sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e o Carnaval_1908 e 1922-25


O Carnaval de 1922 decorreu, em Ponte de Lima, “sem entusiasmo algum”. Segundo o jornal Cardeal Saraiva “apenas o baile de terça feira sobressaiu pela concorrência que teve” (Cardeal Saraiva, 2 de Março de 1922). O discurso da decrepitude do Carnaval não era novo, mas os anos vinte parecem particularmente insatisfeitos com a forma como decorrem aqueles festejos. Em 1923, o jornal Rio Lima registava que “o Carnaval, ano a ano vai perdendo a sua alegria e esses tradicionais dias de alegria e folguedo, quasi se tornam um parêntesis de tristeza e ociosidade na rotina do trabalho” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Como fazem notar os jornalistas, o centro da diversão é o Teatro Diogo de Bernardes: “entre nós, pelas ruas, quasi não se deu pela sua passagem, apenas os bailes do teatro tiveram a habitual animação” (Rio Lima, 18 de Fevereiro de 1923). Em 1925, como referimos no nosso post de 17.01.07, João Seara, vende serpentinas, “lança perfumes” e “confeti” no interior do Teatro (Rio Lima, 22 de Fevereiro de 1925). Já em 1908, os cronistas locais faziam referência à regularidade do concurso aos bailes que ali se realizavam, numa sã rivalidade com os levados a efeito “num salão dos baixos da casa do Sr. Joaquim Valle, no Arrabalde, para tal fim alugado a uma comissão” (Eco do Lima, 23 de Fevereiro de 1908). “As commodidades que o Theatro proporciona” seriam, para o articulista limiano, “garantia de uma grande concorrência do nosso povo folgosão que alli procurará recreio durante algumas horas” (Eco do Lima, 1 de Março de 1908). No sentido de incentivar a presença de mascarados, a comissão organizadora anunciava um prémio “ao melhor mascara que se apresente”: uma aliança de ouro (Eco do Lima, 1 de Março de 1908).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A Batalha da Jutlândia no Teatro Diogo Bernardes




Em Maio de 1922, o jornal Cardeal Saraiva anunciava a exibição dos filmes "Por Amor", "No Electrico", "Maldito Disfarce" e "Batalha de Jutlandia". Este último retratava o histórico combate naval entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, que teve lugar em 31 de Maio de 1916. A batalha inconclusiva é um dos momentos militares mais emblemáticos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A frota britância perdeu catorze navios e a alemã onze vasos de guerra. Os Ingleses, contudo, mantiveram o controlo do Mar do Norte, palco do confronto.
O filme exibido terá sido, muito provavelmente, da autoria de Bruce Woolfe (1888-1965), produtor e realizador inglês. Trata-se de uma curta metragem, de 1921, muda, a preto e branco. Segundo o sítio http://www.navynews.co.uk/cinema/realengagements.asp, o filme teria trinta minutos e seria "the first of a number of features made by British Instructional Films about major land and sea engagements of WW1, using archive material, animated maps and specially shot scenes". No fundo, tratar-se-ia mais de um documentário, que na época eram comuns, nas telas do cinema. A "actualidade" ia chegando a Ponte de Lima.


[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, 25 de Maio de 1922; sítio referido no corpo do texto e http://www.imdb.com/title/tt0264398/ (ficha técnica do filme "A Batalha da Jutlândia", de H. Bruce Woolfe); foto: imagem da época retratando o combate naval]

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Octavio Feuillet e Vidocq no Teatro Diogo Bernardes



O jornal Cardeal Saraiva, na edição de 20 de Julho de 1924, anunciava a apresentação no Teatro Diogo Bernardes do "drama de Octavo (sic) Feuillet", segundo a versão de Camilo Castelo Branco, intitulado "A história de um rapaz pobre". Octavio Feuillet (1821-1890) foi um romancista e dramaturgo francês, escritor popular na segunda metade do século XIX. O seu trabalho revela um carácter burguês e moralista que era, na época, do agrado geral, uma vez que, como afirmou Gustave Flaubert "la basse classe croit que la haute classe est comme ça" (a classe popular crê que a classe alta é assim) e "la haute classe se voit là-dedans comme elle voudrait être" (a classe alta vê-se lá dentro como gostaria de ser). "Le roman d’un jeune homme pauvre" (1858) foi traduzido por Camilo Castelo Branco e editado pela António Maria Pereira, em 1907, numa edição popular. A capa que reproduzimos é de uma edição posterior da responsabilidade da Livraria Civilização, de 1959. O fulcro da narrativa é, como não poderia deixar de ser, atendendo ao contexto da época, um amor desencontrado, carregado de dramatismo, que termina num final feliz. A obra terá tido tradução em oito filmes, sendo o mais recente de Ettore Scola (1995).



