quinta-feira, abril 19, 2007

Chapelarias em Ponte de Lima (II)



De acordo com o jornal O Independente, de 14 de Março de 1909, "o sr, Francisco Vasques Martins, proprietario da importante Chapelaria Progresso, sita á rua Boaventura José Vieira, acaba de installar no seu bem montado estabelecimento, que tem recebido, ultimamente, grandes melhoramentos, uma magnifica caldeira a vapor destinada ao prompto aquecimento dos ferros e rapida amoldação dos feltros".
[Fonte: O Independente, 14.03.1909 (ano 2º, nº 53); sobre a mesma chapelaria ver o nosso post de 10.11.2006]

sexta-feira, abril 13, 2007

Cheia no Rio Lima_1686 e 1875

O pároco de Vitorino das Donas registou, na página de abertura do livro de assento dos baptismos, a seguinte nota: "Aos 28 de Settembro de Seiscentos e oitenta e seis amanheceo o Rio Lima com a mayor chea q hos homês desta frgª acordavão" (ADVC, cota 3.16.1.46]. Quase duzentos anos depois, Pinho Leal registava: "ainda em novembro de 1875, encheu [o rio Lima]espantosamente, invadindo uma grande parte da povoação [de Ponte de Lima], chegando a entrar nas egrejas matriz e Misericordia, que ficam no centro da villa, e transformando em rios caudalosos algumas das suas ruas" (Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias, pág. 181).

sábado, abril 07, 2007

Pela Páscoa, poesia limiana.



SÁBADO DE ALELUIA

Meio dia de Abril. O sol a pino
Abraça com volúpia a natureza...
Ouve-se rir, ao longe, a voz dum sino...
É mais alegre a gente portuguesa!

Ressuscitou o filho de Maria,
Abrem as rosas brancas nos rosais
E tudo canta e sente a aleluia
Que pulsa e freme em torno dos casais!

Há pelo azul aromas perturbantes,
Em cada boca rubra ardem desejos
E o meu amor - a de olhos hesitantes -
Pede carícias longas, pede beijos!

Ressurreição divina! Aleluia!
Soa mais alto o nome do Senhor!
- Ah! não ser eu o filho de Maria
E tua a mãe de Cristo, meu amor!...

Teófilo Carneiro

[in Poesia e Outros Dispersos, edição de J. Cândido Martins, Guimarães: Opera Omnia, 2006, pág. 95]

quinta-feira, abril 05, 2007

Em Ponte de Lima quem é triste...



Em Ponte de Lima quem é triste bem mais abatido fica perante a alacridade da paisagem, porque ela, em toda a sua alegria palpitante, na viveza incomparável da sua estrídula garridice, parece rir-se com escárnio da nossa taciturnidade.
(Teófilo Carneiro)
[Fonte: jornal O Comércio do Lima, nº 267, 18 de Novembro de 1911, citado em J. Cândido Martins (ed.) - Téofilo Carneiro. Poesias e outros dispersos. Guimarães: Opera Omnia, 2006, pág. 224; foto: jcml, jardins temáticos]

quarta-feira, março 28, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (IX)

Os processos de anunciar um evento têm ao longo dos tempos variado. Em 1891, Manoel Antunes Faria fez publicar, em jornais, de Ponte de Lima, uma quadrícula com as letras O. N. M., procurando criar no leitor a curiosidade. Em Maio, desse mesmo ano, tudo era desvendado: "Um anuncio inegmatico com as iniciaes - O. N. M. que tem andado publicado no nosso jornal, foi ultimamente decifrado com a abertura do estabelecimento do nosso amigo e snr. Manoel Antunes Faria - ao Largo da Matriz - com o título do Novo Mundo" (A Voz do Lima, 30 de Maio de 1891).

[Sobre a mesma casa comercial veja-se o post "Anúncios de Ponte de Lima (IV)", publicado em Novembro de 2006.] [Agradeço a menção feita a este blogue e a um dos seus posts em http://pontedelima.blogspot.com/2007/03/sol-de-inverno-de-antnio-feij-em.html. E, já agora, parabéns ao seu autor pela actualidade que mantém no seu projecto - pontedelima.blogspot.com.]

sábado, março 24, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (VII)


A revista temática espanhola Arquitectura Viva apresenta, no contexto de um número dedicado à arquitectura em Portugal, intitulado Portugal panorámico. Geometría y "saudade" al borde del Atlántico, um texto de João Álvaro Rocha, autor da obra de requalificação do Calvário e do Posto de Turismo, ilustrado com fotografias de Luis Ferreira Alves e esquissos do arquitecto. Segundo o autor, e realizando uma tradução livre, "desenhou-se um itinerário urbano com episódios como os das películas em câmara lenta, através dos quais certos fragmentos da cidade histórica recuperam a sua primitiva coerência". Para ler por todos os interessados em arquitectura, bem como, por aqueles que procuram compreender melhor as opções de organização daquele espaço da vila preconizadas pelo autor do projecto. Aqui fica a referência: Arquitectura Viva, nº 109, 2006, pág. 76 e 77. Para ler o sumário da revista: http://www.arquitecturaviva.com/.

