voltando-nos para o presente, não deixa de ser interessante notar que um dos caricaturistas mais conhecidos no Brasil seja descendente de limianos. O próprio, Laerte Coutinho, o afirma numa nota biográfica do sítio da Devir: "Nasci em 10 de junho de 1951 e me chamo Laerte Coutinho. Minha familia tem um pé em Portugal, meu bisavô Miguel veio de Ponte de Lima" (Cf. http://www.devir.com.br/hqs/laerte.php). Se quiser conhecer melhor este autor de "quadradinhos" consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Laerte_Coutinho ou o seu sítio oficial http://www.laerte.com.br/.



[Fontes: as mencionadas no texto e António José Baptista - Toponímia de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Câmara Municipal de Ponte de Lima, 2001; Ilustrações: reprodução da primeira página de "O Sorvete"; do interior do prospecto mencionado no texto e de um retrato sobre a forma de desenho de Laerte Coutinho]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

"Errare é umano"_coleccionando erros sobre Ponte de Lima

Todos erramos, pelo que ao iniciar este exercício não temos a veleidade de nos colocar no cume da montanha com olhar de predador ou de inquisidor, mas, simplesmente, notar fragilidades, erros e omissões que nos venham "ter às mãos" relacionados com Ponte de Lima e contribuir, pela sua identificação, para a correcção. Saberemos olhar para o nosso umbigo e, nessa medida, quando tomarmos noção de erros por nós cometidos, aqui estaremos para os corrigir.

Para começar, um erro encontrado num artigo da revista electrónica "Pensar IberoAmérica - Revista de Cultura", intitulado "A cultura e os media em Portugal (uma análise interpretativa)" de Armando Teixeira Carneiro, doutor em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade Pontificia de Salamanca (Espanha) e professor do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração de Aveiro (Portugal), de acordo com a nota curricular que o encerra. Segundo o autor, "Portugal detém dois importantes títulos na Europa: de forma continuada o diário mais antigo europeu é o Açoriano Oriental, de Ponta Delgada, São Miguel, Açores, e o semanário mais antigo europeu é a Aurora do Lima, de Ponte de Lima, Minho" (Cf. nota de rodapé nº 26; sublinhado nosso). Ora como sabemos o jornal A Aurora do Lima é uma publicação vianense, fundada em 1855, pelo que a redacção correcta seria: "e o semanário mais antigo europeu é "A Aurora do Lima", de Viana do Castelo, Minho". O erro, que talvez decorra da confusão associada ao topónimo "Lima", não interfere significativamente no corpo do artigo e não retira ao seu teor qualquer validade. Contudo, fica aqui a nota de correcção.

O referido artigo pode ser lido em http://www.oei.es/pensariberoamerica/ric05a03b.htm#1a.

faces da revista