No mesmo ano, em Novembro e Dezembro, foram exibidas fitas com o título "Vidocq", cognominado pela imprensa local, como "o rei dos policias". Eugène-François Vidocq (1775-1857) é uma figura histórica, com uma biografia pontuada pela aventura, particularmente marcante no imaginário popular francês. Não sabemos que filme foi exibido: há uma curta metragem de 1909, de Gerárd Bourgeois, e um trabalho de 1922, de Jean Kemmin, cuja exibição julgamos mais plausível, uma vez que a notícia de Dezembro, aponta para o fraccionamento em episódios. O cartaz que reproduzimos é desta última produção, da Pathé Consortium Cinéma. O filme foi exibido na mesma sessão em que se viu "Charlot nas trincheiras", a que nos referimos em post anterior (29.12.2006).
[Fontes: jornal Cardeal Saraiva de 20 de Julho, 23 de Novembro e 7 de Dezembro de 1924; sítio http://fvidocq.free.fr/menudyn.html. Edições referidas no texto: Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: António Maria Pereira, 1907. Trad. Camilo Castelo Branco. Edição popular. Obras de Camilo Castelo Branco. 66; Feuillet, Octave - O Romance de um rapaz pobre. Lisboa: Livraria Civilização, 1959, Colecção Civilização (de que reproduzimos a capa); fotos: retrato de Octave Feuillet, capa do livro citado, cartaz do filme de Ettore Scola (1995); retrato de Eugène-François Vidocq, cartaz do filme de 1922, de Jean Kemmin]

sábado, janeiro 27, 2007

Sanhudo, Mâncio e Laerte

Em 1999, publicamos um artigo sobre os caricaturistas limianos Sebastião Sanhudo (1851-1901) e Alfredo Mâncio (1868-1905), na revista "O Anunciador das Feiras Novas" (ano XVI). Nele traçamos alguns contornos biográficos e abordamos algumas das questões estéticas da respectiva produção artística.
Aqueles que estejam interessados em fazer uma leitura integral podem aceder à página http://anunciadordasfeirasnovas.planetaclix.pt/caricaturistaspontedelima.html.

Ponte de Lima tem neste campo das artes um legado que não merece displicência. No texto do prospecto de uma exposição sobre Sebastião Sanhudo, promovida pelo Museu Nacional de Imprensa (Porto), há alguns anos, na Torre da Cadeia Velha, Luis Humberto Marques, seu director, sugeria que a toponímia de Ponte de Lima e do Porto registassem o nome daquele caricaturista. Consultei o levantamento toponímico de Ponte de Lima elaborado por António José Baptista e verifiquei que essa sugestão não foi ainda tida em atenção (a menos que a decisão tenha sido posterior àquela publicação, 2001). Se, efectivamente, Sebastião Sanhudo não tem ainda lugar na toponímia local, aqui fica o repto. Julgamos que Alfredo Mâncio é digno de semelhante registo na memória toponómica da vila. Este para além do seu trabalho como caricaturista e, fora do âmbito das publicações de pendor humorista, fundará O Commercio, onde, segundo Júlio de Lemos, “advogava, com a calorosa devoção de um verdadeiro limarense, os interesses vitaes da nossa terra natalicia” (Cf. Notícias de Coura e Valença, 4 de Janeiro de 1906, nº 21, ano I). Esta sugestão não invalida que se pense noutras formas de recordar estas (e outras) figuras da história de Ponte de Lima. Creio que seria de toda a relevância introduzir no currículo escolar uma dimensão local e que muito desse trabalho poderia passar pelo primeiro ciclo, onde se percebe maior flexibilidade na gestão dos programas (se não concretizada na prática, possível na teoria). Não estamos a pensar numa simples exposição cuja efemeridade inviabilizaria um trabalho sistemático e a longo prazo, capaz de suscitar nas novas gerações o prazer de conhecer melhor a realidade local, mas num projecto construído e sustentado nas escolas, na autarquia e noutros agentes culturais locais.

Voltando-nos para o presente, não deixa de ser interessante notar que um dos caricaturistas mais conhecidos no Brasil seja descendente de limianos. O próprio, Laerte Coutinho, o afirma numa nota biográfica do sítio da Devir: "Nasci em 10 de junho de 1951 e me chamo Laerte Coutinho. Minha familia tem um pé em Portugal, meu bisavô Miguel veio de Ponte de Lima" (Cf. http://www.devir.com.br/hqs/laerte.php). Se quiser conhecer melhor este autor de "quadradinhos" consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Laerte_Coutinho ou o seu sítio oficial http://www.laerte.com.br/.



[Fontes: as mencionadas no texto e António José Baptista - Toponímia de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Câmara Municipal de Ponte de Lima, 2001; Ilustrações: reprodução da primeira página de "O Sorvete"; do interior do prospecto mencionado no texto e de um retrato sobre a forma de desenho de Laerte Coutinho]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

"Errare é umano"_coleccionando erros sobre Ponte de Lima

Todos erramos, pelo que ao iniciar este exercício não temos a veleidade de nos colocar no cume da montanha com olhar de predador ou de inquisidor, mas, simplesmente, notar fragilidades, erros e omissões que nos venham "ter às mãos" relacionados com Ponte de Lima e contribuir, pela sua identificação, para a correcção. Saberemos olhar para o nosso umbigo e, nessa medida, quando tomarmos noção de erros por nós cometidos, aqui estaremos para os corrigir.

Para começar, um erro encontrado num artigo da revista electrónica "Pensar IberoAmérica - Revista de Cultura", intitulado "A cultura e os media em Portugal (uma análise interpretativa)" de Armando Teixeira Carneiro, doutor em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade Pontificia de Salamanca (Espanha) e professor do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração de Aveiro (Portugal), de acordo com a nota curricular que o encerra. Segundo o autor, "Portugal detém dois importantes títulos na Europa: de forma continuada o diário mais antigo europeu é o Açoriano Oriental, de Ponta Delgada, São Miguel, Açores, e o semanário mais antigo europeu é a Aurora do Lima, de Ponte de Lima, Minho" (Cf. nota de rodapé nº 26; sublinhado nosso). Ora como sabemos o jornal A Aurora do Lima é uma publicação vianense, fundada em 1855, pelo que a redacção correcta seria: "e o semanário mais antigo europeu é "A Aurora do Lima", de Viana do Castelo, Minho". O erro, que talvez decorra da confusão associada ao topónimo "Lima", não interfere significativamente no corpo do artigo e não retira ao seu teor qualquer validade. Contudo, fica aqui a nota de correcção.