sexta-feira, março 16, 2007

Sol de Inverno de António Feijó na web

Tome nota: a obra Sol de Inverno (1922) de António Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, 1917) está disponível em versão digital (com múltiplas possibilidades de descarregamento) em http://manybooks.net/titles/feijoa1953219532-8.html, http://www.gutenberg.org/etext/19532 e http://purl.pt/5606.
Aqueles que se interessam pelo autor e preferem manusear um livro, não podem deixar de ver a obra organizada por Cândido Oliveira Martins: António Feijó, Poesias Dispersas e Inéditas. Porto: Caixotim, 2005 (prefácio, fixação do texto e introdução de Cândido Oliveira Martins).

segunda-feira, março 12, 2007

A propósito de um cartaz da Rádio Ponte de Lima

A publicação parcial de um cartaz publicitário da Rádio Ponte de Lima serve-nos de mote para mais uma sugestão de trabalho de investigação: a história e sociologia dos media locais.
Com o fôlego de pequenos textos, próprios de um blogue, publicaremos alguns contributos para esse projecto.

quarta-feira, março 07, 2007

Dominguez Alvarez e Ponte de Lima



Ponte de Lima está presente, enquanto tema, na produção pictórica de Dominguez Alvarez (Porto, 1906-1942), pintor de origem galega, cujo centenário ocorreu no ano passado e que foi evocado, entre Maio e Outubro, numa exposição realizada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, comissariada por Ana Vasconcelos e Melo e Emília Ferreira. Enquadrado no designado “segundo modernismo” português, José Cândido Dominguez Alvarez foi membro do grupo “Mais Além”, formado em 1929. Os jovens deste grupo, segundo Maria Leonor Barbosa Soares, afirmavam-se "marginais face ao ensino académico e à estética naturalista" e no seu Manifesto consideravam "a responsabilidade da arte na transformação da sociedade através do seu poder de interpelar e emocionar cada indivíduo tendo, por isso, a obrigação de ir "além" da pura mestria técnica". Faziam parte do grupo, além de Dominguez Alvarez, Adalberto Sampaio, Arménio Losa, Artur Justino Alves, Augusto Gomes, Cruz Lima, Fernando Leão, Fortunato Cabral, Januário Godinho, Laura Costa, Luís dos Reis Teixeira, Mário Cândido Morais Soares, Mendes da Silva e Ventura Porfírio. No catálogo organizado no âmbito da referida exposição encontramos a referência a um trabalho sobre Ponte de Lima (nº 158) que retrata uma vista dos seus arredores. Datado de 1940, o trabalho em óleo sobre papel colado em cartão, pertence a uma colecção particular. O catálogo inclui, ainda, na pág. 89, a reprodução de um dos desenhos constante nos cadernos de esboços que regista a feira de Ponte de Lima, usando grafite, aguarela e guache sobre papel (sem título). Estes albúns, pertencentes à colecção de Francisco Marques Pinto, até então inéditos, fizeram parte da mencionada exposição e resultam das suas viagens pelo norte de Portugal e Espanha. José Cândido Dominguez Alvarez teve um percurso artístico curto (falecerá com 36 anos, com tuberculose), contudo fértil, evidenciando-se o seu gosto por paisagens urbanas e rurais. Para os interessados, deixamos a referência bibliográfica de uma tese de doutoramento sobre Domiguez Alvarez, que está acessível na Biblioteca Nacional: Trinidad Muñoz, Antonio - Introducción al modernismo pictórico portugués: la originalidad de Domínguez Alvarez, 1906-1942 , Cáceres: [s.n.], 2003 [Tese doutoramento, Universidade de Extremadura, 2003].
[Fontes: catálogo da exposição "Dominguez Alvarez. 770, Rua da Vigorosa, Porto". Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2006; artigo intitulado "Pensando sobre o tema "em redor do século XX... Trajectos da pintura e da escultura". Apontamentos para um estudo conjunto, galego e português, sobre a prática artística com origem a norte do Douro", de Maria Leonor Barbosa Soares, publicado na Revista da Faculdade de Letras. Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2003, I Série vol. 2, pp. 615-640. Fotos: Autoretrato, óleo sobre cartão, 34.8x29, col. CAMJPA, FCG; reprodução da capa do catálogo acima referido].

sábado, março 03, 2007

Um Hino a Ponte de Lima

Recebemos no nosso email uma pequena nota informativa, lavrada por Carlos Gomes, sobre a gravação do Hino a Ponte de Lima, que reproduzimos na integra:

Ponte de Lima já possui a gravação do seu Hino. Finalmente!
Trata-se do poema "Ilha dos Amores" de António Feijó, com composição musical do Ten. Amílcar Morais. A revista "Anunciador das Feiras Novas" publicou o poema e a partitura numa das suas edições.
O Hino de Ponte de Lima esteve para ser gravado há dez anos, por ocasião das comemorações do X Aniversário da Casa do Concelho de Ponte de Lima. Com a devida autorização do então Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Ribeiro Pacheco, a execução deveria ter sido feita pela Banda da Armada. Aliás, chegou a ser notícia na Revista da Armada.
Decorridos dez anos, no momento em que a Casa do Concelho de Ponte de Lima assinala o XX Aniversário, eis que finalmente, o projecto é concretizado.
A sua execução coube à Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública e ao Orfeão Limiano.
A partir de agora, Ponte de Lima, as suas instituições culturais, desportivas, sociais e outras podem passar a utilizar o Hino de Ponte de Lima nas suas cerimónias oficiais. E os limianos podem, desde já, começar a aprender a cantá-lo, desde os bancos da escola, para que sintam orgulho na sua terra. Ao lado, está claro, d' A Portuguesa - o Hino Nacional - pois temos naturalmente orgulho em sermos portugueses! (Carlos Gomes)

Para os interessados, a letra e partitura do Hino foram publicados, sob a forma de reprodução, na edição do "O Anunciador das Feiras Novas" de 1987 (Ano IV, II série, nº IV), nas páginas 3 a 6, cuja capa reproduzimos.

Aproveitamos para destacar o comentário produzido por Carlos Gomes ao post sobre a Casa do Concelho de Ponte de Lima (publicado em 23.01.07), que produz um relato pessoal das comemorações do vigésimo aniversário daquela colectividade.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Carros e toques de corneta em Ponte de Lima

Publicamos uma pequena notícia, constante no jornal A Voz do Lima, de 6 de Maio de 1892 (6ºano, nº 296), que toma, hoje, feicção de curiosidade e carácter pitoresco, mas simultaneamente, permite-nos perceber o quotidiano urbano nos finais do século XIX: "Pede-se aos srs. conductores de carros, para não darem o signal de partida ou de chegada, o não façam tocando constantemente porque isso alarma deveras os moradores d'esta villa pelo facto de esse toque se coadunar com o alarme d'incendio, produzido pela corneta dos voluntarios d'esta villa, e mesmo porque a certas horas torna-se incommodativo. Esperamos ser attendidos".

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (VI)

[Excerto do prospecto da Exposição Itinerante "Habitar Portugal 2000.2002", organização da Ordem dos Arquitectos, onde surge, com o número 49, o Mercado Municipal de Ponte de Lima, projectado pelo arquitecto José Guedes Cruz]
Para memória, reproduzimos o texto da autoria de José António Bandeirinha, constante no mesmo prospecto, que justifica a selecção destes trabalhos: "(...) Era necessário escolher obras abertas ao público, que, através desta escolha, fossem publicitadas, para poderem vir a acolher ainda mais público. Esse mesmo público, que as olha como espaços da funcionalidade quotidiana, é então convidado a apreciá-las como obras de Arquitectura. (...) Do litoral para o interior, foram escolhidas obras em Viana do Castelo, Santo Tirso, Ponte de Lima, Braga [três], Guimarães [duas], Vila Real e Peso da Régua. Cinco dessas obras são de promoção privada, quatro são de promoção pública e uma é de promoção mista. Nenhuma delas será um marco de referência absoluta, nenhuma irá, sequer, assumir qualquer tipo de valor modelar perante os sistemas de imitatio que regulam as práticas arquitectónicas. Também não têm essa ambição e essa é, porventura, a sua primeira grande virtude. São apenas isso, dez obras que, por razões muito diversas entre si, têm um significado representativo da Arquitectura praticada naquele território, durante um determinado espaço de tempo. (...) São projectos que, independentemente da radical diferença dos contextos, elegeram como tema primordial a procura do equilíbrio entre a resposta ao programa e a consolidação da ordem urbana. (...) Dez obras. Dez obras evocadas com o propósito de celebração do Ano Nacional da Arquitectura 2003. Dez obras seleccionadas em circunscrição que não podia ser mais clara: localização nos distritos a norte do Douro, excepto Área Metropolitana do Porto, acabadas, ou inauguradas, entre 1 de Janeiro de 2000 e 31 de Dezembro de 2002. Ei-las."