O referido artigo pode ser lido em http://www.oei.es/pensariberoamerica/ric05a03b.htm#1a.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Casa do Concelho de Ponte de Lima

Recebemos de Carlos Gomes uma nota informativa, complementada com duas fotografias históricas, sobre a Casa do Concelho de Ponte de Lima, que publicamos. As fotografias são um interessante documento, que ganham outra pertinência pela proximidade do vigésimo aniversário daquela instituição.

Em Lisboa, a Casa do Concelho de Ponte de Lima continua a ser o ponto de encontro dos nossos conterrâneos que residem na capital e concelhos limítrofes. Embora ainda distantes do projecto idealizado pelos seus fundadores, as suas instalações foram recentemente submetidas a obras de remodelação que melhoraram substancialmente as suas condições de funcionamento.
Situada na rua de Campolide, 316, junto a Sete-Rios, o local onde se encontra serviu antes ao funcionamento de uma fábrica de construção de elevadores.
Aquela Instituição regionalista ponte-limense assinala, no próximo dia 2 de Fevereiro de 2007, vinte anos de existência. A antecipar a efeméride, publicamos aqui duas fotos inéditas do local onde se encontra instalada, as quais datam muito provavelmente de meados do século vinte. As fotos em causa foram-nos disponibilizadas pelo Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.

A foto à esquerda mostra o portão de entrada da sede social da Casa do Concelho de Ponte de Lima. O veículo estacionado e o pavimento denunciam aproximadamente a época em que a imagem foi recolhida.

A imagem ao lado apresenta o aspecto de abandono em que então se encontravam as traseiras do edifício. Actualmente existe no local um magnífico jardim projectado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles. Ao fundo, avista-se o Aqueduto das Águas Livres.
[Texto de Carlos Gomes; fotografia do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa]

domingo, janeiro 21, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (VIII)








[Anúncio às Padarias Limarense publicado no "O Anunciador das Feiras Novas" de 1948]

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Arquitectura em Ponte de Lima (V)





No nosso post "Arquitectura em Ponte de Lima (III)" (editado em 06.10.2006) mencionamos um artigo, publicado pela revista el croquis, sobre estas casas desenhadas pelo arquitecto Eduardo Souto Moura.
Aqui fica a ligação, para os interessados: http://www.elcroquis.es/media/pdf/Articulos/124_PONTE_DE_LIMA.pdf


quarta-feira, janeiro 17, 2007

Um autopiano e Mia May no Teatro Diogo Bernardes_1925



Em Janeiro de 1925 é anunciada a estreia de um autopiano "Selembert" (Cf. Rio Lima, 18 de Janeiro de 1925). Em voga na época, o autopiano trazia o complemento (diríamos hoje, imprescindível) à imagem. Procuramos algumas informações sobre as características técnicas dos pianos daquela marca. Contudo, o nosso esforço foi, até ao momento, infrutífero. Entretanto, entre centenas de imagens originárias dos países anglófonos e francófonos, encontramos um cartaz publicitário em português, referente a uma fábrica de rolos de música brasileira, que se publica. [Já agora: será que este autopiano ainda está em terras limianas?]
Com a proximidade dos festejos carnavalescos, os jornais anunciam a venda de materiais festivos. É o caso do Rio Lima, na sua edição de 22 de Fevereiro, que publica um anúncio à venda de “serpentinas, confeti e lança perfumes” pelo João Seara, “no Teatro Diogo Bernardes, no logar do costume”. Março traz um concurso. A empresa incentiva o público a escolher um título para a película de "Mert Diesel" atribuindo “à pessoa que lhe der nome mais adequado um bilhete com entrada a 12 sessões” (Cf. Rio Lima, 15 de Março de 1925). A quadra pascal impõe um programa condizente; na tela passam “Por onde vem a felicidade”, “Galileu”, “Vida e Paixão de Cristo”, “Palestina” e “Lugares Santos” (Cf. Rio Lima, 22 e 29 de Março de 1925). Com Abril, a penumbra da sala foi iluminada com as imagens de Mia May (1884-1980), uma actriz alemã, aqui retratada.
[Fontes: Jornal Rio Lima, edições identificadas no corpo do texto]

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Harold Lloyd na tela do Teatro Diogo Bernandes




Harold Lloyd (1893-1971), um dos nomes mais marcantes do cinema mudo, passou algumas vezes na sala de cinema limiana dos anos vinte, o Teatro Diogo Bernardes. Em Março de 1922, foi exibido “Ele no Club das Janotas” (Cf. Cardeal Saraiva, 2 de Março de 1922). Dois anos mais tarde, foram apresentadas as fitas intituladas “Almas do outro mundo” (Cf. Rio Lima, 17 de Agosto de 1924) e “Comboio de Recreio” (Cf. Cardeal Saraiva, 17 de Agosto de 1924).