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e o Carnaval_1908 e 1922-25


O Carnaval de 1922 decorreu, em Ponte de Lima, “sem entusiasmo algum”. Segundo o jornal Cardeal Saraiva “apenas o baile de terça feira sobressaiu pela concorrência que teve” (Cardeal Saraiva, 2 de Março de 1922). O discurso da decrepitude do Carnaval não era novo, mas os anos vinte parecem particularmente insatisfeitos com a forma como decorrem aqueles festejos. Em 1923, o jornal Rio Lima registava que “o Carnaval, ano a ano vai perdendo a sua alegria e esses tradicionais dias de alegria e folguedo, quasi se tornam um parêntesis de tristeza e ociosidade na rotina do trabalho” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Como fazem notar os jornalistas, o centro da diversão é o Teatro Diogo de Bernardes: “entre nós, pelas ruas, quasi não se deu pela sua passagem, apenas os bailes do teatro tiveram a habitual animação” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Em 1925, como referimos no nosso post de 17.01.07, João Seara, vende serpentinas, “lança perfumes” e “confeti” no interior do Teatro (Rio Lima, 22 de Fevereiro de 1925). Já em 1908, os cronistas locais faziam referência à regularidade do concurso aos bailes que ali se realizavam, numa sã rivalidade com os levados a efeito “num salão dos baixos da casa do Sr. Joaquim Valle, no Arrabalde, para tal fim alugado a uma comissão” (Eco do Lima, 23 de Fevereiro de 1908). “As commodidades que o Theatro proporciona” seriam, para o articulista limiano, “garantia de uma grande concorrência do nosso povo folgosão que alli procurará recreio durante algumas horas” (Eco do Lima, 1 de Março de 1908). No sentido de incentivar a presença de mascarados, a comissão organizadora anunciava um prémio “ao melhor mascara que se apresente”: uma aliança de ouro (Eco do Lima, 1 de Março de 1908).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A Batalha da Jutlândia no Teatro Diogo Bernardes




Em Maio de 1922, o jornal Cardeal Saraiva anunciava a exibição dos filmes "Por Amor", "No Electrico", "Maldito Disfarce" e "Batalha de Jutlandia". Este último retratava o histórico combate naval entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, que teve lugar em 31 de Maio de 1916. A batalha inconclusiva é um dos momentos militares mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A frota britância perdeu catorze navios e a alemã onze vasos de guerra. Os Ingleses, contudo, mantiveram o controlo do Mar do Norte, palco do confronto.
O filme exibido terá sido, muito provavelmente, da autoria de Bruce Woolfe (1888-1965), produtor e realizador inglês. Trata-se de uma curta metragem, de 1921, muda, a preto e branco. Segundo o sítio http://www.navynews.co.uk/cinema/realengagements.asp, o filme teria trinta minutos e seria "the first of a number of features made by British Instructional Films about major land and sea engagements of WW1, using archive material, animated maps and specially shot scenes". No fundo, tratar-se-ia mais de um documentário, que na época eram comuns, nas telas do cinema. A "actualidade" ia chegando a Ponte de Lima.


[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, 25 de Maio de 1922; sítio referido no corpo do texto e http://www.imdb.com/title/tt0264398/ (ficha técnica do filme "A Batalha da Jutlândia", de H. Bruce Woolfe); foto: imagem da época retratando o combate naval]

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Octavio Feuillet e Vidocq no Teatro Diogo Bernardes



O jornal Cardeal Saraiva, na edição de 20 de Julho de 1924, anunciava a apresentação no Teatro Diogo Bernardes do "drama de Octavo (sic) Feuillet", segundo a versão de Camilo Castelo Branco, intitulado "A história de um rapaz pobre". Octavio Feuillet (1821-1890) foi um romancista e dramaturgo francês, escritor popular na segunda metade do século XIX. O seu trabalho revela um carácter burguês e moralista que era, na época, do agrado geral, uma vez que, como afirmou Gustave Flaubert "la basse classe croit que la haute classe est comme ça" (a classe popular crê que a classe alta é assim) e "la haute classe se voit là-dedans comme elle voudrait être" (a classe alta vê-se lá dentro como gostaria de ser). "Le roman d’un jeune homme pauvre" (1858) foi traduzido por Camilo Castelo Branco e editado pela António Maria Pereira, em 1907, numa edição popular. A capa que reproduzimos é de uma edição posterior da responsabilidade da Livraria Civilização, de 1959. O fulcro da narrativa é, como não poderia deixar de ser, atendendo ao contexto da época, um amor desencontrado, carregado de dramatismo, que termina num final feliz. A obra terá tido tradução em oito filmes, sendo o mais recente de Ettore Scola (1995).



No mesmo ano, em Novembro e Dezembro, foram exibidas fitas com o título "Vidocq", cognominado pela imprensa local, como "o rei dos policias". Eugène-François Vidocq (1775-1857) é uma figura histórica, com uma biografia pontuada pela aventura, particularmente marcante no imaginário popular francês. Não sabemos que filme foi exibido: há uma curta metragem de 1909, de Gerárd Bourgeois, e um trabalho de 1922, de Jean Kemmin, cuja exibição julgamos mais plausível, uma vez que a notícia de Dezembro, aponta para o fraccionamento em episódios. O cartaz que reproduzimos é desta última produção, da Pathé Consortium Cinéma. O filme foi exibido na mesma sessão em que se viu "Charlot nas trincheiras", a que nos referimos em post anterior (29.12.2006).
[Fontes: jornal Cardeal Saraiva de 20 de Julho, 23 de Novembro e 7 de Dezembro de 1924; sítio http://fvidocq.free.fr/menudyn.html. Edições referidas no texto: Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: António Maria Pereira, 1907. Trad. Camilo Castelo Branco. Edição popular. Obras de Camilo Castelo Branco. 66; Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: Livraria Civilização, 1959, Colecção Civilização (de que reproduzimos a capa); fotos: retrato de Octave Feuillet, capa do livro citado, cartaz do filme de Ettore Scola (1995); retrato de Eugène-François Vidocq, cartaz do filme de 1922, de Jean Kemmin]

sábado, janeiro 27, 2007

Sanhudo, Mâncio e Laerte

Em 1999, publicamos um artigo sobre os caricaturistas limianos Sebastião Sanhudo (1851-1901) e Alfredo Mâncio (1868-1905), na revista "O Anunciador das Feiras Novas" (ano XVI). Nele traçamos alguns contornos biográficos e abordamos algumas das questões estéticas da respectiva produção artística.
Aqueles que estejam interessados em fazer uma leitura integral podem aceder à página http://anunciadordasfeirasnovas.planetaclix.pt/caricaturistaspontedelima.html.

Ponte de Lima tem neste campo das artes um legado que não merece displicência. No texto do prospecto de uma exposição sobre Sebastião Sanhudo, promovida pelo Museu Nacional de Imprensa (Porto), há alguns anos, na Torre da Cadeia Velha, Luis Humberto Marques, seu director, sugeria que a toponímia de Ponte de Lima e do Porto registassem o nome daquele caricaturista. Consultei o levantamento toponímico de Ponte de Lima elaborado por António José Baptista e verifiquei que essa sugestão não foi ainda tida em atenção (a menos que a decisão tenha sido posterior àquela publicação, 2001). Se, efectivamente, Sebastião Sanhudo não tem ainda lugar na toponímia local, aqui fica o repto. Julgamos que Alfredo Mâncio é digno de semelhante registo na memória toponómica da vila. Este para além do seu trabalho como caricaturista e, fora do âmbito das publicações de pendor humorista, fundará O Commercio, onde, segundo Júlio de Lemos, “advogava, com a calorosa devoção de um verdadeiro limarense, os interesses vitaes da nossa terra natalicia” (Cf. Notícias de Coura e Valença, 4 de Janeiro de 1906, nº 21, ano I). Esta sugestão não invalida que se pense noutras formas de recordar estas (e outras) figuras da história de Ponte de Lima. Creio que seria de toda a relevância introduzir no currículo escolar uma dimensão local e que muito desse trabalho poderia passar pelo primeiro ciclo, onde se percebe maior flexibilidade na gestão dos programas (se não concretizada na prática, possível na teoria). Não estamos a pensar numa simples exposição cuja efemeridade inviabilizaria um trabalho sistemático e a longo prazo, capaz de suscitar nas novas gerações o prazer de conhecer melhor a realidade local, mas num projecto construído e sustentado nas escolas, na autarquia e noutros agentes culturais locais.

Voltando-nos para o presente, não deixa de ser interessante notar que um dos caricaturistas mais conhecidos no Brasil seja descendente de limianos. O próprio, Laerte Coutinho, o afirma numa nota biográfica do sítio da Devir: "Nasci em 10 de junho de 1951 e me chamo Laerte Coutinho. Minha familia tem um pé em Portugal, meu bisavô Miguel veio de Ponte de Lima" (Cf. http://www.devir.com.br/hqs/laerte.php). Se quiser conhecer melhor este autor de "quadradinhos" consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Laerte_Coutinho ou o seu sítio oficial http://www.laerte.com.br/.



[Fontes: as mencionadas no texto e António José Baptista - Toponímia de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Câmara Municipal de Ponte de Lima, 2001; Ilustrações: reprodução da primeira página de "O Sorvete"; do interior do prospecto mencionado no texto e de um retrato sobre a forma de desenho de Laerte Coutinho]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

"Errare é umano"_coleccionando erros sobre Ponte de Lima

Todos erramos, pelo que ao iniciar este exercício não temos a veleidade de nos colocar no cume da montanha com olhar de predador ou de inquisidor, mas, simplesmente, notar fragilidades, erros e omissões que nos venham "ter às mãos" relacionados com Ponte de Lima e contribuir, pela sua identificação, para a correcção. Saberemos olhar para o nosso umbigo e, nessa medida, quando tomarmos noção de erros por nós cometidos, aqui estaremos para os corrigir.

Para começar, um erro encontrado num artigo da revista electrónica "Pensar IberoAmérica - Revista de Cultura", intitulado "A cultura e os media em Portugal (uma análise interpretativa)" de Armando Teixeira Carneiro, doutor em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade Pontificia de Salamanca (Espanha) e professor do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração de Aveiro (Portugal), de acordo com a nota curricular que o encerra. Segundo o autor, "Portugal detém dois importantes títulos na Europa: de forma continuada o diário mais antigo europeu é o Açoriano Oriental, de Ponta Delgada, São Miguel, Açores, e o semanário mais antigo europeu é a Aurora do Lima, de Ponte de Lima, Minho" (Cf. nota de rodapé nº 26; sublinhado nosso). Ora como sabemos o jornal A Aurora do Lima é uma publicação vianense, fundada em 1855, pelo que a redacção correcta seria: "e o semanário mais antigo europeu é "A Aurora do Lima", de Viana do Castelo, Minho". O erro, que talvez decorra da confusão associada ao topónimo "Lima", não interfere significativamente no corpo do artigo e não retira ao seu teor qualquer validade. Contudo, fica aqui a nota de correcção.