[Fontes: jornais Cardeal Saraiva e Rio Lima, identificados no texto; reprodução do cartaz do filme "Among those present", de 1921]

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Para uma história do cinema em Ponte de Lima (I)


Segundo a base de dados www.amordeperdicao.pt , parte dos exteriores da longa metragem "Um Adeus Português" (1985), de João Botelho, foram realizados em Ponte de Lima. O filme narra uma história de guerra (África, 1973) e uma história de paz (Portugal, 1985), tendo estreado em Abril de 1986.
[Fonte e outras informações: www.amordeperdicao.pt]

segunda-feira, janeiro 08, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e uma sessão de cinema para as crianças das escolas do concelho de Ponte de Lima_1924

Agosto de 1924. A fita policial “As duas cicatrizes” encanta os espectadores. O articulista do jornal Rio Lima considera que “é uma das melhores e mais completas que aqui [no Teatro Diogo Bernardes] se tem exibido” (17.08.1924), destacando “o trabalho magistral” do actor norte-americano Lewis Stone (1879-1953). O mesmo jornal anunciava a exibição, naquele mesmo dia, de uma fita com Geraldine Ferrar (1882-1967), diva do filme mudo, com inegáveis qualidades vocais que evidenciou na ópera. A actriz tornou-se numa das mulheres mais famosas do mundo durante a década de 20 do século passado e os seus papéis misturam o sentimentalismo e o dramatismo em voga na época.
Os meses de Verão trouxeram a Ponte de Lima filmes como "A Ilha dos Navios Perdidos", "Comboio de Recreio", "A Herdeira de Rajah" e o "Guarda 666". Em Outubro, o jornal que nos tem servido de referência fazia menção à despesa (de 133$50) com uma sessão infantil, oferecida pela Câmara Municipal de Ponte de Lima. O "espectaculo cinematografico com caracter educativo" tivera lugar no dia 31 de Setembro e destinara-se às "creanças das escolas do concelho" (Rio Lima, 19 de Outubro de 1924). A Câmara registou em acta "o seu mais vivo agradecimento à Empreza" pela "sua valiosa e desinteressada cooperação no aludido espectáculo" (idem). Em Janeiro de 1925, a vila pode assistir a "Peor que uma sogra", "O Crime de Chumeca" e "Ameaça Silenciosa", este último marcado pela presença de Pearl White (1889-1938), qualificada nas linhas do jornal local, como a "artista que é o astro mais brilhante de toda a constelação mundial". A actriz ganhou reconhecimento público no papel desempenhado em "The Perils of Pauline", uma história de acção, com vinte episódios, de que reproduzimos um cartaz da época.
[Fontes: edições do jornal Rio Lima referenciadas no corpo do texto; são publicados os retratos de Lewis Stone e Geraldine Ferrar]

domingo, janeiro 07, 2007

[Falcão do Minho, 28.12.06/03.01.07, ano XX, nº 927]

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Anúncios de Ponte de Lima (VII)

[Anúncio à casa representante da Singer (1919)]

quarta-feira, janeiro 03, 2007

O Teatro Diogo Bernardes e "A Morgadinha de Val Flor"_1923



O jornal Rio Lima, semanário fundado na década de vinte, sendo seu proprietário e director Eduardo de Castro e Sousa, publicava, à semelhança do jornal Cardeal Saraiva, em Janeiro de 1923, a notícia da reabertura, naquele mês, do "animatografo no Teatro Diogo Bernardes". O que, como vimos em post anterior, não se concretizará. Por sua vez, a edição de 28 de Janeiro, e no âmbito da produção literária local, anunciava que se encontrava à venda a edição póstuma de Sol d'Inverno, de António Feijó. Aproximadamente quatro meses depois, regista nas suas páginas uma breve nota sobre a representação, no Teatro da vila, das peças “A Migalha” e “A Morgadinha de Val Flor”. A primeira realizou-se no âmbito da tournée de Luz Veloso e Rafael Gomes. No que se refere à segunda peça, da autoria de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (1842-1895), retratado na imagem ao lado, notemos a sua popularidade. Escrita em 1869, permanecerá em cartaz por vários anos, satisfazendo o gosto do público, “combinando sentimentalismo ultra-romântico, umas tintas de pretenso ambiente do século XVIII e a exaltação, à Júlio Dinis, dos valores da burguesia rural”, no dizer de António José Saraiva e Óscar Lopes. Em 1923 surgirá o filme com o mesmo nome, de Ernesto de Albuquerque (1883-1940). A peça foi tão popular que inspirou, entre outros, um fabricante de cigarros, Sá & Bernardo, no Brasil, como é visível no rótulo que reproduzimos. Pinheiro Chagas foi poeta (a ele se deve a questão coimbrã, conhecida por "bom senso e bom posto"), dramaturgo, novelista e historiador (entre outras obras, publicou uma História de Portugal e a biografia de 113 figuras nacionais, sob a designação Portuguezes Illustres). Para além da obra literária e histórica, desempenhou o cargo de ministro da Marinha e do Ultramar.
[Fontes: jornal Rio Lima, edições referenciadas no corpo do texto; António José SARAIVA e Óscar LOPES - História da Literatura Portuguesa. Porto: Porto Editora, 1987, 1010]

sábado, dezembro 30, 2006

Voto para 2007

















Ouvir o silêncio
deixá-lo encher gota a gota
o coração
como um remédio natural;
beber com o olhar,
aprender assim - a mitigar a sede.