O referido artigo pode ser lido em http://www.oei.es/pensariberoamerica/ric05a03b.htm#1a.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Casa do Concelho de Ponte de Lima

Recebemos de Carlos Gomes uma nota informativa, complementada com duas fotografias históricas, sobre a Casa do Concelho de Ponte de Lima, que publicamos. As fotografias são um interessante documento, que ganham outra pertinência pela proximidade do vigésimo aniversário daquela instituição.

Em Lisboa, a Casa do Concelho de Ponte de Lima continua a ser o ponto de encontro dos nossos conterrâneos que residem na capital e concelhos limítrofes. Embora ainda distantes do projecto idealizado pelos seus fundadores, as suas instalações foram recentemente submetidas a obras de remodelação que melhoraram substancialmente as suas condições de funcionamento.
Situada na rua de Campolide, 316, junto a Sete-Rios, o local onde se encontra serviu antes ao funcionamento de uma fábrica de construção de elevadores.
Aquela Instituição regionalista ponte-limense assinala, no próximo dia 2 de Fevereiro de 2007, vinte anos de existência. A antecipar a efeméride, publicamos aqui duas fotos inéditas do local onde se encontra instalada, as quais datam muito provavelmente de meados do século vinte. As fotos em causa foram-nos disponibilizadas pelo Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.

A foto à esquerda mostra o portão de entrada da sede social da Casa do Concelho de Ponte de Lima. O veículo estacionado e o pavimento denunciam aproximadamente a época em que a imagem foi recolhida.

A imagem ao lado apresenta o aspecto de abandono em que então se encontravam as traseiras do edifício. Actualmente existe no local um magnífico jardim projectado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles. Ao fundo, avista-se o Aqueduto das Águas Livres.
[Texto de Carlos Gomes; fotografia do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa]

domingo, janeiro 21, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (VIII)








[Anúncio às Padarias Limarense publicado no "O Anunciador das Feiras Novas" de 1948]

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (V)





No nosso post "Arquitectura em Ponte de Lima (III)" (editado em 06.10.2006) mencionamos um artigo, publicado pela revista el croquis, sobre estas casas desenhadas pelo arquitecto Eduardo Souto Moura.
Aqui fica a ligação, para os interessados: http://www.elcroquis.es/media/pdf/Articulos/124_PONTE_DE_LIMA.pdf


quarta-feira, janeiro 17, 2007

Um autopiano e Mia May no Teatro Diogo Bernardes_1925



Em Janeiro de 1925 é anunciada a estreia de um autopiano "Selembert" (Cf. Rio Lima, 18 de Janeiro de 1925). Em voga na época, o autopiano trazia o complemento (diríamos hoje, imprescindível) à imagem. Procuramos algumas informações sobre as características técnicas dos pianos daquela marca. Contudo, o nosso esforço foi, até ao momento, infrutífero. Entretanto, entre centenas de imagens originárias dos países anglófonos e francófonos, encontramos um cartaz publicitário em português, referente a uma fábrica de rolos de música brasileira, que se publica. [Já agora: será que este autopiano ainda está em terras limianas?]
Com a proximidade dos festejos carnavalescos, os jornais anunciam a venda de materiais festivos. É o caso do Rio Lima, na sua edição de 22 de Fevereiro, que publica um anúncio à venda de “serpentinas, confeti e lança perfumes” pelo João Seara, “no Teatro Diogo Bernardes, no logar do costume”. Março traz um concurso. A empresa incentiva o público a escolher um título para a película de "Mert Diesel" atribuindo “à pessoa que lhe der nome mais adequado um bilhete com entrada a 12 sessões” (Cf. Rio Lima, 15 de Março de 1925). A quadra pascal impõe um programa condizente; na tela passam “Por onde vem a felicidade”, “Galileu”, “Vida e Paixão de Cristo”, “Palestina” e “Lugares Santos” (Cf. Rio Lima, 22 e 29 de Março de 1925). Com Abril, a penumbra da sala foi iluminada com as imagens de Mia May (1884-1980), uma actriz alemã, aqui retratada.
[Fontes: Jornal Rio Lima, edições identificadas no corpo do texto]

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Harold Lloyd na tela do Teatro Diogo Bernandes




Harold Lloyd (1893-1971), um dos nomes mais marcantes do cinema mudo, passou algumas vezes na sala de cinema limiana dos anos vinte, o Teatro Diogo Bernardes. Em Março de 1922, foi exibido “Ele no Club das Janotas” (Cf. Cardeal Saraiva, 2 de Março de 1922). Dois anos mais tarde, foram apresentadas as fitas intituladas “Almas do outro mundo” (Cf. Rio Lima, 17 de Agosto de 1924) e “Comboio de Recreio” (Cf. Cardeal Saraiva, 17 de Agosto de 1924).