Amândio Sousa Dantas



[foto: Chafariz da Praça de Camões, jcml; poema "Ouvir o Silêncio" de Amândio Sousa Dantas - Pousado no Silêncio, Lisboa: Edições Ceres, 2003, pág. 91]

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Teatro Diogo Bernardes e o cinema_1924


A 21 de Setembro de 1924, o jornal Cardeal Saraiva anunciava a exibição do filme “O Primo Basílio”, que julgamos tratar-se da versão cinematográfica, realizada por Georges Pallu, em 1922, do romance de Eça de Queirós (1845-1900). Se assim foi, na tela branca terá surgido Amélia Rey Colaço, no papel de Luísa. Recorde-se que “O Primo Basílio”, escrito na Inglaterra e editado em 1878, retrata uma típica família da média burguesia lisboeta. Ainda, no mesmo mês, é anunciada a intenção de adquirir um piano. A edição de 19 de Outubro registava o facto de a “ultima sessão” já ter “orquestra e as seguintes também a terão até chegar o piano”. Entretanto, divulgava-se a exibição, para 9 de Novembro, de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, cremos de Georges Pallu (1920). Com base no romance homónimo de Júlio Dinis, o filme inclui exteriores gravados em Lanhelas (Cf. http://www.amordeperdicao.pt/). Nos finais de Novembro, projectou-se sobre a tela mais um filme de Charlie Chaplin, desta feita “Charlot nas trincheiras”.
[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, números referidos no corpo do texto; sítio www.amordeperdicao.pt. A primeira foto refere-se ao filme "O Primo Basilio", a segunda é um fotograma de "Os Fidalgos da Casa Mourisca" e a última uma imagem de "Charlot, o soldado" (1918)]

quinta-feira, dezembro 28, 2006

O Teatro Diogo Bernardes e o cinema_1923 e 1924

Em 1923, após um período de silêncio, o jornal Cardeal Saraiva noticiava que “parece que sempre vamos ter, dentro em breve, sessões de cinema no nosso Diogo Bernardes” (4.01.1923). Contudo, apenas em meados de Outubro, o mesmo jornal informa os seus leitores que “brevemente, talvez a partir dos princípios de Novembro, começará a haver sessões cinematográficas” (21.10.1923). A edição de 9 de Dezembro, por sua vez, anunciava o recomeço das sessões de cinema no dia 26 daquele mês, por iniciativa de uma empresa composta por Guilherme Castro, Caetano de Oliveira e Virginio Baptista, o que não veio a acontecer. O projecto terá sido adiado “por ainda não estar concluída a instalação electrica no edifício do teatro” (Cardeal Saraiva, 16.12.1923). No ano seguinte, volta-se a referir que “parece estar definitivamente assente a constituição de nova empreza cinematográfica, devendo as sessões começar num dos próximos domingos” (Cardeal Saraiva, 8.05.1924). O articulista não deixará de soltar uma expressão de dúvida: “será desta vez?” (idem). Junho traz, definitivamente, a sétima arte à vila. A exploração do bufete foi posta em praça, sendo a base do arrendamento “50$00 e por espectáculo” (Cardeal Saraiva, 8.06.1924). Os festejos dos santos populares parecem não ter afectado negativamente a frequência das sessões e o agrado era geral (Cf. Cardeal Saraiva, 29.06.1924).
Em Julho, anunciava-se a exibição das imagens do Raid Aéreo Lisboa – Rio de Janeiro, realizado pelos aviadores Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924), em 1922. Nesta viagem histórica foram empregues os métodos e instrumentos de navegação nocturna, incluindo um sextante especial, da autoria de Gago Coutinho. O anos 20, particularmente 1922, foram tempos de aproximação cultural entre o Brasil e Portugal, reforçando-se vínculos e uma ideia e sentimento lusíada.

Em Agosto, na tela do teatro limiano projectar-se-ia o Charlot (não se designando a película exibida; publicamos um dos cartazes da época em que Charlie Chaplin aparece junto de Edna Purviance) e a Vingança de Tarzan (Cardeal Saraiva, 24.08.1924), cujo cartaz (de 1920) publicamos.
[Fontes: edições do jornal Cardeal Saraiva referidas no corpo do texto. Sobre a viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral veja-se, por exemplo, http://www.museumarinha.pt/ ]

quarta-feira, dezembro 27, 2006

O Teatro Diogo Bernardes, o cinematógrafo e a Companhia Rey Colaço

Em Janeiro de 1922, os habitantes da vila, admiradores do cinema, assistiram ao drama Falsa Herdeira e à comédia Excursão Agitada, precedidas das Actualidades. Os primeiros domingos de Fevereiro trouxeram Amor Proibido, Em busca de aventuras, Repeniques de Amor, Pequena Endiabrada, Mensageira de Ventura e Ele no Camarim. O Carnaval desse ano incluiu uma sessão de cinema que antecedeu o baile, animado pela orquestra da vila regida por António Ferraz. Em Março, as sessões cinematográficas previstas para os dias 20 e 21 foram canceladas para que a sala desse lugar ao teatro, à Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, que levou à cena Marianela e Entre Giestas. O jornal Cardeal Saraiva, de 23 de Março de 1922, dirá a propósito deste espectáculo que os actores deixaram "uma impressão muito agradavel da sua maneira de fazer arte", destacando o trabalho de Henrique Albuquerque e António Pinheiro. Das duas peças "agradou mais Entre Giestas".

A Companhia Rey Colaço Robles Monteiro fizera a sua primeira aparição em público na noite de 18 de Junho de 1921, no Teatro de S. Carlos, com uma peça de Alfredo Cortez. Não deixa de ser interessante notar que Amélia Rey Colaço (1898-1990) estreou-se em 1917 com a peça Marianela, de Perez Galdós, a mesma que a companhia levou à cena em Ponte de Lima, em 1922. Como refere a página electrónica do Museu do Teatro, "Amélia Rey Colaço era uma actriz de excepção e além disso escolhia o repertório da companhia e distribuía as peças, bem como chamava a si a montagem de cada espectáculo, imprimindo-lhe requintes até então desconhecidos e que marcariam não só a companhia como todo o teatro em Portugal" (Cf. http://www.museudoteatro-ipmuseus.pt/). Durante o período em referência, no repertório da companhia predominavam "as peças dos novos autores portugueses, 38 ao todo, 22 em estreia incluindo seis revistas de carnaval com nomes como Alfredo Cortez, Carlos Selvagem ou Ramada Curto. A seguir vêm 28 peças francesas, 22 em estreia; 19 peças espanholas, 15 em estreia, sendo 5 dos célebres irmãos Quintero; 5 peças italianas, 2 brasileiras e 2 americanas" (idem). A partir de 1929, Amélia Rey Colaço e o seu marido Robles Monteiro (1888-1958) dirigem a Companhia do Teatro Nacional.
No fim de Março, a imprensa limiana anuncia a passagem, nos dias 9 e 10 de Abril, do filme Amor de Perdição. Tudo leva a crer que se tratava da primeira adaptação para cinema do romance de Camilo Castelo Branco (1825-1890), publicado em 1862, realizada por Georges Pallu, em 1921.

[Fontes: jornal Cardeal Saraiva, números referentes aos meses de Janeiro a Março de 1922; Joaquim Veríssimo SERRÃO - História de Portugal. s/l: Editorial Verbo, 1990, vol. XII; António REIS - Portugal Contemporâneo. s/l: Publicações Alfa, vol. 2; www.museudoteatro-ipmuseus.pt e www.amordeperdicao.pt]

domingo, dezembro 24, 2006

Natal


Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
Como posso, pergunto o ano
inteiro, viver sem Cristo
(por sinal,
na santa paz do gusano)
e agora embalar-te: isto
é Natal?
(...)
Perdoa, Infante, a vaidade,
a fraqueza, o mau costume
tão geral:
fazer da Natividade
um pretexto, não um lume
celestial.
(...)
[extractos do poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado Conversa informal com o Menino, constante no 8º volume da Obra Poética, publicada pela Europa-América, 1989]

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O Teatro Diogo Bernardes e o cinematógrafo_1921

O jornal Kodak, quinzenário editado por João José Correia, anunciava, na edição de 27 de Novembro de 1921, a inauguração do cinematógrafo no elegante "Diogo Bernardes". Para o articulista seria imperdoável não se referir "a esta bela inovação introduzida no nosso meio por iniciativa, bôa-vontade e desejo de Avanço, que animam alguns filhos desta terra, excepcionalmente linda como profundamente esquecida, que a tudo tem jus e que de tudo até agora, tem carecido". Por sua vez, o jornal Cardeal Saraiva, na edição do mesmo dia, dava nota da afluência do público às sessões que projectavam "as ultimas creações cinematographicas das melhores casas americanas e europeias" (Cf. Cardeal Saraiva, 17 de Novembro de 1921). Às sessões nocturnas, em Dezembro, foi acrescentada uma matinée, pelas 14.30 horas. Mas se as fitas "não desagradaram pelo entrecho e interpretação, não satisfizeram pela sua exibição", pelo que se aconselhava a manutenção "á frente do aparelho [de uma] pessoa competente" (Cardeal Saraiva, 1 de Dezembro de 1921).
Ilustramos esta pequena nota sobre os alvores da exibição de cinema no Teatro Diogo Bernardes, com uma fotografia do edifício, anterior aos arranjos que lhe deram a configuração actual.

[Foto: Teatro Diogo Bernardes (1990), Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa, amavelmente enviada por Carlos Gomes]

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Pelo Natal, um rio de poesia

O Conde d'Aurora escreve em "Mal Notadas Letras" um texto sobre os poetas da Ribeira-Lima, relatando a noite de consoada de 1949. Uma noite com muita poesia aquecida pelo "raizeiro de velho carvalho", iluminada pelo "clarão da lareira de granito minhoto trabalhado" e tendo como fundo "a toada das janeiras trazidas pelo rancho do Couto", "velha loa de sabor ancestral, popular e litúrgico com ressaibos de ervas aromáticas e toda a frescura da aldeia". Fala-nos de Jorge de Lima e das suas associações poéticas entre o Rio Lima e o Mandaú; escreve sobre Sebastião da Gama e o seu apego à "família do Lima", para terminar epigrafando o Lima como o "rio dos poetas, dos poetas da Ribeira Lima". Eis uma proposta trazida por este Natal, que deixo como sugestão àqueles que têm responsabilidade pelo turismo local: uma caminhada junto ao rio Lima, guiada pela escrita dos poetas limianos.

[Extractos retirados de Conde d'Aurora - Mal Notadas Letras. Crónicas. Porto: Simões Lopes, s/d (1951?)]