[Fontes: jornais Cardeal Saraiva e Rio Lima, identificados no texto; reprodução do cartaz do filme "Among those present", de 1921]

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Para uma história do cinema em Ponte de Lima (I)


Segundo a base de dados www.amordeperdicao.pt , parte dos exteriores da longa metragem "Um Adeus Português" (1985), de João Botelho, foram realizados em Ponte de Lima. O filme narra uma história de guerra (África, 1973) e uma história de paz (Portugal, 1985), tendo estreado em Abril de 1986.
[Fonte e outras informações: www.amordeperdicao.pt]

segunda-feira, janeiro 08, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e uma sessão de cinema para as crianças das escolas do concelho de Ponte de Lima_1924

Agosto de 1924. A fita policial “As duas cicatrizes” encanta os espectadores. O articulista do jornal Rio Lima considera que “é uma das melhores e mais completas que aqui [no Teatro Diogo Bernardes] se tem exibido” (17.08.1924), destacando “o trabalho magistral” do actor norte-americano Lewis Stone (1879-1953). O mesmo jornal anunciava a exibição, naquele mesmo dia, de uma fita com Geraldine Ferrar (1882-1967), diva do filme mudo, com inegáveis qualidades vocais que evidenciou na ópera. A actriz tornou-se numa das mulheres mais famosas do mundo durante a década de 20 do século passado e os seus papéis misturam o sentimentalismo e o dramatismo em voga na época.
Os meses de Verão trouxeram a Ponte de Lima filmes como "A Ilha dos Navios Perdidos", "Comboio de Recreio", "A Herdeira de Rajah" e o "Guarda 666". Em Outubro, o jornal que nos tem servido de referência fazia menção à despesa (de 133$50) com uma sessão infantil, oferecida pela Câmara Municipal de Ponte de Lima. O "espectaculo cinematografico com caracter educativo" tivera lugar no dia 31 de Setembro e destinara-se às "creanças das escolas do concelho" (Rio Lima, 19 de Outubro de 1924). A Câmara registou em acta "o seu mais vivo agradecimento à Empreza" pela "sua valiosa e desinteressada cooperação no aludido espectáculo" (idem). Em Janeiro de 1925, a vila pode assistir a "Peor que uma sogra", "O Crime de Chumeca" e "Ameaça Silenciosa", este último marcado pela presença de Pearl White (1889-1938), qualificada nas linhas do jornal local, como a "artista que é o astro mais brilhante de toda a constelação mundial". A actriz ganhou reconhecimento público no papel desempenhado em "The Perils of Pauline", uma história de acção, com vinte episódios, de que reproduzimos um cartaz da época.
[Fontes: edições do jornal Rio Lima referenciadas no corpo do texto; são publicados os retratos de Lewis Stone e Geraldine Ferrar]

domingo, janeiro 07, 2007

[Falcão do Minho, 28.12.06/03.01.07, ano XX, nº 927]

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (VII)

[Anúncio à casa representante da Singer (1919)]

quarta-feira, janeiro 03, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e "A Morgadinha de Val Flor"_1923



O jornal Rio Lima, semanário fundado na década de vinte, sendo seu proprietário e director Eduardo de Castro e Sousa, publicava, à semelhança do jornal Cardeal Saraiva, em Janeiro de 1923, a notícia da reabertura, naquele mês, do "animatografo no Teatro Diogo Bernardes". O que, como vimos em post anterior, não se concretizará. Por sua vez, a edição de 28 de Janeiro, e no âmbito da produção literária local, anunciava que se encontrava à venda a edição póstuma de Sol d'Inverno, de António Feijó. Aproximadamente quatro meses depois, regista nas suas páginas uma breve nota sobre a representação, no Teatro da vila, das peças “A Migalha” e “A Morgadinha de Val Flor”. A primeira realizou-se no âmbito da tournée de Luz Veloso e Rafael Gomes. No que se refere à segunda peça, da autoria de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (1842-1895), retratado na imagem ao lado, notemos a sua popularidade. Escrita em 1869, permanecerá em cartaz por vários anos, satisfazendo o gosto do público, “combinando sentimentalismo ultra-romântico, umas tintas de pretenso ambiente do século XVIII e a exaltação, à Júlio Dinis, dos valores da burguesia rural”, no dizer de António José Saraiva e Óscar Lopes. Em 1923 surgirá o filme com o mesmo nome, de Ernesto de Albuquerque (1883-1940). A peça foi tão popular que inspirou, entre outros, um fabricante de cigarros, Sá & Bernardo, no Brasil, como é visível no rótulo que reproduzimos. Pinheiro Chagas foi poeta (a ele se deve a questão coimbrã, conhecida por "bom senso e bom posto"), dramaturgo, novelista e historiador (entre outras obras, publicou uma História de Portugal e a biografia de 113 figuras nacionais, sob a designação Portuguezes Illustres). Para além da obra literária e histórica, desempenhou o cargo de ministro da Marinha e do Ultramar.
[Fontes: jornal Rio Lima, edições referenciadas no corpo do texto; António José SARAIVA e Óscar LOPES - História da Literatura Portuguesa. Porto: Porto Editora, 1987, 1010]

sábado, dezembro 30, 2006

Voto para 2007

















Ouvir o silêncio
deixá-lo encher gota a gota
o coração
como um remédio natural;
beber com o olhar,
aprender assim - a mitigar a sede.