Não deixe de ler o Conto de Natal de Carlos Gomes, consultando a página: http://anunciadordasfeirasnovas.planetaclix.pt/conto_natal.html

domingo, dezembro 17, 2006



Escreve, no seu último livro, Claúdio Lima: "dizer por dizer eu já não digo / aprendi comigo / aprendi que as palavras / não são coisas / de pegar e usar" (Itinerarium III, 2006, pág. 35). Tomando como mote esta atitude sábia, Amândio de Sousa Vieira acaba de lançar o opúsculo intitulado "D. Pedro IV e as Feiras Novas". Defendendo uma tese - a atribuição da autorização das Feiras Novas a D. Pedro IV -, o seu trabalho manifesta-se despretencioso mas alicerçado numa bibliografia actual e fundamentado em documentação relevante. Tal como as palavras, os documentos "não são coisas de pegar e usar" para (e tomo, de novo, a poesia de Cláudio Lima) "de pronto fruir e descartar". Amândio de Sousa Vieira respeita os documentos; a sua escola é a da sensibilidade, a mesma que plasma nas suas fotografias, a do saber partilhado com os amigos e com a comunidade. Os documentos e os livros, para Amândio Vieira, não são tesouros que evita revelar com receio de ser roubado; pelo contrário, nomeia as fontes, a bibliografia e os documentos num exercício de verdade. Não tendo ainda realizado uma leitura integral do livro, não posso deixar de notar, desde já, este cuidado. Mas, parafraseado o poeta limiano, "dizer por dizer / é não entender / o conteúdo / como essência de tudo", por isso, voltarei a escrever sobre a tese defendida por Amândio de Sousa Vieira, o "sumo" da sua publicação de uma trintena de páginas.

[Em Cláudio Lima, para além de muitos dos aspectos referenciados por Carlos Gomes no post anterior, encontro a consciência da poesia como construção - acto de elaboração pessoal, atento à poesia edificada pelos outros, e assumidamente "marginal". Os seus poemas são peças buriladas por quem aprende "ao relento / os sinais da poesia" (Itinerarium III, pág. 40)]

quarta-feira, dezembro 13, 2006

ITINERARIUM III ou a poesia segundo Cláudio Lima

Publicamos o trabalho, com o título em epígrafe, que nos foi remetido por Carlos Gomes, regular e profícuo colaborador da revista "O Anunciador das Feiras Novas", a propósito do lançamento do mais recente livro de Cláudio Lima. Abertos à colaboração, não deixaremos de publicar tudo aquilo que, de acordo com a nossa linha editorial, possa ser um contributo para o tratamento e a reflexão de assuntos associados à vida cultural de Ponte de Lima. Obrigado Carlos Gomes por aceitar este desafio de partilha.
Itinerarium III ou a poesia segundo Cláudio Lima

“Itinerarium III” é o mais recente livro de poemas que Cláudio Lima acaba de publicar, o qual encerra uma trilogia poética que o autor iniciou, já lá vão doze anos. Rebelando-se contra o que considera mistificações e equívocos que se apresentam com o rótulo de poesia, recusando tutelas e dogmas estéticos, o poeta encontrou uma passagem para a verdade que existe na poesia, o caminho para a claridade dos sentidos. Ele próprio o afirma num dos seus poemas: “não busques o efeito nebuloso / no teu verso. / cultiva a claridade / de cada palavra / mesmo as de textura / mais opaca. / aprende que é em ti / que pode acontecer / a definitiva noite / do poema. / olha que a prolixidade é um desvio / premeditado e parvo / dos medíocres”.
Com uma indescritível riqueza vocabular que confere maior expressividade às metáforas por si criadas, o poeta busca nas palavras a cor e a densidade que as caracteriza, alternando ritmos e musicalidade. Cláudio Lima revela-se, afirmativamente, um dos mais notáveis poetas alto-minhotos da actualidade, o qual nos reservará por certo, num futuro próximo, novas e mais agradáveis surpresas.
Com considerável obra publicada, sobretudo no domínio da poesia, Cláudio Lima possui ainda vasta colaboração literária espalhada em jornais e revistas também no Brasil e Angola, também nas áreas da ficção, da diarística e da crítica literária, fazendo muitos dos seus trabalhos parte integrante de antologias e obras colectivas. Em 1997 realizou na Casa do Concelho de Ponte de Lima uma conferência alusiva aos cinquenta anos de actividade literária do escritor João Marcos, a qual se encontra publicada em livro. Publicou ainda “A Foz das Palavras”, “Por aqui não é passagem”, “Itinerarium”, “Itinerarium II”, “Maçã pra Dois”, “Vate do Reino”, “Arte de Amar Ponte de Lima”, “Os Morros de Nóqui” e “Um rio de muitas luzes”. Cláudio Lima é o pseudónimo literário de Manuel da Silva Alves, natural de Calvelo, em Ponte de Lima. Possui o curso de filosofia dos seminários franciscanos e, como a maior parte dos jovens da sua geração, viveu a experiência da guerra, tendo sido mobilizado para o norte de Angola, entre 1967 e 1969. Actualmente encontra-se radicado em Braga e é um assíduo colaborador da imprensa da nossa região. Para aguçar o apetite dos leitores para a poesia de Cláudio Lima, deixamo-los com o “soneto do meu desejo”, um dos poemas inserto no livro que acaba de publicar.

daria a minha vida por um verso
que fosse da vida o ápice perfeito
- um verso que não coubesse no universo
fosse embora à medida do meu peito

um só verso luzindo no disperso
desconserto do mundo insatisfeito
que fosse da maldade o puro inverso
e fosse do amor o belo efeito

dez sílabas medidas e não mais
para atestar o desejado enlace
do verbo com o ser, núpcias reais

um verso que esculpisse a exacta face
da esfinge esquiva aos édipos mortais
- um só verso que fosse, mas ficasse
[Texto de Carlos Gomes]

sexta-feira, dezembro 08, 2006

População em Ponte de Lima (IV)


Construído com base nos dados dos Censos, apresentamos um gráfico que revela a evolução do número de fogos nas freguesias de Ponte de Lima, Arca, Arcozelo, Feitosa e Ribeira, entre os anos de 1864 e 1981. As linhas desenham aquilo que é uma evidência: a pressão urbanística sobre as áreas limítrofes à freguesia de Ponte de Lima. Percebe-se um crescimento sustentado da freguesia de Arcozelo, particularmente expressivo a partir da segunda metade do século passado. O abrandamento do crescimento de fogos na freguesia de Ponte de Lima corresponde ao movimento inverso que se verifica nas freguesias em torno do casco da vila. Brevemente, abrangeremos a informação coligida até ao Censo de 2001 e analisaremos, com mais cuidado, este processo.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Na nossa caixa de correio

Coincidente com a comemoração do décimo quinto aniversário da Estudantuna Académica de Ponte de Lima, abrem, no próximo dia 10 de Dezembro, na Casa de Turismo, as exposições "A Tuna de Ponte de Lima", com peças dos barristas Baraças, e “Os últimos trovadores do Lima”, um trabalho do fotojornalista Paulo Teixeira, enriquecido com o texto de Cândido Sobreiro. Com os apoios da Universidade Fernando Pessoa, Fundação Fernando Pessoa e Câmara Municipal de Ponte de Lima, a exposição pode ser visitada até ao dia 29 de Dezembro.
Para se saber mais, consulte: http://atunadepontedelima.blogspot.com/.
Aguçada a curiosidade pela iniciativa da Tuna, não deixaremos de realizar uma visita.
Entretanto, a nossa caixa de correio - anunciadordasfeirasnovas@clix.pt - continua disponível à recepção de informações, divulgação de iniciativas, opiniões e críticas.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Anúncios de Ponte de Lima (VI)


[A propósito do centenário da Confeitaria e Padaria Vilar, publicamos o anúncio
presente na edição de 1948, de "O Anunciador das Feiras Novas"]

segunda-feira, novembro 27, 2006

Em torno de dois livros



Este fim de semana cruzei-me com um livro de Eduardo Souto de Moura. Trata-se de "22 casas de Eduardo Souto de Moura", recentemente apresentado em Guimarães, no âmbito da exposição com o mesmo nome, que decorreu no Departamento Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho. O livro centra-se no tema da “habitação unifamiliar” e apresenta o percurso de duas décadas deste arquitecto. Entre as habitações descritas, encontramos aquela que já mereceu destaque no nosso post "Arquitectura em Ponte de Lima (I)": duas casas em Ponte de Lima, na quinta de Anquião.
E, por falar em livros, estivemos na apresentação do trabalho de José Ernesto Costa, "Crónicas de um outro tempo". A trilogia completa um trabalho de recolha de marcado cariz nostalgico, onde os "velhos papéis" esteticizados ganham outro valor e as fotografias deixam o carácter de recordação individual para assumirem o papel de documento de outros costumes, artes e sabedorias. Registo, onde se cruzam o "tempo pessoal" e o "tempo da vila", o livro ganha contornos de álbum geracional. No Teatro Diogo Bernandes, recordando as vivências da juventude em torno da exibição das "fitas", por iniciativa do autor, fomos brindados com interesantes interlúdios musicais e leituras de trechos da sua obra.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Anúncios de Ponte de Lima (V)

[anúncio publicado em 1948]

[anúncio publicado em 1919]

Dois anúncios da Farmácia da Misericórdia. Em 1919, afirmava-se que, sendo "uma das principais da provincia", possuía "um completo e variado sortimento de preparações e especialidades farmaceuticas". O anúncio de 1948, publicado no "O Anunciador das Feiras Novas", chamava atenção dos clientes para o facto de ser depósito das cervejas e laranjadas da Companhia União Fabril Portuense, agente de seguros e vendedor de papel selado.

domingo, novembro 19, 2006

Roteiro sentimental de "outro tempo"

José Ernesto Costa apresenta no dia 25, próximo sábado, no Teatro Diogo Bernardes, o terceiro volume do seu trabalho de cariz memorialista, Crónicas de um Outro Tempo. O convite que nos foi remetido (deixamos, desde já, o nosso agradecimento) inclui a reprodução da capa cujo tema nos remete literalmente para "outros tempos". O cenário não mudou mas as prácticas sociais, os rituais, as sociabilidades tomaram outras configurações. As águas do rio deixaram de ter a mesma impetuosidade; as lavadeiras foram substituídas por máquinas. As conversas e os cantares das "coradeiras" deixaram de acompanhar o sussurar das águas. Os panos estendidos ao longo do areal deram (infelizmente!) espaço a automóveis. Quando é que se libertará o areal desse intruso visual, desse elemento poluente e descaracterizador? Não podemos estar sempre a regressar a "outros tempos", mas do passado não devemos perder aquilo que ele teve de melhor. José Ernesto Costa fala de um "nó" na garganta quando escreve sobre o passado. O presente também traz um "nó" quando nos esquecemos de olhar o passado. A memória é o melhor alicerce do futuro.
[José Ernesto Costa já publicou dois volumes com o título "Crónicas de um Outro Tempo" (2004 e 2005), verdadeiros roteiros sentimentais, onde se cruzam as memórias locais com a memória do autor. É, ainda, autor de Poemas da Terra e do Lima (1996) e Cheia do Rio Lima (2001).]

faces da revista