Amândio Sousa Dantas



[foto: Chafariz da Praça de Camões, jcml; poema "Ouvir o Silêncio" de Amândio Sousa Dantas - Pousado no Silêncio, Lisboa: Edições Ceres, 2003, pág. 91]

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Teatro Diogo Bernardes e o cinema_1924


A 21 de Setembro de 1924, o jornal Cardeal Saraiva anunciava a exibição do filme “O Primo Basílio”, que julgamos tratar-se da versão cinematográfica, realizada por Georges Pallu, em 1922, do romance de Eça de Queirós (1845-1900). Se assim foi, na tela branca terá surgido Amélia Rey Colaço, no papel de Luísa. Recorde-se que “O Primo Basílio”, escrito na Inglaterra e editado em 1878, retrata uma típica família da média burguesia lisboeta. Ainda, no mesmo mês, é anunciada a intenção de adquirir um piano. A edição de 19 de Outubro registava o facto de a “ultima sessão” já ter “orquestra e as seguintes também a terão até chegar o piano”. Entretanto, divulgava-se a exibição, para 9 de Novembro, de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, cremos de Georges Pallu (1920). Com base no romance homónimo de Júlio Dinis, o filme inclui exteriores gravados em Lanhelas (Cf. http://www.amordeperdicao.pt/). Nos finais de Novembro, projectou-se sobre a tela mais um filme de Charlie Chaplin, desta feita “Charlot nas trincheiras”.
[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, números referidos no corpo do texto; sítio www.amordeperdicao.pt. A primeira foto refere-se ao filme "O Primo Basilio", a segunda é um fotograma de "Os Fidalgos da Casa Mourisca" e a última uma imagem de "Charlot, o soldado" (1918)]

quinta-feira, dezembro 28, 2006

O Teatro Diogo Bernardes e o cinema_1923 e 1924

Em 1923, após um período de silêncio, o jornal Cardeal Saraiva noticiava que “parece que sempre vamos ter, dentro em breve, sessões de cinema no nosso Diogo Bernardes” (4.01.1923). Contudo, apenas em meados de Outubro, o mesmo jornal informa os seus leitores que “brevemente, talvez a partir dos princípios de Novembro, começará a haver sessões cinematográficas” (21.10.1923). A edição de 9 de Dezembro, por sua vez, anunciava o recomeço das sessões de cinema no dia 26 daquele mês, por iniciativa de uma empresa composta por Guilherme Castro, Caetano de Oliveira e Virginio Baptista, o que não veio a acontecer. O projecto terá sido adiado “por ainda não estar concluída a instalação electrica no edifício do teatro” (Cardeal Saraiva, 16.12.1923). No ano seguinte, volta-se a referir que “parece estar definitivamente assente a constituição de nova empreza cinematográfica, devendo as sessões começar num dos próximos domingos” (Cardeal Saraiva, 8.05.1924). O articulista não deixará de soltar uma expressão de dúvida: “será desta vez?” (idem). Junho traz, definitivamente, a sétima arte à vila. A exploração do bufete foi posta em praça, sendo a base do arrendamento “50$00 e por espectáculo” (Cardeal Saraiva, 8.06.1924). Os festejos dos santos populares parecem não ter afectado negativamente a frequência das sessões e o agrado era geral (Cf. Cardeal Saraiva, 29.06.1924).
Em Julho, anunciava-se a exibição das imagens do Raid Aéreo Lisboa – Rio de Janeiro, realizado pelos aviadores Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924), em 1922. Nesta viagem histórica foram empregues os métodos e instrumentos de navegação nocturna, incluindo um sextante especial, da autoria de Gago Coutinho. O anos 20, particularmente 1922, foram tempos de aproximação cultural entre o Brasil e Portugal, reforçando-se vínculos e uma ideia e sentimento lusíada.

Em Agosto, na tela do teatro limiano projectar-se-ia o Charlot (não se designando a película exibida; publicamos um dos cartazes da época em que Charlie Chaplin aparece junto de Edna Purviance) e a Vingança de Tarzan (Cardeal Saraiva, 24.08.1924), cujo cartaz (de 1920) publicamos.
[Fontes: edições do jornal Cardeal Saraiva referidas no corpo do texto. Sobre a viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral veja-se, por exemplo, http://www.museumarinha.pt/ ]

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